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	<title>Jornal de Sintra &#187; História</title>
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	<description>Semanário Regionalista Independente</description>
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		<title>Estátua de D. Fernando II no Ramalhão</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2021 07:40:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redacção</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[História Local – Estátua de D. Fernando II no Ramalhão Proteger e preservar Idalina Grácio de Andrade D. Fernando II Esta estátua foi criada por iniciativa do Jornal de Sintra, com pro­je­cto do escultor e cola­borador deste semanário, Pedro Anjos Teixeira e apoio de José Alfredo da Costa Azevedo, enquanto presi­dente da Co­mis­são Adminis­trativa da Câ­mara [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>História Local – Estátua de D. Fernando II no Ramalhão</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Proteger e preservar</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Idalina Grácio de Andrade</em></p>
<dl class="wp-caption aligncenter" id="attachment_18403" style="width: 160px;">
<dt class="wp-caption-dt"></dt>
<dd class="wp-caption-dd">D. Fernando II</dd>
</dl>
<p><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/11/Fernando.jpg"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-18400" alt="D. Fernando II" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/11/Fernando.jpg" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Esta estátua foi criada por iniciativa do Jornal de Sintra, com pro­je­cto do escultor e cola­borador deste semanário, Pedro Anjos Teixeira e apoio de José Alfredo da Costa Azevedo, enquanto presi­dente da Co­mis­são Adminis­trativa da Câ­mara Municipal de Sintra. A estátua foi, inaugurada em 28 de Junho de 1975.</p>
<p style="text-align: justify;">Na inauguração esti­veram figuras da cul­tura, representantes da Comissão de Moradores do Bairro de Chão de Meninos, e a população local, assim como  re­pre­sentantes dos Bom­­beiros, dos Alia­dos e do 1.º Dezembro</p>
<p style="text-align: justify;">Recordamos esta ini­ciativa e lembramos uma vez mais a figura ímpar de Fer­nando Augusto Fran­cisco António de Saxe-Coburgo-Gotha-Koháry que na estátua está a olhar a sua “Serra de Sintra” que ele ajudou a crescer.</p>
<p style="text-align: justify;">A estátua colocada no Ramalhão – Sin­tra é um símbolo perfeito de D. Fer­nando II, o rei ar­tista, que no seu percurso por Portugal marcou as ciências e a cultura do reino.</p>
<p style="text-align: justify;">Sintra foi o local onde deixou as maiores marcas da sua ampla cultura.</p>
<p style="text-align: justify;">José Alfredo da Costa Azeve­do, no dia da sua inauguração (28 de Junho de 1975, em que participaram figuras sintren­ses da época e a população lo­cal a ele se referiu do modo seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;">(…)</p>
<p style="text-align: justify;">Traçando o perfil humano e artístico e político daquele monarca que, mais do que isso (reinou acidentalmente, durante dois anos – 1852-1855 –, como regente, após a morte de sua mulher, D. Maria II, enquanto o seu filho, D. Pedro V, não atingiu a maiori­dade), foi amador e protector das Artes, que também culti­vou com mérito, rejeitando al­guns tronos estrangeiros que lhe foram oferecidos, entre os quais o da Grécia.</p>
<p style="text-align: justify;">Marido e pai amantíssimo, foi sempre, com sua mulher, ve­ne­rado pelos mais arden­tes adversários do trono, apesar de atravessar uma época conturbada por inces­santes lutas civis, pois os partidos políticos não com­preendiam (a história repe­te-se) os ver­dadeiros prin­cípios liberais e guerreavam-se com cega violência.</p>
<p style="text-align: justify;">São desse período as revol­tas militares que se sucediam ininterruptamente e manti­nham o país em permanente guerra civil. A revolução de Setembro, a Belenzada (1826), a revolta dos marechais (1837), os motins do Arsenal, o governo tirâ­nico e opressor de Costa Cabral, a revolução da Maria da Fonte (1846), a revolta de Saldanha (1851) e a reforma da carta Cons­titu­cional (1852), que resta­bele­ceu, enfim, a concórdia entre os portugueses, foram os fa­ctos mais culminantes dessa época, em que reinou a vir­tuosa e enérgica Rainha D. Maria II, que encontrou sempre, em seu marido, D. Fernando II, o seu maior amparo.</p>
<div id="attachment_18404" class="wp-caption aligncenter" style="width: 160px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/11/Fernando-a-copy.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-18404" alt="O Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sintra, José da Costa Azevedo" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/11/Fernando-a-copy-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">O Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sintra, José da Costa Azevedo</p></div>
<p style="text-align: justify;">José Alfredo focou, também, as circunstâncias em que se encontrava a estátua agora inaugurada, metida num barracão, entre madeiras e ferros, a deteriorar-se, em parte porque não tinha havido acordo quanto ao local onde devia ser implan­tada (que em princípio, acres­centamos nós, tinha sido sempre aquele em que hoje está), e ali se quedava já há alguns anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim que a mandou retirar do armazém onde esta­va, em risco de ser destruída, pois, além do mais, aquela obra fora feita com o dinheiro do povo, através da amorosa devoção do seu autor, seu querido amigo e condiscípulo Pedro Anjos Teixeira, e o dinheiro do povo não pode nem deve ser empregue em coi­sas para destruir, tanto mais que a D. Fernando II Sin­tra muito deve e os liberais também.</p>
<p style="text-align: justify;">A sua tolerância era tal – con­tinuou o orador – que, tendo sido encontradas, na Serra de Sintra, ossadas de cristãos e sarracenos, mas não se poden­do distinguir umas das outras, mandou fazer, junto da chamada mesquita, próximo do Caste­lo dos Mouros, um grande sarcófago, que enci­mou com a cruz dos cristãos e o crescente dos sarracenos, lado a lado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/11/Fernando-b.jpg"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-18405" alt="Inauguração do monumento a D. Fernando II em 28-6-1975 com José Alfredo e António Medina Júnior, entre outros" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/11/Fernando-b.jpg" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Lamentou ainda que alguns levassem o seu demagogismo a insurgir-se contra a co­loca­ção da estátua, pois, segun­do afirmou, fundamen­taram-se em que o Palácio, tão famo­so, e o Parque, tão belo e fron­doso, que D. Fer­nando man­dou  construir sobre o velho Convento dos Frades Jeróni­mos, que adquiriu, a expensas suas, situado num dos pínca­ros da majestosa serra e nas suas encostas – Palácio e Par­que da Pena –, foi para ele e não para o povo. Mas ele, retor­quiu, e ali afirmava, que, se D. Fernando não o tivesse construído, o povo, Sintra e o País hoje não sentiam o grande prazer de o ter. E, nesta batalha em que todos estamos empenhados, é bom não esquecer que o Palácio e o Parque da Pena são dos mais convincentes e famosos cartazes turísticos de Portu­gal, e Portugal precisa de turismo…</p>
<p style="text-align: justify;">(…)</p>
