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	<title>Jornal de Sintra &#187; CULTO DO ESPÍRITO SANTO</title>
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	<description>Semanário Regionalista Independente</description>
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		<title>1) Separata “Espírito Santo”</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 10:37:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Jornal de Sintra publica esta separata dedicada ao tema do Espírito Santo no âmbito do regresso das Festas do Divino ao Penedo, na freguesia de Colares, após 10 anos de interregno e do intercâmbio resultante da Mostra das Festas do Espírito Santo realizada no dia 22 de Maio, que trouxe a Sintra o vereador [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O Jornal de Sintra publica esta separata dedicada ao tema do Espírito Santo no âmbito do regresso das Festas do Divino ao Penedo, na freguesia de Colares, após 10 anos de interregno e do intercâmbio resultante da Mostra das Festas do Espírito Santo realizada no dia 22 de Maio, que trouxe a Sintra o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Andrade (as Festas do Divino Espírito Santo nos Açores nunca deixaram de ser comemoradas desde a sua primeira celebração que, segundo o próprio vereador, foi em 1666, conforme referências históricas).</p>
<p style="text-align: justify;">Assim sendo, publicam-se artigos de estudiosos que se dedicaram à investigação da temática Divino Espírito Santo e outros artigos relacionados, que contextualizam estas celebrações. De notar que o Penedo é o único local no continente português que continua a comemorar, após algumas pausas, o Divino Espírito Santo da mesma forma que sempre se comemorou, revivendo sempre os rituais da coroação do “imperador”, a partilha dos alimentos com os mais desfavorecidos e a corrida do touro à corda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NR:</strong> Jornal de Sintra agradece ao Centro Nacional de Cultura o interesse dispensado ao nosso projecto de trabalho e ao seu encaminhamento para a dra. Antonieta Costa / Açores.</p>
<p style="text-align: justify;">Agradece-se também o Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas pela disponibilidade e cedência de um artigo sobre as Festas do Divino Espírito Santo no Penedo.</p>
<h6 style="text-align: justify;">Artigo publicado na &#8220;Separata Espírito Santo&#8221; na edição de 4 de Junho de 2010</h6>
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		<title>(2) A festa do Espírito Santo</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 10:36:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O culto português do Espírito Santo não tem equivalente no mundo católico. Era específico da Estremadura e das Beiras (em 1928, o bispo da Guarda proibiu os católicos de participar nas «folias» do Espírito Santo, as confrarias que mantinham o culto). O culto está mais próximo da religião judaica do que do Novo Testamento. Os [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O culto português do Espírito Santo não tem equivalente no mundo católico. Era específico da Estremadura e das Beiras (em 1928, o bispo da Guarda proibiu os católicos de participar nas «folias» do Espírito Santo, as confrarias que mantinham o culto). O culto está mais próximo da religião judaica do que do Novo Testamento. Os judeus beirões do princípio do séc. XX diziam «O Espírito Santo é nosso, não é deles [católicos]» (1) . De facto, conhecendo os textos que eram lidos nas sinagogas portuguesas no Dia de Pentecostes (Bíblia, Talmude e Zohar) concluímos que este culto foi cripto-judaico. O Talmude é uma colectânea de comentários bíblicos; o Zohar (ou Livro do Esplendor) é um texto exotérico atribuído ao rabi ibérico Moisés Maimónides, são textos ricos em espiritualidade e em devaneios messiânicos e esperancistas. O culto do Espírito Santo pode ter sido uma teatralização dos temas referidos nos textos lidos nas sinagogas nesse dia: proibida a religião judaica, esses temas passaram a ser encenados numa festa de rua, cripto-judaica, difarçadamente católica (2) …</p>
<p style="text-align: justify;">Convém contradizer o mito erudito segundo o qual foi Santa Isabel quem instituiu este culto, em Alenquer. Os cultos não foram instituídos pelos reis nem pelas princesas (isso é dos contos infantis). Têm origem em dinâmicas espirituais e simbólicas, em sobreposições de cultos e de calendários, e na criatividade popular. Há capelas e referências a confrarias do Espírito Santo anteriores à Rainha Santa, nomeadamente em Santarém (3). No entanto, pode um monarca ou uma princesa ter aderido preferencialmente a um culto específico, mas isso não era razão suficiente para que ele se impusesse.</p>
<p style="text-align: justify;">A actual expressão Espírito Santo refere-se à terceira pessoa da Trindade cristã. No entanto, ela é a tradução do hebraico <em>Ruah Kadosh </em>que significa «espírito (ou sopro) santo, divino». No Antigo Testamento a expressão aparece centenas de vezes para significar as «manifestações de Deus»: criador, provedor da sabedoria, inspirador da mente&#8230; Os judeus não podem pronunciar o «nome próprio» do Deus bíblico (que nós dizemos Yahwé), pelo que nomeiam-no pelos seus atributos: o Divino, o Senhor, o Bendito, o Espírito Santo&#8230;<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;"><strong>ORIGEM BÍBLICA </strong>– </span>O dia do Espírito Santo é no domingo de Pentecostes que, em grego, significa «50 dias» (7 semanas, depois da Páscoa). Mas a festa é do Antigo Testamento, instituída por Deus: «A partir da Páscoa contarás 7 semanas. Celebrarás a festa das Semanas em honra de Yahweh teu Deus. E levarás ofertas em proporção com o que o teu Deus te deu. Na presença de Yahweh divertir-te-ás, tu, os teus filhos e teus servos, os sacerdotes e os estranhos, as viúvas e os órfãos que vivem no teu meio» (Deuteronómio 16: 8-11). A Páscoa era (como hoje) a primeira lua-cheia depois do equinócio da Primavera. Uma festa à deusa-Lua. O 7 é um número sagrado de carácter lunar (as fases da lua duram 7 dias) e significa «completude», «plena realização». Segundo os historiadores da Bíblia, os hebreus adoptaram da religião dos cananeus (fenícios) a sua festa do Pentecostes &#8211; tal como a Páscoa que era uma festa à primeira Lua-cheia da Primavera. O culto da Lua transferiu-se para o Deus bíblico. Jesus também se deslocou com os seus discípulos a Jerusalém para a celebração do Pentecostes, donde a festa cristã.