Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Agosto 8th 2022

COVID 19 – O IMPACTO EMOCIONAL DA PANDEMIA

COVID 19 – O IMPACTO EMOCIONAL DA PANDEMIA

Desde o seu aparecimento, a Pandemia COVID-19 tem tido um sério impacto em diferentes vertentes da sociedade: saúde, economia, trabalho, comunicação, relacionamento interpessoal/familiar.
Apesar da saída do Estado de Emergência Nacional declarado a 18 de março, estamos ainda longe de regressar à normalidade. Neste seguimento, é fundamental que mantenhamos uma atitude prudente, cautelosa e de responsabilidade cívica.
Toda esta mudança de comportamentos a que nos vimos obrigados nos últimos tempos, teve certamente um impacto diferente em cada um de nós, em termos emocionais. Esta nova realidade, trouxe à população sentimentos de medo, angústia, ansiedade, com sérias implicações na saúde mental individual e social.
Com este artigo, pretendemos refletir acerca do impacto da COVID-19 na saúde mental das populações e fornecer algumas dicas ou estratégias para minimizar estes efeitos que não devem ser subestimados.

COVID 19: Como gerir o stress emocional?
Encontrar estratégias que nos permitam lidar com o stress causado por este surto, terá um impacto positivo na forma como gerimos as nossas emoções e as dos que nos rodeiam.
Fique atento à seguinte lista de sintomas que podem traduzir dificuldade em gerir as suas emoções.
Alterações comportamentais:
- Aumento ou diminuição acentuados dos níveis de atividade e energia
- Aumento do consumo de tabaco, álcool ou outras substâncias ilícitas
- Maior irritabilidade e envolvimento em discussões
- Dificuldade em relaxar e alterações do padrão de sono
- Choro frequente, preocupação excessiva ou vontade de se isolar
Sintomas físicos:
- Dor abdominal ou diarreia
- Náuseas/vómitos
- Dor de cabeça ou outras
- Perda/aumento do apetite
- Transpiração excessiva e tremores
- Tonturas
- Palpitações
- Dor no peito
Alterações emocionais:
- Estar demasiado ansioso ou assustado
- Sentir-se deprimido/triste/angustiado
- Sentimentos de culpa ou raiva
- Dificuldades de concentração e atenção
- Alterações da memória
- Dificuldade em tomar decisões

COVID 19 e Stress Emocional: formas diferentes de reagir
A forma como reagimos às adversidades é muito variável e influenciada por diversos fatores como a personalidade individual, experiências prévias, determinados problemas de saúde, recursos familiares e sociais, atividade profissional e até da comunidade onde nos inserimos. No entanto, é possível prever quais os grupos mais vulneráveis:
- População idosa e doentes crónicos, já que à partida têm um maior risco de doença grave por COVID-19.
- Crianças e adolescentes pela dificuldade em gerir a informação e integrá-la da forma correcta.
- Profissionais de saúde na linha da frente que têm um maior risco de contrair a doença, pela sua exposição.
- Doença psiquiátrica ou história de abuso de substâncias dada a maior vulnerabilidae e fragilidade emocional que apresentam.
COVID 19: Estratégias para prevenir o stress emocional

É importante que mantenha alguns dos seus hábitos durante este período. Veja alguns exemplos na lista seguinte.

- Faça pausas para ler e assistir a programas televisivos não relacionados com COVID-19.
- Cuide do seu corpo e da sua saúde: tente alimentar-se de forma saudável e consciente; pratique exercício físico regularmente (é possível fazê-lo em casa); evite o consumo de álcool;
- Tire algum tempo para fazer atividades que goste, procurando adaptá-las à nova realidade. (exº: trabalhos manuais, cuidar do jardim, bricolage, criar uma horta)
- Não se isole e mantenha contactos, quer seja pelo telefone ou por videoconferência. Partilhe as suas angústias e preocupações com as pessoas que lhe são próximas;
- Procure obter informação credível acerca do COVID-19 e partilhe-a com os outros. Filtre apenas o essencial. Ajudará a aliviar a sua ansiedade e a dos outros também.
- Se tem animais de estimação tome nota do seguinte:
- Os donos que não apresentem sintomas podem sair para passear os seus animais de estimação, respeitando as medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades. Lave frequentemente aos mãos e não toque nos olhos, no nariz e na boca depois de ter estado em contacto com o animal.
- Em caso de infeção por COVID19, recomenda-se que deixe o animal de estimação ao cuidado de outra pessoa, evitando deixar também os seus utensílios habituais ou desinfetando-os previamente (taça da comida, taça da água, trela…). Se o dono infetado com COVID-19 não encontrar um cuidador temporário, deve tomar medidas extremas de higiene das mãos, usar uma máscara na presença do animal e evitar o contacto físico. Nestas circunstâncias, o passeio e limpeza do animal ao chegar a casa devem ficar a cargo de outra pessoa.