<p style="text-align: justify;">O mestre canteiro Etelvino Veríssimo  executou a estátua, sob a direcção do seu autor, o distinto escultor Pedro Augusto Anjos Teixeira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Publicado no Jornal de Sintra, ed. 4367 de 26 novembro de 2021.</em></strong></p>
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		<title>Estação Romana de Colaride – Junta de Freguesia de Agualva  promove acção de limpeza no dia 21 de Agosto</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2021 09:15:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redacção</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[O Sítio Arqueológico de Colaride, também co­nhecido por Estação Romana de Colaride, é constituído por uma conduta e um conjunto de fossas escavadas na rocha de crono­logia diversa por uma pedreira romana, explorada a céu aberto. Ao longo dos anos este local  tem servido para despejos de entulho e actos de vandalismo devido a não [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/09/240393547_4313228588699051_4844741012036228543_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-18146" alt="240393547_4313228588699051_4844741012036228543_n" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/09/240393547_4313228588699051_4844741012036228543_n-300x300.jpg" width="300" height="300" /></a> <a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/09/240252612_4313227225365854_2074033088460627553_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-18147" alt="240252612_4313227225365854_2074033088460627553_n" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/09/240252612_4313227225365854_2074033088460627553_n-298x300.jpg" width="298" height="300" /></a></p>
<p>O Sítio Arqueológico de Colaride, também co­nhecido por Estação Romana de Colaride, é constituído por uma conduta e um conjunto de fossas escavadas na rocha de crono­logia diversa por uma pedreira romana, explorada a céu aberto.</p>
<p>Ao longo dos anos este local  tem servido para despejos de entulho e actos de vandalismo devido a não se ter acautelado a sua defesa, por quem compete defender e preservar o Património Cultural de Sintra,  facto que este Jornal, associação Olho Vivo e outras entidades, so­bretudo as de defesa do património do concelho se têm manifestado.</p>
<p>Atenta a esta realidade a união das freguesias de Agualva-Mira Sintra, presidida por Carlos Casimiro, levou a cabo uma campanha de limpeza do local no dia 21 de agosto, com assinalável sucesso.</p>
<p>Sobre a importância da Estação Romana de Colaride diz a Câmara Municipal de Sintra, na sua página www.sintraromantica.net/pt/visitar/rota-do-patrimonio-historico-cultural/106-agualva-cacem/750-sitio-arqueologico-de-colaride   que a seguir se transcreve.</p>
<p align="right"><i>Idalina Grácio</i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Sítio Arqueológico de Colaride</b></p>
<p><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/09/colaride_500x375.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-18145" alt="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/09/colaride_500x375-300x225.jpg" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Abrangendo uma ampla extensão, ocupa uma plataforma localizada numa elevação sobranceira à Ribeira dos Ossos, onde se conserva um vasto e significativo conjunto de vestígios soterrados que testemunham uma longa ocupação humana, nomeadamente durante o Paleolítico, a Idade do Bronze, a Época Romana e o período Visigótico.</p>
<p>Ainda nos finais do século XIX descobriram-se, no Casal de Rocanes, oficinas de talhe de sílex do período Paleolítico, bem como, na área da gruta de Colaride, vestígios de uma necrópole romana.</p>
<p>Já em inícios do século XX foi aqui efetuada a recolha de alguns significativos objetos, designadamente um raro molde de foice atribuído ao final da Idade do Bronze.</p>
<p>Na década de 1970 foram identificados materiais romanos à superfície, como tijolos, telhas (tegulae e imbrices), pesos de tear, fragmentos de ânforas e de recipientes cerâmicos de cozinha e de armazenamento, bem como de cerâmicas de mesa (terra sigillata). Provou-se assim a existência de uma área habitacional romana, articulada com a necrópole da mesma época já antes registada.</p>
<p>Em finais de 1990 e durante uma escavação de emergência foram postos pela primeira vez a descoberto importantes estruturas associadas a uma pedreira de época romana. Esta possui ainda, in situ, alguns blocos já preparados para extração mas que, por qualquer motivo, não chegaram a ser arrancados, o que nos elucida claramente sobre as técnicas então empregues neste tipo de trabalhos. O telheiro adjacente, da mesma época, decerto integrava uma estrutura maior de cariz oficinal relacionada com o trabalho da pedra.</p>
<p>A pedreira de Colaride constitui uma descoberta importante e rara no panorama nacional. É, atualmente, a única pedreira romana identificada e ainda conservada em Portugal.</p>
<p>Os materiais arqueológicos exumados conservam-se no Museu Nacional de Arqueologia, no Museu do Instituto Geológico e Mineiro e no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.</p>
<p>Encontra-se classificado como Sítio de Interesse Público. Dispõe de Zona Especial de Proteção e área non aedificandi (Portaria nº 187/2013 de 9 de abril).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>fonte: http://www.sintraromantica.net/pt/visitar/rota-do-patrimonio-historico-cultural/106-agualva-cacem/750-sitio-arqueologico-de-colaride</em></p>
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		<title>Dinossauros – Vitória na “Batalha de Carenque”</title>
		<link>https://www.jornaldesintra.com/2021/07/dinossauros-vitoria-na-batalha-de-carenque/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2021 08:32:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redacção</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[  O professor Catedrático Jubilado da Universidade de Lisboa e director emérito do Museu Nacional da História Natural, Galopim de Carvalho desde 1986 que, em conjunto com jovens cientistas e outros tem lutado arduamente pela salvaguarda das pegadas dos dinossauros descobertas em Carenque. Foi necessário recorrer às vias judiciais no Tribunal de Sintra para ver [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><i> </i></p>
<p>O professor Catedrático Jubilado da Universidade de Lisboa e director emérito do Museu Nacional da História Natural, Galopim de Carvalho desde 1986 que, em conjunto com jovens cientistas e outros tem lutado arduamente pela salvaguarda das pegadas dos dinossauros descobertas em Carenque.</p>
<p>Foi necessário recorrer às vias judiciais no Tribunal de Sintra para ver cumprido o seu sonho.</p>
<p><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/07/1992.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17939" alt="1992" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2021/07/1992.jpg" width="274" height="184" /></a></p>