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos primórdios bíblicos, era uma festa agrária; chamava-se festa das Semanas, das Ceifas, da Fartura&#8230; Depois adquiriu a simbólica da Aliança entre o povo e Deus: festa do Dom da Lei, da Renovação da Aliança ou dos Juramentos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #888888;"><span style="color: #993366;"><strong>FESTA DAS CEIFAS </strong>–</span> </span>Nas sinagogas portuguesas, neste dia lia-se o Livro de Rute, sendo Rute uma estrangeira que foi avó de David donde provirá o Messias. A acção do livro desenrola-se nas ceifas e numa eira. O livro também lembra a obrigatoriedade da solidariedade social: Rute, imigrante e pobre, foi encontrada a respigar os restos duma ceifa e teve os favores do proprietário; os dois uniram-se durante a noite, na eira. Na memória colectiva dos beirões, «a festa do Espírito Santo é por ocasião das ceifas ou do corte dos fenos», e na região de Viseu «é quando começa a secar a raiz ao pão [= trigo]». O Pentecostes foi a festa das Ceifas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;"><strong>A POMBA </strong>–</span> O ícone do culto é uma pomba que, para os cristãos, representa o Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade. No entanto, nos comentários da sinagoga, a pomba representava a «<em>Shekina </em>de Deus» (a sua «face maternal») que cobre com as suas asas os eleitos. Rute, que era estrangeira, foi acolhida «sob as asas da <em>Shekina</em>», como uma ave cobre as crias; Também se referem a «duas pombas»: a que já veio (o rei David) e a que há-de vir (o Messias). Num dialecto bíblico (aramaico), «Deus» diz-se <em>Yahu </em>que também significa «pomba». Max Weber (sociólogo, mas também historiador do judaísmo antigo) diz que a pomba «é o símbolo de Israel perseguido» e que, no Talmude, é considerada a «mensageira do Espírito divino» (4) . Diferentemente disso, o Espírtito Santo que, no Pentecostes, desceu sobre os apóstolos no cenáculo representou-se por «línguas de fogo», não por uma pomba. Portanto, a Pomba é mais cripto-judaica do que cristã.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;"><strong>O REI ou IMPERADOR </strong>–</span> Em algumas freguesias do Litoral (e em Sintra/Penedo) a personagem central do culto é o «imperador ». Ele incarna o Divino. A figura de «rei» já se encontrava nas leituras da sinagoga e referia-se ao Messias-rei. Lia-se este texto: «[...] O rei que há-de vir é da descendêcia de David. O Espírito do Eterno [= Espírito Santo] falará por ele. A palavra de Deus estará na sua boca» (5) . A festa judaica do Pentecostes também era a «festa da Realeza» (de Deus, de Israel ou do Messias) ou da Renovação da Aliança. Os comentários referiam-se à ascendência do Messias (Rute foi avó do rei David donde provirá o Messias judaico) e ao Messias-rei. Entre os judeus da Diáspora, o Pentecostes também se chamou «festa da Realeza de Israel, de Deus ou do Messias». O costume de eleger ou nomear um «rei» para presidir a um bodo ou refeição ritual também se encontra em documentação profana antiga, nas comunidades judaicas da diáspora, fenícias (cananitas) e púnicas (6) .</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;"><strong>A COROA </strong></span><strong><span style="color: #993366;">–</span> </strong>O pendão da festa contém uma coroa. Nos comentários da sinagoga, a coroa era a Aliança entre o povo e Deus. «Desceram do céu duas coroas: uma pela promessa de cumprir (por parte do povo) e outra pela promessa de realizar (por parte de Deus). Na corrente judaica da Cabala, na essência de Deus há dez esferas, duas das quais têm o nome de «coroas». Moisés Cordobero, judeu ibérico (séc. XII), diz que a esfera inferior é «a própria <em>Shekina», </em>a «filha do Rei», que se exilou com o povo de Israel e à qual os fiéis que praticam os preceitos da Promessa se unem como numa relação conjugal» (7) . A festa do Espírito Santo de Tomar também se chama «Festa da Coroa».</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;"><strong>BODO </strong></span><strong><span style="color: #993366;">–</span> </strong>A festa do Espírito Santo é, fundamentalmente, um bodo de pão. Oferece-se pães, ou uma farta refeição de carne, a quem vier – um dos mais belos ritos populares. Diz-se em muitos sítios que este bodo é em «cumprimento duma promessa antiga» que fez a povoação para se ver livre duma praga agrícola ou duma epidemia. A «promessa antiga» pode ser a «Antiga Aliança» firmada no Sinai entre Deus e o povo eleito. O bodo já vem na Bíblia, referido várias vezes para o Pentecostes: «Trareis das vossas casas o pão que será oferecido em gesto de apresentação [...]. Oferecereis, além do pão, sete cordeiros de um ano, um novilho [ou touro, segundo as traduções] em holocausto a Yahweh [...]. É uma lei perpétua para os vossos descendentes onde quer que habiteis» (Levítico 23:15-22) ». E: «Farás sacrifícios de comunhão [= ágapes, bodos] que tu comerás aí mesmo; e tu divertir-te-ás na festa na presença do teu Deus. Escreve nestas pedras todas estas palavras, grava-as bem» (Deut. 27:7-8). Note-se a ordem: «grava bem estas palavras», um preceito importantíssimo&#8230; Os bodos rituais são um modo de renovar as boas relações entre habitantes vizinhos, entre tribos vizinhas e entre o povo e o seu Deus.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;"><strong>TRADIÇÕES EXOTÉRICAS </strong>–</span> O conceito de «Espírito Santo » é muito fértil em devaneios místicos e em teorias espiritualistas. Em hebraico<em>, ruah </em>tanto significa «vento» como «espírito». Jesus disse: «O vento [ou o Espírito] sopra onde quer, assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito [ou do vento]» (João 3:8). No conceito «Espírito Santo» cabem muitos projectos religiosos: inspirações proféticas, ideais messiânicos, mistérios simbólicos, segredos iniciáticos&#8230; No culto beirão encontramos, em 1960, a menção da transmissão dum segredo: o mordomo cessante transmitia um segredo ao sucessor, ambos fechados na capela, mas cujo conteúdo se desconhece (porque era segredo&#8230;). Segundo um autor espanhol, nas sinagogas sefarditas (de origem ibérica) da Tessalónica (Grécia) onde ainda se fala português, por volta de 1950, durante as cerimónias do Pentecostes os fiéis formavam uma procissão com a Bíblia e pronunciavam mutuamente ao ouvido «um segredo» que consistia na palavra «arroz» (8) . Ora, dizemos nós, o observador espanhol pensou ouvir a palavra «arroz» quando o que os judeus diziam era a palavra aramaica «rôz» que quer dizer «segredo»&#8230; Nas comunidades judaicas dos Essénios (a que, segundo alguns, Jesus e João Baptista pertenceram), os novos adeptos eram iniciados na festa do Pentecostes e a quem era lido o capítulo III do Livro bíblico de Habacuq que começa assim: «Yaweh, eu aprendi o teu nome! Yaweh, eu temo a tua obra! Fá-la reviver no nosso tempo!&#8230;». Quer dizer, aprendiam a pronúncia exacta do nome do Deus bíblico – <em>yahweh </em>– que os leigos (como nós&#8230;) desconhecem ou pronunciam arbitrariamente (Yaweh, Yauwa, Javé, Jeová&#8230;). Nas sinagogas ibéricas, o santo nome era ensinado pelo rabi ao iniciado, ao ouvido, no meio de grande algazarra da assistência (para que ninguém mais pudesse ouvir).</p>