COVID 19: Serei capaz de ajudar os meus filhos a superar este momento difícil?

Se tem filhos é importante que saiba que crianças e adolescentes tendem a reagir em consonância com o que observam à sua volta. Se pais e cuidadores se mostrarem calmos e confiantes, esta mensagem chegará aos mais novos e servirá de exemplo.

É claro que nem todas as crianças e adolescentes respondem da mesma forma ao stress. Veja alguns exemplos de manifestações mais típicas:

• Choro frequente ou irritabilidade nas crianças mais novas
• Retrocessos comportamentais (voltar a usar chucha ou urinar na cama)
• Preocupação ou tristeza excessivas
• Comer de forma não saudável e alterar hábitos de sono
• Irritabilidade e comportamento agressivo nos adolescentes
• Fraco rendimento escolar e desinteresse nas atividades
• Dificuldade de atenção e concentração
• Desinteresse por atividades que apreciava no passado
• Dores de cabeça ou no corpo, recorrentes
• Consumo de álcool, tabaco ou outras drogas.

Seguem-se algumas estratégias que pode adotar para assegurar o bem estar emocional dos seus filhos:
- Tente conversar com os seus filhos acerca da Pandemia COVID19, ajustando o discurso à idade.
- Responda às suas questões e inquietações e partilhe com eles factos.
- Assegure-lhes que estão seguros e faça-os perceber que é normal que se sintam tristes. Partilhe com eles as suas técnicas para lidar com o stress.
- Limite o tempo de exposição a noticiários, já que nem sempre as crianças são capazes de gerir e interpretar o que ouvem podendo agravar o medo e ansiedade.
- Tente manter, dentro do possível, as rotinas habituais. O tempo para realização de trabalhos escolares/aprendizagem deve manter-se. Invista também em atividades que estimulem a sua criatividade e permitam descontrair.
- Seja um exemplo para os seus filhos. Faça exercício, aprenda a relaxar, alimente-se de forma saudável e mantenha-se conectado com amigos e familiares.
- É normal que os seus filhos sintam saudades da família e dos amigos. No caso particular dos avós, grupo mais vulnerável, aposte em videochamadas para os manter em contacto. Certamente terão momentos divertidos e de descontração.

COVID19: Como superar a quarentena?
Antes de mais, importa perceber quais as circunstâncias em que as entidades de saúde podem decidir que fique em isolamento no domicílio.
A quarentena e o isolamento são medidas de distanciamento social que, perante uma epidemia, têm como objetivo proteger a população e diminuir a probabilidade de transmissão da doença em causa.
O que diferencia quarentena de isolamento é o estado de doença do indivíduo que se quer afastado socialmente. Isto é, se estiver saudável mas existir suspeita de contacto com caso positivo, falamos em quarentena. Se, por outro lado, tiver a doença, falamos em isolamento. Este último vai impedir que contagie mais pessoas.
Ficar em quarentena ou isolamento pode representar um período difícil e dar origem a sentimentos de tristeza, insegurança e ansiedade. Nos indivíduos saudáveis e com doença ligeira, o isolamento é feito no domícilio e é realizado um acompanhamento telefónico diário pelas equipas de saúde locais, que asseguram a sua vigilância. Esta monitorização permite que se sinta acompanhando e possa gerir melhor o seu nível de stress perante o isolamento.
COVID 19: Reconheça os seus limites e peça ajuda
Ao longo deste artigo referimos que é expectável que se sinta ansioso, angustiado e preocupado com o contexto em que vivemos. No entanto, se estes sintomas se acentuarem e prolongarem no tempo, pode ser necessário pedir ajuda para os superar. Contacte o seu médico de família que saberá proporcionar-lhe o apoio devido.
Não se esqueça que a contenção deste surto depende de todos. Mantenha as medidas de proteção recomendadas pelas autoridades de saúde e desta forma poderá sentir-se mais tranquilo e seguro.

Mariana Sequeira – USF Lapiás
Grupo de Médicos Internos dos Centros de Saúde de Sintra, Colares, Várzea e Pêro Pinheiro (USF Cynthia, USF Colares, USF Monte da Lua, USF Lapiás)

 

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.