<p><strong>Juntamos o historial desta luta pela salvaguarda da jazida com pegadas de dinossáurio de Pego Longo (Carenque).</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A história da que ficou conhecida por “Batalha de Carenque” remonta a 1986, quando dois finalistas da Licenciatura em Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa, Carlos Coke e Paulo Branquinho, meus ex-alunos, descobriram um vasto conjunto de pegadas de dinossáurios no fundo de uma pedreira abandonada e, na altura, a ser usada como vazadouro de entulhos e lixeira clandestina, em Pego Longo (concelho de Sintra) na vizinhança imediata de Carenque (Concelho da Amadora). A jazida corresponde a uma superfície rochosa com cerca de duas centenas de pegadas, de onde sobressai, pela sua excepcional importância, um trilho com 132 metros de comprimento, no troço visível, formado por marcas subcirculares, com 50 a 60cm de diâmetro, atribuídas a um dinossáurio bípede. Além deste, considerado, na altura, o mais longo trilho contínuo da Europa, identificaram-se, na mesma superfície, pegadas tridáctilas, atribuíveis a carnívoros (terópodes), parte delas igualmente organizadas em trilhos. O chão que suporta estas pegadas corresponde ao topo de uma delgada camada de calcário, com 10 a 15cm de espessura, de cor beije, levemente basculada para Sul. Muito fracturada (à escala centimétrica), esta camada assenta sobre uma outra, bem mais espessa, de natureza argilosa, condições que dão grande fragilidade a esta jazida.</p>
<p>Nesta data, dava eu os primeiros passos no Museu cuja direcção, sem que eu a pedisse, me foi atribuída por inerência das funções que exercia no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa. Nessa altura o Museu era uma espécie de fantasma do incêndio que o consumira oito anos antes. Desconfortados e esquecidos, nos grandes espaços que nos restaram, e com pouco mais que fazer para além de tentar recuperar milhares de exemplares de minerais, rochas e fósseis, meio queimados, quase irreconhecíveis sob uma película de fuligem negra e gordurosa e com etiquetas meio apagadas pela muita água usada no combate ao fogo. Neste quadro, a aguardar a prometida reinstalação (nunca, até hoje, concretizada) e na impossibilidade de levar a efeito quaisquer acções próprias de uma instituição como esta, era grande a minha disponibilidade para me envolver, em nome do Museu e pessoalmente, como cidadão, na defesa desta importante jazida.</p>
<p>Condenada a desaparecer, soterrada por terras limpas vindas de desaterros vários e, ainda, por entulhos e lixos, esta jazida foi alvo de uma primeira acção, visando a sua defesa, por parte dos então Serviços Geológicos de Portugal, por iniciativa do Director dos Serviços de Cartografia, Prof. Miguel Magalhães Ramalho, meu colega no Departamento de Geologia, como professor catedrático convidado. No ofício que, em 05/07/90, endereçou ao então presidente da Câmara Municipal de Sintra, Dr. Rui Silva, meu ex-aluno, licenciado em Geologia, solicitava a cessação daquela actividade e lançava a ideia de converter o sítio num espaço cultural dedicado aos dinossáurios e à história geológica da região. Coadjuvando esta tomada de posição, propus à mesma Câmara, em 17.07.90, a protecção do sítio, o que aconteceu quase um ano depois por deliberação da Assembleia Municipal, em sessão extraordinária de 24-05.91, na qual a jazida foi classificada, por unanimidade, como “Imóvel de Interesse Local”. Esta classificação, porém, não impedia que os trilhos continuassem a ser entulhados e alvo de toda a espécie de depredações.</p>
<p>Na sequência desta decisão preparei um projecto de protocolo a estabelecer com a edilidade, visando a que este património natural, devidamente delimitado e resguardado, viesse a integrar, como geomonumento, um museu e centro de interpretação local, considerado como uma extensão científica e pedagógica do Museu Nacional de História Natural no concelho de Sintra.</p>
<p>Para além das consequências inevitáveis de degradação decorrentes do uso deste enorme buraco como vazadouro, fui alertado, em Maio de 1992, pelo Engº. Teles Fortes, director do Serviço de Projectos da Brisa Auto-Estradas de Portugal, S.A., para o facto de o traçado da então projectada Circular Regional Exterior de Lisboa (CREL) vir a intersectar a maior parte do trilho principal, precisamente no seu troço mais interessante. Louvavelmente, esta empresa apercebeu-se do valor patrimonial em causa, mantendo -se em consonância com o Museu na procura de soluções que corrigissem uma tal situação, não desejável. Esse atentado contra um património paleontológico desta importância, constava de um projecto da então Junta Autónoma de Estradas, que a Brisa recebeu como obra consumada, a que foi alheia. Entre as propostas avançadas (moldagem do conjunto dos trilhos, remoção da camada para outro local e abertura de dois túneis sob a jazida), a abertura dos túneis de Carenque foi, finalmente, a solução aceite pelo governo de então, presidido pelo Prof. Cavaco Silva, representando para as finanças públicas um esforço acrescido, na ordem de um milhão e seiscentos mil contos, merecedor de aplauso. Esta decisão, que veio ao encontro do nosso desejo, não foi fácil de obter, tendo contribuído significativamente para ela a conjugação de vários níveis de realizações simultâneas. Com efeito, desenvolveu-se no Museu um intenso trabalho de investigação científica, coadjuvado pelos melhores especialistas existentes a nível internacional, o que foi regular, insistente e amplamente publicitado em múltiplas acções de divulgação, tais como exposições, palestras públicas e nas escolas por todo o país, debates, etc., numa ligação aos <i>media </i>pouco usual entre nós. A salvaguarda deste importante geomonumento constituiu uma vitória para os portugueses e, em particular, para as crianças das nossas escolas e para os seus professores, que acompanharam, participada e envolvidamente, esta longa batalha. Começou aqui o meu envolvimento nesta e nas muitas outras causas em defesa do património geológico, que se seguiram, nas quais foi determinante o apoio, nunca negado, dos jornais, da rádio e da televisão. Começou aqui, igualmente, a ganhar visibilidade a figura pública em que, involuntariamente, me tornei, associada aos espectaculares bichos pré-históricos.</p>
<p>Uma primeira fase deste processo (que ainda não terminou) saldou-se pela abertura dos referidos túneis e, assim, a jazida ficou a salvo do bulldozer. Os seus meandros e o desenvolvimento que teve entre 1990 e 1993, deram-lhe carácter nacional, tiveram repercussões na comunidade científica internacional e fizeram história que entendi registar em livro, “Dinossáurios e a Batalha de Carenque” (291 pp.), dado a público, em 1994, pela Editorial Notícias, com uma única edição, hoje esgotada. Foi uma luta entre os cifrões e a cultura, em que esta saiu vitoriosa, mas que ainda tem pela frente uma outra que é imperioso e urgente ganhar.</p>
<p>Aproveitando a feliz oportunidade da realização do “1º Simpósio Internacional e Primeiro Congresso Mundial sobre Preservação e Conservação de Colecções de História Natural”, em Madrid (10-15 de Maio de 1992), enderecei uma carta ao presidente do respectivo <i>comité </i>organizador, pondo-o ao corrente da dramática situação que se estava a viver relativamente à jazida, com vista à obtenção do seu apoio na luta que travava. Neste sentido, apresentei ali uma comunicação “<i>The second «extintion» of the</i> <i>dinosaurs</i>?”, perante uma assembleia de cerca de 400 delegados de 150 museus de todo o mundo. Na sequência desta intervenção, que despertou solidariedade unânime, foi redigida uma proposta de resolução a ser apresentada ao plenário no final do Simpósio. Aprovado por unanimidade, o respectivo texto foi enviado, como recomendação, ao Governo português e à Unesco.</p>
<p>Desejando concretizar o seu apoio a esta causa, o então Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Prof. Fernandes Thomaz, necessitava da opinião de um especialista de reconhecida competência a nível internacional. Assim, a meu pedido, convidou a vir a Portugal, para o efeito, o Prof. Martin Lockley, da Universidade do Colorado, em Denver, suportando os respectivos custos.</p>