<p style="text-align: justify;">
<h6 style="text-align: center;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Penedo.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2644" title="Foto do Penedo de Jaime Nunes Soares" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Penedo-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" /></a>Foto de Jaime Nunes Soares, do Penedo (1985)</h6>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;"><strong>TOURADAS </strong>–</span> O abate de touros era frequente – e necessário – no adro do templo de Jerusalém (tal como noutros templos do Médio Oriente) para holocausto à divindade e para o bodo do povo. O nosso culto do Divino associa-se a touradas. No séc. XVI as confrarias do Espírito Santo (ou «do Bodo») de Leiria possuíam reservas ou estábulos para garantir carne para o bodo, e havia touradas «com reses bravas». As touradas ibéricas podem vir desse ritual de sacrifício. A função dos nossos forcados pode vir do acto corajoso de pegar no touro pelos cornos a fim de o sacrificador poder espetar o cutelo. As capelas portuguesas – tal como o Templo de Jerusalém – foram pólos de arraiais taurinos. E vimos que a alegria era obrigatória: «Divertir-te-ás na festa, tu, os teus filhos, os teus servos e os estrangeiros que moram no teu meio»&#8230; Nas religiões do Médio Oriente, o Criador podia ser representado por um touro. O Deus bíblico também foi representado, na Samaria, por um touro, tendo até sido encontrada uma inscrição com a expressão «o<em>ghel yaou» </em>(o bezerro é Yahweh) (9) . O Deus-touro agradava-se com sacrifícios de touros.</p>
<p style="text-align: justify;">O culto do Espírito Santo é dos mais belos elementos do património imaterial português. A ausência de dogmatismo e de liturgias autoritárias permite que o culto seja espiritualmente fértil («o espírito sopra onde quer»). É universalista, pode ser atribuído a qualquer divindade ou tendência espirtual, ecuménico e transcultural. Nas Beiras interiores desapareceu. No distrito de Leiria ainda se mantém em algumas freguesias. Persiste com muito dinamismo nos Açores. E em Sintra- Penedo, resistirá?</p>
<h6 style="text-align: justify;">Texto: Moisés Espírito Santo (Sociólogo das religiões)</h6>
<h6>Artigo publicado na &#8220;Separata Espírito Santo&#8221; na edição de 4 de Junho de 2010</h6>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p>1 – Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa, IV, Casa da Moeda, p. 223<br />
2 – Tratei deste culto nas Beiras, detalhadamente, em Origens Orientais da Religião Popular Portuguesa, Assírio e Alvim 1988. Aqui limito-me a algumas referências<br />
3 – Em Santarém: M.C. Rocha Beirante: Santarém Quinhentista, Universidade Nova de Lisboa, 1980, p. 134.<br />
4 – Max Weber, Le Judaisme Antique, Paris, Plon, 1970, p. 536<br />
5 – Ephémérides de l’année juive, Paris, C.L.K.H. 1981, n.º 4, pp. 409 e seguintes<br />
6 – Bezalel Porten, Archives from Elephantine, pp.153-182.<br />
7 – Moisés Cordobero, Le Palmier de Debora, Paris, Verdier, 1985, cap. IX.<br />
8 – Michel Molho, Usos y costumbres de los Sefardies de Salónica, Madrid, Inst. Arias Montano, 1950, p. 225.<br />
9 – Bertholet, Histoire de la civilisation d’Israel, Paris, Payot, 1929, p. 390.</p>
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		<title>3) O “Império” do Penedo</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 10:35:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTO DO ESPÍRITO SANTO]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Dominando a antiga vila de Colares, no caminho que nos leva á celebrada capela da Peninha, encontra-se o logar do Penedo, cujo nome certamente derivou do aglomerado de rochas sobre que se erguem as casas de seus moradores. Ahi, no cimo de um cabeço, limitado de um lado pelo vale da ribeira que passa á «Bôca da Mata», d’onde trepam as calçadas que de Colares vão ao povoado, e do lado oposto pela «ribeira do Valente», depara-se com a capela de Nossa Senhora das Mercês, que mais vulgarmente é conhecida pela invocação de Santo António.</p>
<p style="text-align: justify;">A capela, batida dos ventos, está isolada sobre um eirado, onde, fronteiro ao poetico cruzeiro, visinhando com a fonte do logar, se cleva um banalíssimo, anti-estetico coreto, <em>monumento </em>que abriga em dias de festa a philarmonica empenhachada e rutilante de galões que veiu substituir com as «polkas de passarinho» e as selecções d’operas, o antigo e tipico <em>2 de infantaria</em>, ou seja o gaiteiro e seu ajudante, o <em>trameléque</em>, eximio rufador e solista de tambor.</p>
<p style="text-align: justify;">O interior da capela é todo forrado de azulejos policromicos, de varios tipos e padrões, com sete painéis alusivos á vida de Santo Antonio, ali mandados colocar por devoção de Francisco Nunes Dias, que em 1647 retomou a antiga capela.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro-me, com saudades, e já lá vão mais de 20 annos, do cerimonial das festas que pelo Espirito Santo se celebravam no Penedo.</p>
<p style="text-align: justify;">Faziam-se a recepção e coroação do <em>imperador </em>com uma pragmatica especial, mixto pitoresco de christianismo e paganismo, que datava de muitos seculos.</p>
<p style="text-align: justify;">N’um livro de obitos do seculo XVII, pertencente ao antigo cartorio de Colares, consta que se finara «<em>Antonio, da ribeira do Valente, que no anno fora Imperador</em>».</p>
<p style="text-align: justify;">Ter um <em>imperador </em>na família era uma honra disputada por todos os habitantes do Penedo e, quando o <em>imperio </em>pertencia a uma das mais abastadas familias, não se olhava a despezas. Até os Stocklers, ascendentes do general Garção Stockler, foram <em>imperadores</em>. Existe ainda a coroa grande, de prata dourada, com restos de joias ao gosto da epoca, que a «Casa do Alto» mandou fazer para o seu <em>imperio</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>imperador</em>, que primitivamente era homem feito, foi com os tempos diminuindo na idade. No meu tempo era um garoto dos seus treze anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois festeiros iam buscar o <em>imperador </em>ao palacio, que as mais das vezes não passava de pobrissima habitação, adornada vistosamente para esse acto. Em frente dela ficava depois levantado, pelo ano fora, um mastro encimado por uma bandeirola de folha recortada em feitio de pomba</p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhado do sequito, que se conpunha do Condestavel e de um pagem, dos mordomos e muito povo, era esperado no portico da Capela pelo padre celebrante, de pobrepeliz e capa de asperges.</p>
