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	<title>Jornal de Sintra &#187; Economia</title>
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		<title>Lisboa</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 11:26:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa]]></category>

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		<description><![CDATA[Ladislau Dowbor conferencia em Lisboa “Economia tem esquecido as pessoas” Interpelações de Ladislau Dowbor por uma “democracia económica” As questões ambientais “ainda não foram transformadas em problemas urgentes” e nota-se “uma certa inércia nestas decisões” – alertou Ladislau Dowbor, professor de Economia na Universidade Católica de S. Paulo que proferiu uma conferência, em Lisboa, «Da [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span style="font-weight: bold;"> Ladislau Dowbor conferencia em Lisboa </span><br /><br style="font-weight: bold;"><font size="5"><span style="font-weight: bold;">“Economia tem esquecido as pessoas” </span></font></p>
<p><span style="font-weight: bold;">Interpelações de Ladislau Dowbor por uma “democracia económica” </span></p>
<p>As questões ambientais “ainda não foram transformadas em problemas urgentes” e nota-se “uma certa inércia nestas decisões” – alertou Ladislau Dowbor, professor de Economia na Universidade Católica de S. Paulo que proferiu uma conferência, em Lisboa, «Da democracia política à democracia económica». Este atraso na tomada de posições deve-se também “a uma guerra de informação muito sólida”.</p>
<p>Nesta iniciativa – organizada terça-feira pela Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) – o economista pediu que sejam introduzidos nas reflexões “os impactos estruturais de longo prazo”. “Gerimos tecnologias extremamente poderosas com capacidades políticas extremamente precárias” – realça o conferencista. A economia está a desenvolver-se “não em função das pessoas, mas em função dos meios e dos grandes instrumentos (bancos, grandes empresas). Junto da evolução tecnológica “visualizamos os rios cheios de esgotos” – lamentou Ladislau Dowbor. Os recursos “não são utilizados em função das prioridades” e “venderam-nos o slogan que o mercado resolve”.</p>
<p>O Produto Interno Bruto (PIB) mede o “fluxo de recursos e não os resultados”. O PIB “não mede se as pessoas estão a viver melhor” – afirmou aos presentes. E acrescenta: “A criminalidade aumenta o PIB porque se constroem prisões e dinamiza as actividades económicas”.</p>
<p>Os 2/3 mais pobres da população mundial consomem “apenas 6% da produção do planeta”. A economia mundial organizou-se em função de 1/3 da população” – denuncia o orador convidado pela CNJP. E acrescenta: “morrem cerca de 10 milhões de crianças por causas ridículas”. Ao fazer referência à atribuição do Prémio Nobel da Economia, Ladislau Dowbor realça que este galardão “não é um Prémio Nobel, não é pago pelo fundo Nobel, mas pelo Banco da Suécia em memória de Alfred Nobel” – explicou. Quase todos estes prémios foram atribuídos a “especialistas em especulação financeira”.</p>
<p>O professor de Economia na Universidade Católica de S. Paulo vê a economia “não como uma ciência, mas um sistema de pactos políticos na sociedade destinados a um objectivo básico que é a qualidade de vida” das populações. A democracia actual tem um “grande ausente: as futuras gerações”. Sem esquecer, “os milhões de pobres do planeta” que também “não têm presença nesta democracia”.</p>
<p>Ao fazer referência às eleições que se realizam nos países democráticos, Ladislau Dowbor pede a criação “de processos decisórios que permitam que os recursos – são da humanidade e não das empresas &#8211; sejam utilizados de acordo com as necessidades”. As dinastias do poder político “estão ultrapassadas”, mas as “dinastias do poder económico continuam a vigorar” – afirmou.</p>
<p><span style="font-weight: bold;">A economia académica “está a produzir muito lixo” </span><br />No momento das interpelações, José Silva Lopes, que se assumiu como “tecnocrata da economia” partilhou as ansiedades expostas por Ladislau Dowbor. O mundo está a passar pela “pior crise desde 1929”, mas após este flagelo “não acredito que saia um novo paradigma económico-financeiro”. José Silva Lopes adianta também que a economia académica “está a produzir muito lixo”.</p>
<p>Através das teorias económicas chega-se a conclusões, mas “podese dar marteladas nas hipóteses para chegar ao resultado final”. E acentua: “Infelizmente, isto acontece”. A ciência económica está desprovida de “soluções para os problemas económicos que tem” – disse Silva Lopes. Esta “nunca tratou da igualdade a sério”.</p>
<p>Apesar de trabalhar na área económica – “Taxas de Juro e Taxas de Câmbio” –, o economista Silva Lopes mostra-se céptico sobre o futuro. “O PIB continua a ser necessário, mas pode ser corrigido”. E exemplifica: “o trabalho dos voluntários não vale nada para o PIB, mas os milhões dados a um banqueiro aumenta o PIB”.</p>
<p>Neste mundo global, Silva Lopes pede uma regulação da globalização. “Esta foi uma forma que o capitalismo arranjou para escapar às regulações nacionais” – disse. E aponta outras áreas a necessitarem de regulamentos: “ambiental, social e mercados”.</p>
<p>Investigador em ciências económicas, João Rodrigues interpelou o economista de S. Paulo sobre a forma que a globalização assumiu – “nomeadamente na liberdade de circulação de capitais” e a erosão dos direitos sociais. João Rodrigues sublinha que “temos democracia política, economia global e capacidade dos Estados em influenciar o processo económico”. Neste trilema, o economista refere que só podemos ter “dois destes ítens”.</p>
<p>À luz da última encíclica de Bento XVI, «Caridade na Verdade», o investigador pede para que a “economia seja civilizada”. A verdadeira fonte do relativismo moral é a “concepção de um mercado que reduz os valores a preferências individuais suportadas por dinheiro” – conclui João Rodrigues.</p>
<p>Fonte: CCJP</div>
<p></p>
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