<p>Após uma primeira visita ao local, este paleontólogo e eu fomos recebidos pelo dito membro do governo. Depois das habituais palavras de circunstância, o Prof, Thomaz perguntou-lhe, no melhor inglês que pôde, «<i>They are, really dinosaur footprints</i>?».</p>
<p>Confesso que não apreciei esta atitude do meu colega da Universidade de Aveiro, temporariamente investido nas funções de governante. Esta pergunta feita, assim, abertamente, “nas minhas barbas”, passava um certificado de menoridade científica não só a mim como a todos os colegas nacionais envolvidos neste processo. Mas ele não se deu conta disso e eu havia feito orelhas moucas. De qualquer maneira, ficou-se a dever a este ilustre Secretário de Estado todo o apoio que deu a esta causa. Para o efeito, nomeou uma Comissão (despacho de 22 de Setembro de 1992) composta por mim, em sua representação, como coordenador, pelo Engº. Armando Teles Fortes, em representação da Brisa, e pelo Prof. Martin Lockley. Esta comissão concluiu o parecer solicitado, tendo-o entregue no prazo pedido. Este documento, envolvendo os aspectos puramente paleontológicos, os do seu aproveitamento centífico-cultural e os inerentes ao traçado da CREL, preconizou a solução que fez vencimento, isto é, a abertura de dois túneis sob a jazida.</p>
<p>No âmbito de uma das suas presidências abertas, o Dr. Mário Soares incluiu a jazida de Pego Longo como um dos locais a visitar, e fê-lo, num ambiente de grande expectativa, largamente publicitado pelos <i>media</i>. Um batalhão de jornalistas, deputados, governantes, autarcas locais, estudantes, elementos da comunidade geológica e muito povo acompanhavam, no dia 10 de Fevereiro de 1993, o Presidente da República. Chovia copiosamente quando, após o almoço na Amadora e um sensível atraso no programa, chegamos à pedreira. Professores das escolas locais, dirigentes do “Olho Vivo” e nós, pelo Museu, tínhamos preparado uma admirável surpresa que a chuva não impediu nem desfeiteou. A imponente laje do fundo da pedreira, varrida de lixos e entulhos, estava pejada com centenas de crianças das escolas da região acompanhadas pelos respectivos professores e professoras, formando, de mãos dadas, um cordão humano em defesa das pegadas.</p>
<p>Molhado e enlameado, o Dr. Mário Soares percorreu as dezenas de metros, que só a pé se podiam fazer, até ao topo da escarpa deixada pela frente de exploração da antiga pedreira, de onde se lhe deparou toda aquela manifestação de ensurdecedora alegria. Foi o delírio quando ele surgiu à beira do enorme fundão e abriu os braços para aquela multidão juvenil aos pulos e aos gritos. Dois dias depois, Fernanda Ribeiro escrevia no “Público”: <i>Aos berros, os miúdos desafiavam o Presidente da República a ir lá abaixo, à laje, dizendo: &#8211; Soares vem cá abaixo – Do alto e visivelmente bem disposto, o Presidente berrava também: &#8211; Cá acima, cá acima, cá acima, &#8211; o que soava como um palavra de ordem”</i>.</p>
<p>Ao nosso lado, o Prof. Magalhães Ramalho, dos Serviços Geológicos de Portugal, o Prof. Martin Lockley, pela segunda vez entre nós, a dirigente da Associação Juvenil Olho Vivo, Flora Silva, e os deputados António Filipe, do PCP, e Mário Tomé, da UDP, estavam ali para manifestar o seu apoio à defesa deste património. O espectáculo era grandioso e comovente.</p>
<p>Desejando manifestar o seu apoio a esta causa, o Dr. Mário Soares convidara-me a acompanhá-lo no carro da presidência. Entrar naquele topo-de-gama (forrado a cabedal preto e alcatifado na mesma cor) com os sapatos cobertos de lama plástica, do tipo massa de lubrificação, foi uma situação algo embaraçosa que só o não foi mais porque os pés do presidente também tinham barro até aos artelhos<a title="" href="file:///C:/Users/Paula/Desktop/Gravar%2023-7-2021/Dinosauros/BATALHA%20DE%20CARENQUE%20%20RESUMO.docx#_ftn1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a>.</p>
<p>No dia seguinte, o “Comércio do Porto” escrevia: <i>Mário Soares disse</i><i> ontem que tem de salvar as pegadas de dinossáurios que existem em Carenque, porque é possível construir estradas, mas pegadas não</i>. Um dia depois (12.02.93), Fernanda Ribeiro escrevia no “Público”<i>:</i> <i>O Presidente da República respondeu ontem ao desafio lançado pelo Ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, quanto à hipótese de salvar as pegadas de dinossáurios em Carenque, contribuindo com 400$00 para uma subscrição pública ontem aberta na tentativa de salvar aquele património mundial</i>. Esta quantia era a que o Engº. Ferreira do Amaral dizia custar, a cada um dos portugueses, a construção dos túneis da CREL sob a jazida. E a jornalista continuava: <i>Foi ainda na Amadora, antes de visitar o local da jazida, que Mário Soares, ostentando um minidinossáurio na lapela, entregou a Galopim de Carvalho, director do Museu Nacional de História Natural 800$00 (por ele por Maria Barroso)</i>. No final e ainda segundo Fernanda Ribeiro, o Presidente afirmou: <i>Vamos salvar isto porque não podemos fazer outras iguais. Elas estão aqui há milhões de anos, ao passo que estradas, essas, podemos nós fazer”</i>.</p>
<p>Aproveitando a grandiosa exposição de dinossáurios robotizados “<i>Dinossáurios regressam em Lisboa</i>” (Dezembro de 1992 – Fevereiro de 1993), no Museu Nacional de História Natural, procedeu-se à recolha de assinaturas para uma petição a apresentar a Assembleia da República visando a salvaguarda da jazida. Em documento que foi subscrito por 24 000 cidadãos, entreguei-o, pessoalmente, em nome do Museu, ao Prof. Barbosa de Melo, tendo sido admitido com o nº 196/VI/2ª.</p>
<p>O dia 11 de Fevereiro de 1993 foi marcado por um importante acontecimento com reflexos altamente decisivos no processo. A Assembleia da República, na sequência de uma iniciativa do PSD, pela voz do deputado açoriano, Mário Maciel, tomava posição unânime na defesa da Jazida de Pego Longo (Carenque). A intervenção deste parlamentar denunciava a intenção do Governo, do seu próprio partido, de construir uma estrada que apagaria este património, apelando ao governo para que o traçado dessa estrada não destruísse essas pegadas. Esta intervenção teve o aplauso de todas as bancadas e o presidente da Assembleia da República, Prof. Barbosa de Melo, interpretando os aplausos com uma aprovação unânime, declarou que iria enviar a intervenção daquele deputado aos Ministros das Obras Públicas e do Ambiente. A acta desta sessão foi-me enviada, pessoalmente, acompanhada de uma carta manuscrita pelo próprio Presidente, congratulando-se com a unanimidade conseguida.</p>
<p>No dia 14 do mesmo mês, Alberto Costa Alves, no Diário de Notícias, entre outras considerações escrevia: <i>Façam favor, senhores Ministros, de perguntar a milhares de crianças o que vêem de maravilhoso nesses terríveis lagartos gigantes que foram testemunhas e vítimas de um episódio extremamente convulsivo da vida do planeta e do seu sistema climático. Vão ao Museu</i> [Nacional]<i> de História Natural e percebam o que lá se faz sem a vossa consideração e sem um pingo de suor vindo do vosso esforço. Já agora, percebam quão longe estão dos vossos parceiros europeus</i>. E, mais adiante, <i>se o vosso reino é exclusivamente habitado por cifrões, pensem nos lucros que nos estarão reservados se presentearem o futuro com um pólo de grande valor científico, pedagógico e turístico.</i></p>