<p style="text-align: justify;">Era este, no tempo a que me refiro, o meu velho amigo padre Matias de Campo, coadjutor de Colares, um hespanhol de Astorga, emigrado de carlista que, em 1874, fugira para Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou a vêl-o, tirando a corôa de uma salva de prata e colocando- a com toda a unção na cabeça de um <em>imperador</em>, cabeça ornada de alourada cabelleira de estôpa, e de um gôrro emplumado, complementos da indumentaria com que o guarda-roupa de Lisboa, fornecedor habitual da <em>corte imperial </em>enfarpelava de <em>nobre no tempo de Henrique III</em>, o rapazola que ligurava de imperador.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao som do hymno, tocado e rufado pelo gaiteiro e tambor, o padre entregava-lhe ainda o sceptro e, findas as cerimonias da recepção, o soberano, envolto no seu manto, tamava logar no trôno, junto do altar-mór, onde, rodeado pela côrte, ouvia a ladainha e a missa de instrumental.</p>
<p style="text-align: justify;">A seguir, o sacerdote, com graves mesuras, pedia venia para o sermão. Póde fazer-se ideia do que seria um sermão prégado pelo padre Matias, profundo conhecedor do grego e do latim, mas que apezar de 30 annos passados em Portugal não conseguira desfazer-se ainda da sua pronuncia natal&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>imperador </em>só se erguia quando ao «levantar a Deus». O calor apertava e as môscas incommodavam a <em>Sua Magestade</em>; então o pagem, com um abano, enxotava as impertinentes, que ameaçavam desfazer a ordenada compostura do pobre figurante.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o mesmo cerimonial sahia o <em>imperador </em>da capela, sendo deposto no dia seguinte, e eleito o sucessor que logo esportulava determinada quantia.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois da festa de egreja realisava-se o bôdo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já na vespera andára, enfeitado de flores e fitas, pelas ruas do Penedo, cheias de colgaduras, o boi que devia ser morto para alimentar a voracidade de não sei quantos mendigos que, de quatro leguas ao redor, acorriam á festa.</p>
<p style="text-align: justify;">Passeava a «victima» pela povoação, com os mordomos, gaiteiro e ajudante, bandeira e foguetes, e a sua primeira visita era ante a casa do <em>imperador</em>, para fazer a venia.</p>
<p style="text-align: justify;">Era também costume velho darem-se n’esse dia dotes de <em>2 pintos presos</em>, ou sejam 960 réis, ás raparigas do logar que haviam casado no anno.</p>
<p style="text-align: justify;">O boi era repartido, <em>post-mortem</em>, já se vê, em duas partes: uma para a <em>côrte imperial </em>e outra para os pobres.</p>
<p style="text-align: justify;">Dadas tres voltas á roda da capella, depois de benzido, matavase o animal. Caso grave este da matança. Uma vez, tendo o magaréfe errado o golpe, fugira o animal, e só fora agarrado perto de Cintra, pelos forasteiros esfomeados e mais povo, armados de forcados e foices! Cozinhada a carne perto da capella, n’um caldeirão de cobre que ainda ali existe, era distribuida aos pobres, sentados em bancadas, juntando-se a eles os devotos que tinham feito promessa de comerem com os <em>irmãozinhos</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Servia n’essa ocasião uma louça especial, a <em>baixella</em>, constituida por pratos e tijelas, com a imagem do Espirito Santo (a simbolica pomba), desenhada no fundo. Esta louça, de faiança bastante grosseira, com esmalte branco-sujo, as cercaduras e emblemas de azul ou côr de vinho, considero-a de fabrico de Lisboa, do principio do seculo XVIII.</p>
<p style="text-align: justify;">Arrumada em cestos n’uma dependência da sacristia, a <em>baixella </em>foi-se escaqueirando pouco a pouco, existindo hoje ali apenas dois ou tres exemplares, junto das tijelas e pratos de barro que foram substituindo a primitiva louça.</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>Imperio </em>acabou&#8230; Hoje, democratisado, o <em>imperador </em>passou a ser <em>Juiz</em>, a festa faz-se sem as pragmaticas antigas, e o boi come-se&#8230; sem ser benzido.</p>
<p style="text-align: justify;">Do antigo <em>Imperio </em>restam somente a corôa e o sceptro, guardados no fundo de um arcaz, uns cacos, parte dos quaes eu conservo preciosamente, e a lembrança de um velho costume que ficará, durante seculos ainda, na alma do povo do Penedo (1).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">(1) No Penedo só se coroava o «imperador»; nas Mercês, proximo de Rio de Mouro, coroava-se também uma «imperatriz». Estas festas do <em>Imperio </em>que, parece, foram instituidas por D. Dinis e sua mulher, «a Rainha Santa» e se celebraram pela primeira vez em Alenquer, realizavam-se também emAlcabideche, perto de Cascaes, em Elras, junto de Coimbra, e celebram-se ainda nas Ilhas.</p>
<h6 style="text-align: justify;">Texto: Luis Keil</h6>
<h6 style="text-align: justify;">Artigo de “A Águia &#8211; Órgão da Renascença Portuguesa” – Vol. XII – 2.ª Série (Julho a Dezembro de 1917)*</h6>
<h6 style="text-align: justify;">[Documento cedido pelo Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas]</h6>
<h6 style="text-align: justify;">Artigo publicado na &#8220;Separata Espírito Santo&#8221; na edição de 4 de Junho de 2010</h6>
