Semanário Regionalista Independente
Quinta-feira Outubro 19th 2017

6) O Espírito Santo é uma pomba que voa

O culto do Espírito Santo foi trazido para Portugal pela Rainha Santa Isabel, esposa do Rei D. Dinis.

Permanece como o renovo que todos os anos rompe na planta originária fiel ao processo da criação.

O homem insatisfeito com a palavra e os seis actos de compromisso, ou por reconhecimento à vida, criou uma prática – deseja ele – seguradora na crença e no cumprimento dela, vida, a uma entidade que ultrapassa a dimensão da sua condição humana e que é acolhedora do poder do espírito para o exército do amor.

Este dom harmonizador da vida, reconhecido universalmente é aceite como fonte inspiradora para mitigar sofrimento ou abrir fronteiras de entendimento e compreensão que a razão não consegue em pleno realizar.

O culto do Espírito Santo coroa a criança, Imperador do Mundo.

Agostinho da Silva dedica-lhe especial atenção.

Mostra limitações da sociedade, a eliminar:
– O tratamento dado às crianças.
– O carácter económico que permite que todos não tenham que comer.
– A atenção dada ao problema dos criminosos.

…A primeira limitação a eliminar, que nós ainda usamos, provavelmente para atrapalhar o génio criador, é pegar na criança e em lugar de declarar que ela é o Imperador do Mundo, em lugar de ajoelharmos diante da criança e de guiarmos o mundo por ela – como de resto o Evangelho recomendava – que a criança é o modelo do homem – pegamos nela, primeiro a família trata de a domesticar… “dresser”, como se diz para os animais do circo …de maneira que ela desempenhe muito bem o seu papel na sociedade. Ou por outro lado mete-se na escola, que vai dar a continuação, que vai fazer dela um profissional acima de um ser humano, mais importante que um ser humano.

“Mas o povo português acredita que a criança é a criatura perfeita e é na terra que ela ganha aquele barro, aquela lama que cobre o esplendor do céu das ideias e faz cada um de nós pobre seres em que só num ou noutro aparece um relâmpago deste céu das ideias.

A segunda coisa é que o povo português celebrava a festa do Espírito Santo com um grande banquete gratuito.

…É limitação de carácter económico que não permitia que toda a gente, todos os dias, tivesse os seus banquetes gratuitas e, seria necessária

…qualquer espécie de modificação no mundo para que não se sentisse essas limitações que limitam o génio criador que existe em todos os homens.

A terceira coisa importante é a atenção dada ao problema dos criminosos, porque no dia da festa se soltava e solta-se ainda na Bahia e parece que em Parati no Brasil, um criminoso.

Quer dizer, seja como for, um homem tem de sair da prisão porque se lá está foi errado. Errado, porque provavelmente houve sobre ele a pressão social que o levou a cometer algumas coisa… que não cometeria se não houvesse essas limitações.

Por outro lado, a inclinação criminosa pode ser uma doença e, que portanto, haveria que procurar pelo lado da ciência alguma maneira de curá-lo dessa fatalidade.

Doutrina fortemente revolucionária.

Ainda hoje o é.

Em 1912, K.E. Tsiolkski, astrónomo, fala de tempos que iniciaram um estudo criterioso do céu em astronomia. Mostra-se interessar-se por que os seus trabalhos possam ser úteis para as pessoas e trazer montanhas de pão e energia para todo o mundo.

Cientistas e outros detentores ou não de qualquer poder, raramente realizam a partilha nos destinos do homem.

Não tem sido suficiente a crença, a intenção pura, arquitecta da regeneração e compreensão da palavra de ordem: amor.

O sacrifício de alguns não é a via.

Da Grécia Antiga, fala o sábio ateniense Sólon
“Olhar sobre ti mesmo”

Hoje, a Psicologia ensina: “Conhece-te a ti mesmo.

Temos liberdade, dizemos, e estaremos livres para ouvir e encantarmo-nos como Íbrico?”: Então a isone aurora desperta os rouxinóis”

Ou ainda como Sálon: “Envelheço aprendendo sempre muitas coisas”.

– E Teremos a coragem de Íbico que revela
“Ó meu coração, eu escondo-me como a galinhola de largas asas”.

Teremos?

Seremos a galinhola no mato?

A imagem do Espírito Santo é uma pomba que voa. Aprendamos a segui-la.

Sintra, 30-05-2010
Texto: Zulmira Oliva
Artigo publicado na “Separata Espírito Santo” na edição de 4 de Junho de 2010

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.