<p>No dia seguinte, o Secretário de Estado, Engº. Álvaro Magalhães, assinava, dirigido à BRISA e com conhecimento ao Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia e à Junta Autónoma das Estradas, o despacho do qual entre outras deliberações do governo, autorizava esta empresa a<i> promover o lançamento de um concurso público internacional de concepção/construção para a A-9 (CREL) na referida zona, que assegure a preservação do referido trilho de pegadas, na medida do que for tecnicamente possível, quer recorrendo a construção total ou parcial de um túnel sob o referido trilho, quer ainda encontrando soluções alternativas no sentido de minimizar os custos financeiros do empreendimento. </i>A 16 de Julho ficava-se a saber, através do “Público”, que a Brisa adjudicara a construção dos túneis à firma “Bento Pedroso”.</p>
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<p>Dois anos e meio depois, a 9 de Setembro de 1995, o Primeiro-Ministro Cavaco SIlva inaugurava a CREL, tendo tido a atenção de me incluir na comitiva que o acompanhou na travessia dos túneis que tanta tinta tinham feito e ainda fazem correr. Passados mais de doze anos sobre esta data, o trânsito automóvel flui sob um raro e valioso património, lamentavelmente, deixado ao abandono e em degradação.</p>
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<p>Há cerca de 95 milhões de anos, no Cretácico, esta região e, como ela, parte da actual Estremadura, era baixa, ribeirinha, plana e alagadiça, numa transição do meio continental para o marinho. O clima era quente e húmido e a vegetação abundante. O oceano Atlântico não tinha ainda, na sua progressão de abertura para norte, separado suficientemente os continentes norte-americano e euro-asiático, havendo, sim, no que é hoje a orla ocidental de Portugal, uma penetração de mar limitado, a Oeste, por terras actualmente do lado de lá do Atlântico, na Terra Nova e no Labrador e, a Leste, pelo bordo ocidental da Ibéria. É nesta espécie de estreito e extenso golfo que se passa grande parte da história geológica desta orla, de que a serra de Sintra é parte integrante.</p>
<p>Ao deslocarem-se nas margens dos rios, lagos ou lagunas litorais, os animais deixaram impressas as suas pegadas no chão húmido, ou mesmo na vasa do fundo de zonas pantanosas. Esses sedimentos, ao secarem e sempre que o acaso permitiu a sua cobertura por novos depósitos, ficaram protegidos e, com eles, as pegadas. A evolução geológica da região conduziu a que estas ficassem sob grande espessura de sedimentos marinhos, testemunhos da invasão pelo mar durante mais alguns milhões de anos, sedimentos que se transformaram em calcário ao longo do tempo, através de processos lentos e complexos que nos permitem reconstituir essa evolução. As pegadas de Carenque foram deixados sobre terrenos planos, horizontais e sub-horizontais e, se hoje as encontramos numa superfície inclinada é, tão-só e apenas, porque esses terrenos foram deslocados da sua posição inicial, aquando da elevação do maciço de Sintra. Estas marcas, postas a descoberto pelo trabalho de lavra da pedreira, têm o valor de fósseis com o maior interesse na pesquisa da referida história geológica, informando-nos ainda sobre o paleoambiente preferido pelos animais que as deixaram. É esta a história do nosso velho passado que se pode ler e contar na importante jazida de Pego Longo. Foi este capítulo da caminhada do “planeta azul” que esteve prestes a perder-se em nome do “progresso” e que, os <i>media</i>, a opinião pública e o bom senso acabaram por salvar.</p>
<p>Como medida de precaução tomada no início das obras de abertura dos túneis e por aconselhamento do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o Museu procedeu à cobertura das pegadas com geotextil, sobre o qual se depositou uma espessa capa de inertes. Antes, porém, foi feito um molde contínuo do trilho principal, em latex. Assim, as pegadas permanecerão protegidas até à musealização do sítio que, mais cedo ou mais tarde, terá de acontecer.</p>
<p>Já o trânsito corria, havia dois anos, sob os túneis de Carenque, quando foi publicado o Dec. 19/97, de 5 de Maio, que classificou esta jazida como Monumento Natural. O pedido de classificação, dirigido ao Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza (depois ICN) pela Câmara Municipal de Sintra e pelo nosso Museu, fora apresentado mais de quatro anos antes. Quatro anos de desinteresses ou de outras razões desconhecidas, difíceis de explicar. Solicitada como medida de salvaguarda que impedisse a destruição das pegadas, o diploma legal que as protegeria chegou, assim, com quatro anos de atraso. É lícito conjecturar que este Serviço tivesse instruções para ir retendo o processo. Esta classificação acabou por ser uma diligência desnecessária, uma vez que o processo ganhou dimensão nacional, com repercussão internacional, e a opinião pública teve influência decisiva na louvável decisão do governo. Desnecessária e, do meu ponto de vista, inconveniente, porque uma vez classificada esta ocorrência, nada ali se pode fazer sem a obrigatória “luz verde” do ICN, instituição que, praticamente, ao longo dos anos, nunca mostrou qualquer vocação para a geodiversidade, em geral, e para a geoconservação, em particular. Foi o que aconteceu, mais tarde, com o projecto do Museu e Centro de Interpretação de Pego Longo (Carenque). Concluído este pelo Arqtº. Mário Moutinho, do quadro do nosso Museu, foi, como era devido, submetido à apreciação do ICN. Achou este Instituto que o nosso projecto tinha volumetria a mais. Exigiu, assim, que fosse eliminado o que havíamos proposto em moldes de observatório astronómico a céu aberto, um terraço sem equipamentos e apenas com a marcação de pontos e direcções fundamentais em orientação geográfica e astronómica (na concepção do professor Márcio Campos, da Universidade de Campinas, Brasil). O argumento usado pelos técnicos do ICN para esta sua decisão &#8211; que teve como consequência atrasar o processo e, por isso, inviabilizar a sua boa resolução, então em promissora perspectiva &#8211; foi o de que <i>a nebulosidade regional não permitia ver as estrelas.</i> Não desejando atrasá-lo mais, procedemos às alterações exigidas, não obstante as considerarmos uma pura manifestação de autoridade, desnecessária e falha de sensibilidade pedagógica, dimanada de uma instituição que nada fez, até hoje, pela manutenção deste geomonumento que classificou e, por isso mesmo, deveria proteger. Feita esta alteração, o projecto foi finalmente aprovado pela Câmara Municipal de Sintra, com mais de quatro anos de atraso, em 2001. Presidia à autarquia a Dr.ª Edite Estrela. Nesta fase, o vereador Dr. Herculano Pombo estava a ajudar-nos na via de obtenção do financiamento necessário à construção do referido Museu e Centro de Interpretação, mas essa ajuda perdeu-se na mudança de vereação que se seguiu. De então para cá nada mais foi feito e já passaram sete anos…Como resposta às várias insistências que tenho desenvolvido junto da actual presidência desta Câmara, no sentido da concretização deste projecto, tenho recebido bom trato, promessas e a muita simpatia do Prof. Fernando Seara, o que nada adianta na resolução deste problema.</p>