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		<title>4) Simbólica celebração em honra do Espírito Santo</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 10:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTO DO ESPÍRITO SANTO]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiers Temáticos, Suplementos e Separatas]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[O profano e o religioso centraram-se na Capela do Espírito Santo, em Montelavar, no fim-de-semana de 29 e 30 de Maio, para uma simbólica celebração em honra do Divino Espírito Santo. Foi uma festa discreta, com a tradicional missa e um convívio entre a população, com petiscos e música. Foto: J. F. Montelavar Artigo publicado [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Capela.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2632" title="Capela do Espírito Santo" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Capela-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O profano e o religioso centraram-se na Capela do Espírito Santo, em Montelavar, no fim-de-semana de 29 e 30 de Maio, para uma simbólica celebração em honra do Divino Espírito Santo. Foi uma festa discreta, com a tradicional missa e um convívio entre a população, com petiscos e música.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h6 style="text-align: justify;">Foto: J. F. Montelavar</h6>
<h6>Artigo publicado na &#8220;Separata Espírito Santo&#8221; na edição de 4 de Junho de 2010</h6>
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		<title>5) Excertos de um trabalho publicado na Revista Portuguesa de Arqueologia, em 2003</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 10:33:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTO DO ESPÍRITO SANTO]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiers Temáticos, Suplementos e Separatas]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[A Ermida do Espírito Santo (Sintra): intervenção arqueológica realizada em 2001 NR: Trabalho sobre a intervenção arqueológica preventiva realizada na Ermida quinhentista dedicada ao Divino Espírito Santo, em S. João das Lampas, que ao que tudo indica terá sido construída no âmbito de festas em honra do Espírito Santo e votada ao progressivo abandono quando [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A Ermida do Espírito Santo (Sintra): intervenção arqueológica realizada em 2001</strong></span></h1>
<p style="text-align: justify;"><strong>NR:</strong> Trabalho sobre a intervenção arqueológica preventiva realizada na Ermida quinhentista dedicada ao Divino Espírito Santo, em S. João das Lampas, que ao que tudo indica terá sido construída no âmbito de festas em honra do Espírito Santo e votada ao progressivo abandono quando as festas deixaram de se realizar com a pompa de antigamente naquela freguesia.</p>
<p style="text-align: justify;">“A Ermida do Espírito Santo localiza-se na povoação de São João das Lampas (concelho de Sintra), sede da freguesia epónima, junto à estrada municipal para Bolelas (Coord. UTM 29SMD656029).</p>
<p style="text-align: justify;">Implantada na extremidade sul do denominado Rossio de São João, a actual disposição denuncia o seu carácter descentrado face à Igreja Matriz de São João Baptista, com a qual estava intimamente ligada, sobretudo nos cortejos da Festa do Divino Espírito Santo.</p>
<p style="text-align: justify;">(…) No telhado da nave, sobre a fachada principal, cujo portal principal exibe um simples arco de volta perfeita, é possível observar uma cruz que ostenta para além da inscrição ‘ESPRIT SÃ/TO’, a data de 1572, época em que terá ocorrido uma reforma pós-tridentina do imóvel.</p>
<p style="text-align: justify;">Atrás da Ermida localizam-se algumas casas arruinadas, onde porventura poderá ter funcionado, no século XVIII, a Confraria do Espírito Santo.</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>terminus ante quem</em> em torno do século XIV para a sua origem estará certamente relacionada com a instauração das Festas em louvor do Divino Espírito Santo pela Rainha Santa Isabel. Diz-nos João da Silva Marques, no decurso da sua aturada recolha documental: <em>‘A Instituição desta usança remontaria, assim, a uma data posterior a 1287, data da doação de Sintra à Rainha, e anterior a 1336, ano da sua morte’</em> (Marques, 1938). Tal facto relacionar-se-ia com a autorização da monarca para a realização das ditas festas no interior dos ‘seus’ paços na Vila de Sintra, difundindo a partir de então esta prática para as paróquias rurais.</p>
<p style="text-align: justify;">(…) As festividades ocorridas em São João das Lampas em honra do Divino Espírito Santo datam, aparentemente, dos finais do século XVI (Cabral, 1982-83, p.822), talvez como derivação do que acontecia na própria vila de Sintra: <em>‘No século XVI a vila saloia [Sintra] é (…) o palco renascentista dos saraus e torneios literários, das representações teatrais, das justas, pavanas e bailes moriscos – que de resto se estendem e influenciam as próprias festividades municipais, designadamente a Festa do Corpus Christi e a Festa do Espírito Santo’</em> (Serrão, 1989, p. 16).</p>
<p style="text-align: justify;">As procissões em honra do Divino Espírito Santo percorriam o terreiro que separa a Igreja Matriz, de invocação a São João Baptista, e a Ermida do Espírito Santo, cabendo a cada um destes templos desempenhar um papel específico, ainda que complementar, na condução das festas. Na Ermida desenvolviam-se as cerimónias religiosas pertencentes aos festejos em louvor do Divino Espírito Santo, enquanto que na igreja paroquial se leiloavam os cargos e outras ofertas relacionadas com o evento.</p>
<p style="text-align: justify;">(…) Durante as Inquirições efectuadas no século XVIII, na Diocese de Lisboa, concretamente na ‘Descrição das igrejas pertencentes às Vigarias da Vara de Sintra, Cascais, Arruda e parte do Temo de Lisboa, – Ano de 1760’, a propósito da Igreja Matriz de São João das Lampas é referido <em>‘as confrarias que são da jurisdição ordinária além da fábrica é a do Santíssimo, Santo António e a do Espírito Santo, e todas as mais são seculares’</em>. Curiosamente, na descrição que se faz, nesta época, relativamente às ermidas existentes é omitida qualquer referência à Ermida do Espírito Santo. Porquê? Será que na segunda metade do século XVIII as festividades do Espírito Santo em São João das Lampas já estão a decair (…)? De acordo com alguns estudiosos (Ambrósio, 1982; Soares, 1983), a época áurea das festividades do Divino Espírito Santo terá decorrido durante os séculos XVII e XVIII, sendo apenas nos inícios da centúria seguinte que começa a observar-se a sua decadência.</p>
<p style="text-align: justify;">(…) Na segunda metade do século XIX já não existia a Irmandade do Espírito Santo anteriormente fixada nesta freguesia, facto certamente contextualizado pela extinção das confrarias nesta época.</p>
<h6 style="text-align: justify;">Texto: Catarina Coelho e José Lourenço Gonçalves (ambos os autores trabalharam no Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas)<br />
Artigo publicado na &#8220;Separata Espírito Santo&#8221; na edição de 4 de Junho de 2010</h6>