<p>O projecto do Museu e Centro de Interpretação de Pego Longo inclui o <i>“pegarium”</i>, o edifício principal, o poço, o jardim de minerais e rochas e o jardim do Cretácico. O <i>“pegarium”</i> é uma estrutura leve, transparente, de metal e vidro, cobrindo as pegadas a fim de as resguardar das intempéries. O edifício principal dispõe de um auditório, de salas de exposições temporárias e de outras dependências adequadas a este tipo de equipamentos (armazém, cafetaria, loja, lavabos, etc.). O poço, escavado na rocha, sob o edifício principal, é uma escadaria em espiral que permitirá a observação directa dos aspectos litológicos, paleontológicos e estruturais do substrato local. Ao descê-lo, o visitante vai observando camadas sedimentares sucessivamente mais antigas, ou seja, vai recuando no tempo até ao dos dinossáurios que aqui viveram. O jardim dos minerais e rochas é um espaço ao ar livre destinado a mostrar as rochas e os minerais da região, com relevo especial dado à Serra de Sintra, e explicar a evolução geológica desta parcela do território. Por último, o jardim do Cretácico constituirá um mostruário das espécies botânicas vindas desse tempo, complementado com réplicas de dinossáurios e de outros animais seus contemporâneos.</p>
<p>A construção do Museu e Centro de Interpretação de Pego Longo continua à espera, passados sete anos sobre a aprovação do respectivo projecto de arquitectura. Entretanto, a jazida degrada-se, sob o geotextil, por infiltração das águas pluviais, e sob a vigência de uma administração cega, surda e muda, indiferente à verba já ali investida. Este projecto, que envolve custos tidos por vultuosos, representa muito pouco face à cifra gasta com a abertura dos túneis, além de que pode, perfeitamente, ser faseado no tempo.</p>
<p>E quando, em nome dos euros, se argumenta contra este empreendimento, podemos responder com o enorme potencial desta jazida com pólo de interesse turístico. A topografia do terreno permite uma boa adaptação do local aos fins em vista, dispondo do lado SW de um pequeno relevo (residual da exploração da pedreira) adaptável, por excelência, a miradouro, de onde se pode observar, de um só golpe de vista e no conjunto, toda a camada – uma imensa laje pejada de pegadas – levemente basculada no sentido do local do observador, numa panorâmica de justificada e invulgar grandiosidade. Em acréscimo deste significativo potencial está o facto de a jazida se situar na vizinhança de uma grande metrópole e numa região de intensa procura turística (Sintra, Queluz, Belas) e, ainda, o de ser servida por duas importantes rodovias, a via rápida Lisboa-Sintra (IC-19), por Queluz, e a Circular Regional Externa de Lisboa (CREL-A9) que a torna acessível pelo nó de Belas e, no futuro, mais comodamente, pelo de Colaride.</p>
<p>A jazida de Pego Longo e o futuro Museu e Centro de Interpretação ultrapassarão o contexto local e até o nacional. O seu reconhecimento como valioso e excepcional património geológico e paleontológico, à escala internacional, é hoje um dado adquirido. Assim e tendo em conta a condição privilegiada da região sintrense e a sua recente classificação, pela UNESCO, como Património Mundial, se justifica todo o envolvimento que possa surgir, por parte da Administração Central, nesta realização que transcende não só as fronteiras da autarquia, como também as do País.</p>
<p>É hoje evidente, repetimo-lo, que a jazida de Pego Longo foi salva do bulldozer e do asfalto com o apoio das escolas de todos os graus de ensino, de norte a sul do país, da comunidade científica nacional e internacional e, sobretudo, de toda a comunicação social. Desta convergência resultou uma muralha de opinião pública invulgarmente informada, interessada e interveniente, com uma dimensão, cremos, nunca antes vista e só igualada, uns anos depois, pela arrasadora batalha em defesa do santuário rupestre do vale do rio Côa. É imperioso e urgente dar concretização ao projecto, há sete anos adormecido numa gaveta da Câmara, e a maneira de o conseguir é levantar, de novo, a opinião pública.</p>
<p>Os túneis de Carenque estão já a cumprir a sua função, isto é, responder às exigências do progresso, sem destruir o património. Estão ainda, inclusivamente, a publicitar muito eficazmente a presença deste geomonumento mediante uma excepcionalmente feliz e artística concepção da autoria do Arquitecto João Alves Baptista, da firma “Frederico Valsassina, Arquitectos”. Em boa hora, entendeu a BRISA distinguir esta obra com uma alusão artística à causa que determinou a abertura daqueles túneis, o que mereceu, desde logo, o meu mais vivo aplauso. Foi assim que Alves Baptista concebeu dois dinossáurios gigantes enfrentando o trânsito que os atravessa, numa estilização formal, de grande rapidez de leitura, sugerindo o atravessamento dos seus corpos pelo recurso a referências anatómicas colocadas nas entradas e saídas de cada túnel. O efeito conseguido não podia ser melhor. Só lhes falta iluminação adequada que lhes permita manter e até realçar a mesma função durante a noite.</p>
<p>Todos sabemos que os dinossáurios constituem um tema de enorme atracção entre o público e que qualquer iniciativa neste domínio da paleontologia vende bem. A exposição dos dinossáurios robotizados, levada a efeito pelo Museu Nacional de História Natural, assim o demonstra. Nesta realidade, a Jazida de Pego Longo, convenientemente adaptada a uma oferta de turismo da natureza, de grande qualidade e suficientemente bem equipada e promovida, garante total rentabilidade a todo o investimento que ali se queira fazer. Pela minha parte, continuo a oferecer, graciosamente, o meu trabalho na concretização deste projecto.</p>
<p>Uma consequência desta batalha foi a publicação do decreto-lei 19/93, de 23 de Janeiro, que criou a figura de Monumento Natural, ao tempo do ministro do Ambiente Carlos Borrego.</p>
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<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/Paula/Desktop/Gravar%2023-7-2021/Dinosauros/BATALHA%20DE%20CARENQUE%20%20RESUMO.docx#_ftnref1">[1]</a> &#8211; Este episódio relatei-o com mais pormenor no texto que intitulei de “A escola que tem o meu nome”.</p>
</div>
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]]></content:encoded>
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		<title>”A Ser Lido” por Miguel Boim</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2020 11:59:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redacção</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[”A Ser Lido” por Miguel Boim &#160; Já tinha escrito o artigo do Jornal de Sintra para o mês de Maio – a segunda parte de Livros Lendários &#8211; quando, por mero acaso, me dei conta de que este ia ser o meu 50.º artigo nesta secção. Quando fui convidado, senti-me obviamente honrado, pois além [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>”<i>A Ser Lido</i>”</p>
<p>por Miguel Boim</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já tinha escrito o artigo do Jornal de Sintra para o mês de Maio – a segunda parte de <i>Livros Lendários</i> &#8211; quando, por mero acaso, me dei conta de que este ia ser o meu 50.º artigo nesta secção. Quando fui convidado, senti-me obviamente honrado, pois além da já longa história do Jornal de Sintra, para ele escreveram figuras da nossa História como Agostinho da Silva ou José Pedro Machado. Do grande José Pedro Machado encontrei há dias uma anotação que fiz há muitos anos atrás, em que José Pedro Machado se voltou para um aluno seu e perguntou:</p>
<p>- Qual é a tua profissão?</p>
<p>- Quê?</p>
<p>- Sim, o que tu fazes?</p>
<p>- Ajudo o meu pai, ando com ele.</p>
<p>- E que faz o teu pai?</p>
<p>- Nada&#8230;</p>
<p>Muito mais facilmente nos ficam na memória curiosidades flexíveis de serem a outros contadas, do que factos formais e ásperos. Não quero com isto dizer que uns devam existir e outros não, trata-se apenas da constatação de um facto.</p>
<div id="attachment_16693" class="wp-caption aligncenter" style="width: 253px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/1..jpg"><img class="size-medium wp-image-16693" alt="1.Ao fundo entre os pinheiros mansos, o Penedo dos Ovos encimado por uma cruz (em Penha Longa). Fragmento de gravura de William Burnett, década de 1830." src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/1.-243x300.jpg" width="243" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Ao fundo entre os pinheiros mansos, o Penedo dos Ovos encimado por uma cruz (em Penha Longa). Fragmento de gravura de William Burnett, década de 1830.</p></div>
<p>Neste 50.º artigo sinto que deverei falar sobre o que aqui tem sido escrito, quando em relação com o título desta secção: <i>Lendas e Factos Lendários de Sintra</i>.</p>
<p>Em Portugal as pessoas estão habituadas a que as lendas sejam histórias surgidas entre o povo – e antes também, entre as quatro paredes aquecidas por uma lareira (isto é: num ambiente de aconchego perante as intempéries) –, uns dizendo que as lendas têm sempre um fundo de verdade, outros dizendo que as lendas são produções fictícias. As lendas são ambas essas as coisas e muitas outras. Ou seja, as lendas surgem com o seu próprio poder e liberdade, pouco nós podendo fazer para as controlar.</p>
<div id="attachment_16694" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/2.jpg"><img class="size-medium wp-image-16694" alt="2.O Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros, debaixo de uma lua cheia. Fragmento de gravura de Colebrooke Stockdale, década de 1870." src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/2-300x162.jpg" width="300" height="162" /></a><p class="wp-caption-text">O Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros, debaixo de uma lua cheia. Fragmento de gravura de Colebrooke Stockdale, década de 1870.</p></div>
<p>Se olharmos para muitas e diferentes lendas, de diversas regiões, de outros países, e se as analisarmos, podemos perceber várias coisas. A primeira – se olharmos para as lendas dos outros países – é que existe, existiu sempre, um apequenamento do conteúdo das lendas: ou é quase sempre alguém que era “coitadinho” ou estava “deitadinho”, ou era “pequenino”, ou qualquer outra coisa baseada em diminuitivos e que substitui a dignidade que deveria estar presente; quando não é um apequenamento por falta de vocábulos que evoquem dignidade, é um apequenamento por tornar tudo em algo com cariz amoroso ou sexual. O amoroso é totalmente válido se se tiver um conteúdo decente; o sexual já é algo mais íntimo e é sempre aconselhável que quem queira exercer a prática de tais fantasias em palavras recorra ao muito que felizmente hoje existe no mundo, acessível de forma gratuita. Felizmente, com a globalização de informação a que assistimos cada vez mais com a internet, existe a necessidade de categorização e classificação, para que informação indesejada não seja apresentada a públicos que não a querem, ou públicos para quem isso poderá ser inapropriado.</p>
<div id="attachment_16695" class="wp-caption aligncenter" style="width: 263px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/3.jpg"><img class="size-medium wp-image-16695" alt="3.Um dos mais belos pórticos do Paço Real de Sintra. Gravura de Celestine Brélaz, década de 1830." src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/3-253x300.jpg" width="253" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Um dos mais belos pórticos do Paço Real de Sintra. Gravura de Celestine Brélaz, década de 1830.</p></div>
<p>Dentro da análise que mencionei ao olharmos para várias lendas, percebemos também que a lenda tenta sempre evocar algo, alguém, algum acontecimento, para que, devido aos traços curiosos, fascinantes, ideológicos, dessa evocação, a lenda possa continuar a ser recontada. Com os recontares, com os normais lapsos de memória, com o oportunismo de quem pretende aplicar propositadamente uma mentira que se ajuste a uma situação que o favoreça, as lendas nos seus recontares vão sendo adulteradas e mutiladas. Podemos ver isso numa lenda que aqui já mencionei várias vezes, a Lenda das Pegas – “pega” aqui sendo o termo da ave que “fala” muito -, em que deverá ter começado no século XVII com D. João II no Palácio de Sintra e uma dama, e a vemos no século XX com D. João I e várias damas. Uma curiosidade acerca de mutações que vão ocorrendo nos recontares e nos vocábulos: no século XVI percebemos “pega” – no sentido da ave – a ser aplicado a senhoras que falavam muito; no século XVIII já percebemos esse mesmo termo a ser aplicado a senhoras que falavam muito e eram intriguistas; no século XX, bom, aí já sabemos a que corresponde. E é assim que tanto termos como recontares se vão modificando, em alguns momentos ficando com um sentido bastante diferente do sentido inicial.</p>
<div id="attachment_16696" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/4.jpg"><img class="size-medium wp-image-16696" alt="4.Um pôr-do-sol com a silhueta do Paço Real de Sintra na distância. Fragmento de gravura de William Burnett, década de 1830." src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/4-300x295.jpg" width="300" height="295" /></a><p class="wp-caption-text">Um pôr-do-sol com a silhueta do Paço Real de Sintra na distância. Fragmento de gravura de William Burnett, década de 1830.</p></div>
<p>Nos anos de 1400 vemos em português ser utilizado o termo “Leenda”: &#8230;<i>ajumtarom-nas por maneira de leenda em esprito&#8230;</i> Estranho? Já perceberá. A origem desta “Leenda” é precisamente o latim “Legenda”, que significa “a ser lido” – nos tempos de então, a ser lido, mas em voz alta, para os demais – principalmente os que não sabiam ler, que não eram poucos – ficarem a conhecer a informação. Ora “Leenda” é a corrupção do termo “Legenda”. Este último termo era utilizado como título de hagiografias, de biografias de santos, como vemos no título em latim <i>Legenda Sancti Francisci</i> – “Legenda de São Francisco”. Nesta obra ficávamos assim a conhecer a vida e feitos de São Francisco de Assis. As <i>Legendas</i> tinham sempre características em que alguém era evocado através de feitos ou vivências ao alcance só de santos, isto é, coisas que marcavam pela sua curiosidade, pelo seu extraordinário ou excêntrico. É assim fácil perceber como é que os termos “legendário” e “lenda” surgiram associados a recontares não sagrados: pela estranheza dos acontecimentos que reportavam.</p>
<p>E para que não fique ponta solta, &#8230;<i>ajumtarom-nas por maneira de leenda em esprito&#8230;</i>, queria dizer que coligiram uma série de feitos de alguns religiosos e os guardaram em génio na sua memória, como inspiração para as suas vidas ao recordarem-se de tais feitos.</p>
<p>Nos dias de hoje é cada vez mais difícil surgirem lendas por vários motivos: é cada vez mais raro existirem ambientes sossegados e propícios a isso, a informação procurada é desejada na sua forma mais imediata, todos os estímulos procurados são demasiadamente objectivos e é procurada uma recompensa emocional imediata, entre mil outras razões. Existe no entanto um lugar que está cheio de lendas que assim não são reconhecidas. Esse lugar é a nossa História. A nossa História está repleta de episódios verdadeiramente excêntricos, extraordinários, e que conseguem ser verdadeiramente inspiradores. Essa inspiração vem das limitações que outras pessoas tiveram – e nas quais também nos revemos – e como as conseguiram superar, em coisas fascinantes que foram contadas <i>como tendo realmente acontecido</i>, e em feitos e decisões para os quais foi necessária a coragem que quem as tomou com ela não nasceu – tal como nós desejamos e tentamos ser cada vez melhor, à medida que os dias das nossas vidas vão passando.</p>