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		<title>6) O Espírito Santo é uma pomba que voa</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 10:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Dossiers Temáticos, Suplementos e Separatas]]></category>
		<category><![CDATA[Sem Tag]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[O culto do Espírito Santo foi trazido para Portugal pela Rainha Santa Isabel, esposa do Rei D. Dinis. Permanece como o renovo que todos os anos rompe na planta originária fiel ao processo da criação. O homem insatisfeito com a palavra e os seis actos de compromisso, ou por reconhecimento à vida, criou uma prática [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O culto do Espírito Santo foi trazido para Portugal pela Rainha Santa Isabel, esposa do Rei D. Dinis.</p>
<p style="text-align: justify;">Permanece como o renovo que todos os anos rompe na planta originária fiel ao processo da criação.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem insatisfeito com a palavra e os seis actos de compromisso, ou por reconhecimento à vida, criou uma prática – deseja ele – seguradora na crença e no cumprimento dela, vida, a uma entidade que ultrapassa a dimensão da sua condição humana e que é acolhedora do poder do espírito para o exército do amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Este dom harmonizador da vida, reconhecido universalmente é aceite como fonte inspiradora para mitigar sofrimento ou abrir fronteiras de entendimento e compreensão que a razão não consegue em pleno realizar.</p>
<p style="text-align: justify;">O culto do Espírito Santo coroa a criança, Imperador do Mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Agostinho da Silva dedica-lhe especial atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Mostra limitações da sociedade, a eliminar:<br />
– O tratamento dado às crianças.<br />
– O carácter económico que permite que todos não tenham que comer.<br />
– A atenção dada ao problema dos criminosos.</p>
<p style="text-align: justify;">…A primeira limitação a eliminar, que nós ainda usamos, provavelmente para atrapalhar o génio criador, é pegar na criança e em lugar de declarar que ela é o Imperador do Mundo, em lugar de ajoelharmos diante da criança e de guiarmos o mundo por ela – como de resto o Evangelho recomendava – que a criança é o modelo do homem – pegamos nela, primeiro a família trata de a domesticar… “dresser”, como se diz para os animais do circo …de maneira que ela desempenhe muito bem o seu papel na sociedade. Ou por outro lado mete-se na escola, que vai dar a continuação, que vai fazer dela um profissional acima de um ser humano, mais importante que um ser humano.</p>
<p style="text-align: justify;">“Mas o povo português acredita que a criança é a criatura perfeita e é na terra que ela ganha aquele barro, aquela lama que cobre o esplendor do céu das ideias e faz cada um de nós pobre seres em que só num ou noutro aparece um relâmpago deste céu das ideias.</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda coisa é que o povo português celebrava a festa do Espírito Santo com um grande banquete gratuito.</p>
<p style="text-align: justify;">…É limitação de carácter económico que não permitia que toda a gente, todos os dias, tivesse os seus banquetes gratuitas e, seria necessária</p>
<p style="text-align: justify;">…qualquer espécie de modificação no mundo para que não se sentisse essas limitações que limitam o génio criador que existe em todos os homens.</p>
<p style="text-align: justify;">A terceira coisa importante é a atenção dada ao problema dos criminosos, porque no dia da festa se soltava e solta-se ainda na Bahia e parece que em Parati no Brasil, um criminoso.</p>
<p style="text-align: justify;">Quer dizer, seja como for, um homem tem de sair da prisão porque se lá está foi errado. Errado, porque provavelmente houve sobre ele a pressão social que o levou a cometer algumas coisa… que não cometeria se não houvesse essas limitações.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, a inclinação criminosa pode ser uma doença e, que portanto, haveria que procurar pelo lado da ciência alguma maneira de curá-lo dessa fatalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Doutrina fortemente revolucionária.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda hoje o é.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1912, K.E. Tsiolkski, astrónomo, fala de tempos que iniciaram um estudo criterioso do céu em astronomia. Mostra-se interessar-se por que os seus trabalhos possam ser úteis para as pessoas e trazer montanhas de pão e energia para todo o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Cientistas e outros detentores ou não de qualquer poder, raramente realizam a partilha nos destinos do homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tem sido suficiente a crença, a intenção pura, arquitecta da regeneração e compreensão da palavra de ordem: amor.</p>
<p style="text-align: justify;">O sacrifício de alguns não é a via.</p>
<p style="text-align: justify;">Da Grécia Antiga, fala o sábio ateniense Sólon<br />
“Olhar sobre ti mesmo”</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, a Psicologia ensina: “Conhece-te a ti mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos liberdade, dizemos, e estaremos livres para ouvir e encantarmo-nos como Íbrico?”: Então a isone aurora desperta os rouxinóis”</p>
<p style="text-align: justify;">Ou ainda como Sálon: “Envelheço aprendendo sempre muitas coisas”.</p>
<p style="text-align: justify;">– E Teremos a coragem de Íbico que revela<br />
“Ó meu coração, eu escondo-me como a galinhola de largas asas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Teremos?</p>
<p style="text-align: justify;">Seremos a galinhola no mato?</p>
<p style="text-align: justify;">A imagem do Espírito Santo é uma pomba que voa. Aprendamos a segui-la.</p>
<h6 style="text-align: justify;">Sintra, 30-05-2010<br />
Texto: Zulmira Oliva<br />
Artigo publicado na “Separata Espírito Santo” na edição de 4 de Junho de 2010</h6>
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		<title>7) O Culto do Espírito Santo nos Açores</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 10:31:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTO DO ESPÍRITO SANTO]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiers Temáticos, Suplementos e Separatas]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Dos vários Cultos ditos “pagãos”, posteriormente agregados ao Cristianismo, o Culto do Espírito Santo, tal como se pratica nos Açores, parece ter conciliado alguns dos modelos de relacionamento com o sagrado, provenientes desse passado longínquo. Estas formas arcaicas, que existiriam também no continente português, terão sofrido aí (da parte da hierarquia da Igreja e devido [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Antonieta-Costa.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2600" title="Antonieta Costa" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Antonieta-Costa-280x300.jpg" alt="" width="280" height="300" /></a>Dos vários Cultos ditos “pagãos”, posteriormente agregados ao Cristianismo, o Culto do Espírito Santo, tal como se pratica nos Açores, parece ter conciliado alguns dos modelos de relacionamento com o sagrado, provenientes desse passado longínquo. Estas formas arcaicas, que existiriam também no continente português, terão sofrido aí (da parte da hierarquia da Igreja e devido à proximidade), uma maior pressão para a normalização, com vista à sua integração no modelo clássico, Católico Romano, acabando na extinção.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, a ligação que nos Açores foi sendo feita à sismicidade e ao vulcanismo, legitimou aos executantes do Culto a liberdade suficiente para evocar e manter as formas mais antigas (“puras”) desse relacionamento. Assim, presentemente é possível detectar nessas práticas, semelhantes às que foram relatadas por folcloristas, antropólogos e outros especialistas (1) , como existindo nas primitivas sociedades agrícolas Europeias, verdadeiros tesouros históricos do comportamento religioso pré-Cristão.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobrepondo-se às aprovadas pela ortodoxia católica romana, destacam-se as seguintes práticas (embora em geral, todo o sentido do ritual seja também diferente):</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1 – A utilização de um vocabulário alimentar no diálogo com o Sagrado</strong><br />
a) A natureza das “ofertas” que são abundantemente distribuídas nos bodos e que se assemelham à obrigatoriedade do “contrato” com os deuses, antigamente traduzido nas “primícias”. No modelo arcaico de relacionamento com o Sagrado, só a oferta dos primeiros frutos e dos melhores animais à Divindade (depois partilhados por todos) poderia garantir protecção para os restantes bens e pessoas</p>
<p style="text-align: justify;">b) Os poderes sobrenaturais do pão. No Culto do Espírito Santo, o pão confeccionado com a finalidade de servir de símbolo do Sagrado, em alguns dos ritos que compõem a Festa de uma semana, é tido ‘oficialmente’ (2) como imbuído de poderes especiais. A ele são atribuídos “milagres” ou acontecimentos inexplicáveis, à luz da ciência. Esta crença tem por base pressupostos que podem ser apreendidos através da análise de estórias sobre “milagres”, contadas a quem as quer ouvir, por qualquer conhecedor (3) . Eis alguns dos pressupostos em que se baseia a crença nas propriedades deste pão especial: – Tem o poder de acalmar tempestades. – A sua durabilidade é infinita. – As sopas do Espírito Santo, feitas com este pão, são sempre mais saborosas do que as feitas fora deste tempo. – Não deve ser dado aos animais, nem deitado fora. – Preserva da fome a casa que guardar durante o ano a “cabeça” da brindeira (4) .</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Açores1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2607" title="Fotos Açores" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Açores1-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></a>c) O “Bezerro do Espírito Santo”, que congrega vários sentidos do Sagrado, sendo que no passado, não só representou o deus, como foi ele próprio endeusado. A figuração da mais alta Divindade através do touro é referida quer por Mannhdart, quer por Frazer, como própria das origens mitológicas Europeias, com a encarnação do ‘Espírito da Vegetação’ (5) no touro e sua representação em rituais ditos “pagãos”.</p>
<p style="text-align: justify;">d) O Vinho<br />
A oferta de vinho (usualmente, “vinho de cheiro”), durante as celebrações, causa sempre alguma retracção aos desconhecedores da tradição. Aparentemente, os participantes dos rituais do Espírito Santo reportam-se à tradição Grega mais recuada, que se situa no século VII a.C. e mesmo antes. Nessa altura, e seguindo a mitologia Grega, Dionísio (o Baco Romano), deus do vinho, era também cultuado como deus da vegetação, das árvores e frutos, acreditando-se que morria em cada Inverno, ressuscitando na Primavera (6) .<br />
Pela semelhança simbólica entre estas celebrações e as de Demeter, a deusa das cearas, os dois cultos acabaram por unir-se, nas grandes cerimónias Gregas designadas como “Mistérios Eleusianos”. Dionísio era celebrado ao quinto dia das cerimónias, através da distribuição, pelos participantes, de uma bebida (KyKeon) que os transportava a um estado de desprendimento da terra, facilitando o contacto com os deuses.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2 – A igualdade social e o papel da mulher</strong><br />
Uma total igualdade é estabelecida (estatutariamente) no acesso à realização dos rituais, permitindo a qualquer membro da Irmandade não só executá-lo como melhorá-lo, naquilo que estiver ao seu alcance (7) . Por outro lado, a mulher desempenha qualquer dos papéis do Culto. Esta atitude, que difere da ortodoxia católica romana, parece inspirada nas religiões arcaicas europeias, nas quais a figura central do panteão era feminina. A “deusa mãe” deixou inúmeras marcas arqueológicas, não só em figurinhas esculpidas, mas também nos padrões de estrutura familiar, evidenciados pela distribuição da geografia necrológica (8) .</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Açores2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2608" title="Foto dos Açores 2" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/Açores2-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" /></a>3 – A natureza do Templo</strong><br />
Os Templos do Espírito Santo, pequenas construções, na sua maioria de forma cúbica, os “Impérios”, como são conhecidos em algumas ilhas, caracterizam-se por manterem o sentido inicial dos templos Gregos. Não são utilizados para a realização do Culto e preces à Divindade, como é comum na Cristandade, mas, tal como nos templos Gregos, servem apenas como morada (temporal) da Divindade e marco da suaexistência material. Distinguindo-se na paisagem Açoriana, numa profusão de cores e decorações próprias, são mais um elemento de perplexidade pela sua diminuta dimensão, incompatível com a possibilidade de albergar as multidões de praticantes do Culto.</p>
<h1><strong>Conclusão</strong></h1>
<p style="text-align: justify;">A aplicação de um exercício de história comparativa das religiões na leitura do ritual, no que se refere aos aspectos acima referidos, revela a parte visível de uma mais profunda contradição entre as crenças que fundamentam o Culto do Espírito Santo nos Açores e a restante teologia católica romana, reforçando a tese da sua proveniência ancestral. Mas a reflexão feita à luz destes elementos históricos, pode ir mais longe, ao vislumbrar a existência de uma capacidade e funções heurísticas em todo este conjunto de comportamentos. Só elas podem explicar a perpetuação de tal modelo, pelo facto de o mesmo pôr a descoberto algumas das incongruências que actualmente perturbam valores fundamentais da humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">1 – Por exemplo: <em>Mircea Eliade, Tratado de História das Religiões</em>, Edição Cosmos, 1970/1977<br />
Wilhem Mannhardt, <em>Mythologische Forschungen aus dem Nachlass, Quellen und Forschungen zur Sprach- und Kulturgeschichte der germanischen Völker</em>, Strassburg 1884, vol 51 “Germanische Mythen”, Berlin 1858<br />
James Frazer, <em>The Golden Bough, a study in magic and religion</em>, Library of Congress, Oxford, Great Britain, 1890/1994<br />
2 – No sentido de ser aceite pela generalidade da comunidade<br />
3 – In Antonieta Costa, <em>O Culto do Espírito Santo, no Ciclo das Mitologias Agrárias</em>, Editora Esquilo, Junho de 2008, Lisboa<br />
4 – “brindeira” é uma designação Açoriana utilizada para um determinado tipo de pão.<br />
5 – Frazer, J. G., <em>The Golden Bough, a study in magic and religion</em>, Library of Congress, Oxford, Great Britain, 1890/1994<br />
Mannhardt, Wilhem, Mythologische Forschungen aus dem Nachlass, Quellen und Forschungen zur Sprach- und Kulturgeschichte der germanischen Völker, Strassburg 1884, vol 51 <em>“Germanische Mythen”</em>, Berlin 1858<br />
6 – A sua representação também era feita através do boi/touro/bezerro<br />
7 – Antonieta Costa, <em>O Poder e as Irmandades do Espírito Santo</em>, Edição Rei dos Livros, Lisboa, 1999.<br />
8 – Kurgan Hypothesys, Gimbuta. Análise genética da necrologia tumular.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h6 style="text-align: justify;">Texto e fotos: Antonieta Costa<br />
<em>* Ph.D em Psicologia Social pelo ISCTE</em></h6>
<h6 style="text-align: justify;">Artigo publicado na “Separata Espírito Santo” na edição de 4 de Junho de 2010</h6>
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		<title>8) Programa das Festas em louvor do Divino Espírito Santo do Penedo (Colares) – Sintra</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 10:30:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTO DO ESPÍRITO SANTO]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiers Temáticos, Suplementos e Separatas]]></category>
		<category><![CDATA[Penedo]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Penedo, na encosta da Serra de Sintra, entre Colares e Almoçageme, é a Aldeia do Espírito Santo onde, no Continente, subsistem as tradicionais celebrações do Império Dia 9 de Junho, quarta-feira 19h – Início dos Festejos Abertura do restaurante, bares e Barraca das Iscas 21.30h – Concerto pela Orquestra Ligeira da Sociedade Recreativa e Musical [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/litografia.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-2613" title="Litografia de Filipe Costa" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/06/litografia-1024x356.jpg" alt="" width="1024" height="356" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Penedo, na encosta da Serra de Sintra, entre Colares e Almoçageme, é a Aldeia do Espírito Santo onde, no Continente, subsistem as tradicionais celebrações do Império</strong></p>
<p><strong>Dia 9 de Junho, quarta-feira</strong><br />
19h – Início dos Festejos<br />
Abertura do restaurante, bares e Barraca das Iscas<br />
21.30h – Concerto pela Orquestra Ligeira da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme<br />
23h &#8211; Baile com o Grupo Musical “Renascer”<br />
<strong><br />
Dia 10 de Junho, quinta-feira (Feriado – Dia de Portugal)</strong><br />
12h – Abertura do Restaurante<br />
15h – Actividades infantis “Os Pequenos Imperadores”<br />
16h – Festival de Folclore com:<br />
16h – Rancho de Vale da Pinta – Cartaxo<br />
16h – Rancho das Ceifeiras de Bemposta – Bucelas<br />
16h – Rancho Cultural da Rinchoa &#8211; Sintra<br />
22h – Grande Noite de Baile com o Conjunto “Ténis-Bar”</p>
<p><strong>Dia 11, sexta-feira</strong><br />
12h – Abertura do Restaurante<br />
21.30h – Concerto Performático “Viagens em Tons de Castanho”<br />
22h – Baile com o Conjunto “Ideiafix”<br />
<strong><br />
Dia 12, sábado (Noite de Santo António)</strong><br />
12h – Abertura do Restaurante<br />
17h – Chegada do touro que, à corda, percorrerá as principais ruas da aldeia, desafiando os mais afoitos que o tentam tornear.<br />
No dia seguinte, a sua carne é cozinhada por homens da Aldeia e servida no Bodo numa partilha fraterna com a comunidade<br />
20h – Noite de Santo António (Padroeiro da Igreja do Penedo), com sardinha assada<br />
22h – Baile com o Conjunto Musical “Onda 5”</p>
<p><strong>Dia 13 de Junho, domingo</strong><br />
10h – A Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares, cumprimenta a Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme e, desde as Casas Novas, encaminha-se para o Penedo cumprimentando, no percurso, habitantes e forasteiros<br />
12h – Abertura do Restaurante<br />
14h – A Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares integra o Cortejo que acompanha a criança à sua Coroação, como “Imperador”, na Igreja do Penedo<br />
14.30h – Cerimónia da Coroação, pelo Rev. Prior da Paróquia de Colares, seguida de Missa<br />
17h – Bodo, partilhado com quem nele queira participar e servido por moças da Aldeia<br />
18.30h – Concerto pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares<br />
22h – Baile com o Conjunto “Ténis Bar”<br />
24h – Sorteio de uma Vitela e outros Prémios, pela numeração das Rifas<br />
2h – Encerramento das Festas em Louvor do Divino Espírito Santo<br />
(Programa sujeito a alterações)</p>
<p>– Este Programa poderá ser alterado por qualquer motivo imprevisto<br />
<strong>Todos os dias:</strong><br />
– Bailes, Espectáculos, Bares, Restaurante, Barraca das Iscas, Quermesse e Tômbola<br />
– Parqueamento grátis em locais próprios<br />
– O produto líquido das Festas reverte a favor da Igreja de Santo António do Penedo e da Tuna Euterpe União Penedense<br />
– A Comissão de Festas não se responsabiliza por qualquer acidente que ocorra durante os festejos</p>
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