<p>Não sei se se recorda de lhe ter dito no início deste artigo que as curiosidades nos ficam muito mais facilmente na memória, do que conteúdo formal e áspero. As lendas, os factos lendários, ao serem ouvidos suscitam uma curiosidade tal que ficarão gravados durante muito tempo. E existe uma necessidade premente de marcar – pela positiva – a nossa História, a nossa cultura na mente de quem dessa faz parte, o que é algo absolutamente possível, tal como as pessoas que me ouviram contar histórias da História (lendas) há vários anos atrás, e ainda delas se lembram. Se se questionasse uma destas pessoas – no contexto de sua vida, distante da História – acerca de um facto muito mais curto mas formal e áspero que tenha ouvido nesse mesmo ano, certamente a pessoa não se iria lembrar. E isso porque aquilo que nos afecta emocionalmente – no caso: afecta positivamente – fica marcado na nossa memória.</p>
<p>É por isso que costumo dizer que os meus amigos estão todos dentro de minha casa, no meu quarto, no escritório, na sala, na cozinha, entre as páginas dos livros. Os fragmentos dos seus corpos podem continuar espalhados pelo planeta, assim como os fragmentos de tudo em que tocaram, mas as suas almas continuam vivas e os seus tempos são cada vez mais vivos para mim, pela ligação emocional que crio com essas pessoas que – desconhecidas ou conhecidas – ajudaram a formar a nossa História. É esse o meu trabalho, assim como passá-lo aos outros, tal como aqui na secção <i>Lendas e Factos Lendários de Sintra</i> tento fazer mês após mês desde 2016.</p>
<p><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/Sintra-Lendária-Capa.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-16692" alt="Sintra Lendária - Capa" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/05/Sintra-Lendária-Capa-212x300.jpg" width="212" height="300" /></a></p>
<p>Muito mais haveria por dizer, mas poderá encontrar mais informações, vivências e referências, no livro “Sintra Lendária – Histórias e Lendas do Monte da Lua”, que também se encontra à venda no Jornal de Sintra.</p>
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		<title>Lendas e Factos Lendários de Sintra &#8211; Livros Lendários (1.ª parte)</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2020 09:23:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redacção</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[Livros Lendários (1.ª parte) por Miguel Boim &#160; É nas páginas escritas por outros que conseguimos encontrar, muitas vezes, recantos que são casas únicas para a nossa alma descansar ou tirar prazer. Dentro dos muitos estilos, há sempre um grupo restrito de géneros onde acabamos por, com maior facilidade, encontrar essa tal casa que refresca [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Livros Lendários (1.ª parte)</strong></p>
<p><em>por Miguel Boim</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É nas páginas escritas por outros que conseguimos encontrar, muitas vezes, recantos que são casas únicas para a nossa alma descansar ou tirar prazer. Dentro dos muitos estilos, há sempre um grupo restrito de géneros onde acabamos por, com maior facilidade, encontrar essa tal casa que refresca a nossa alma.</p>
<p>Estando dentro dessa <i>casa</i>, conseguimos colocá-la em outros mundos, em outros tempos, como se fôssemos nós, por fora, deuses que a conseguem transportar no tempo e no espaço, até outras estações, até outras culturas.</p>
<div id="attachment_16472" class="wp-caption aligncenter" style="width: 3058px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/1..jpg"><img class="size-full wp-image-16472" alt="O Palácio da Vila no início dos anos de 1500, por Duarte d’Armas." src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/1..jpg" width="3048" height="2533" /></a><p class="wp-caption-text">O Palácio da Vila no início dos anos de 1500, por Duarte d’Armas.</p></div>
<p>Mas o tempo que nos sobra para sermos deuses que nos proporcionam o que mais nos deslumbra é muito pouco, e faz-nos sentir como ignorantes por não podermos conhecer tudo o que há para conhecer, todos os mundos que há para viver, todas as personagens que há para sentir. E isto, mesmo para quem é em seu trabalho obrigado a estar permanentemente a ler livros de outros tempos.</p>
<p>Depois de muito do passado ler – de forma consistente e permanente – posso dizer que o passado guarda as mais belas histórias de fantasia – e por <i>fantasia</i> não falo em seres mágicos; falo isso sim, de toda a magia que se vê envolvida na vida humana, no correr dos anos, nas nossas expectativas, nas nossas crenças, e nas nossas interpretações do que a vida é. E, à medida que o passado se vai tornando mais vivo por termos mais contacto com ele, por estarmos sempre a conhecer novas coisas – simples, quase nem directamente mencionadas -, vamos, cada vez mais, fazendo mais parte desse passado, vivendo cada vez mais nesse mundo. Isso abre-nos os olhos para as realidades de outros tempos, e torna todos os adereços considerados mais fabulosos e excêntricos das grandes séries e filmes de hoje, numa brincadeira em que tudo é novo, não tem desgaste, modos, maneiras de outros tempos, e parece ter sido tudo feito numa fábrica por serem cópias tão exactas umas das outras. No passado existiu, como é óbvio, produção em série, mas cada cópia não era exacta.</p>
<div id="attachment_16473" class="wp-caption aligncenter" style="width: 2093px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/2..jpg"><img class="size-full wp-image-16473" alt="O tecto da Sala das Pegas, Palácio Nacional de Sintra (Palácio da Vila)." src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/2..jpg" width="2083" height="1167" /></a><p class="wp-caption-text">O tecto da Sala das Pegas, Palácio Nacional de Sintra (Palácio da Vila).</p></div>
<p>Nos primeiros livros do nosso Reino – daqueles que estão disponíveis para nós hoje e que se relacionam directa ou indirectamente com Sintra – encontramos passaportes para passados distantes. O que aqui faz a diferença – distinguindo-os da ficção escrita nos dias de hoje – é que são tempos passados que existiram, que realmente existiram, e que se relacionam connosco por terem ocorrido debaixo destes céus tão únicos que as pessoas de outras culturas desejam, e por terem ocorrido nesta mesma terra que hoje pisamos, embora que com diferentes subidas e descidas pelas terras serem mexidas ao longo dos séculos, pelos caminhos e locais de passagem se irem modificando ao longo das centúrias.</p>
<div id="attachment_16474" class="wp-caption aligncenter" style="width: 671px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/3..jpg"><img class="size-full wp-image-16474" alt="3.Casamento de D. João I com D. Filipa de Lancaster, em iluminura presente no manuscrito Chronique d'Angleterre, do século XV." src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/3..jpg" width="661" height="912" /></a><p class="wp-caption-text">3. Casamento de D. João I com D. Filipa de Lancaster, em iluminura presente no manuscrito Chronique d&#8217;Angleterre, do século XV.</p></div>
<p>Um desses livros que faz parte daquilo a que me referi como dos<i> primeiros livros do nosso Reino</i>, é um livro que tem como título <i>Livro da Montaria</i> ou <i>Livro de Montaria</i>. “Montaria” designa a caça ou correr a caça, isto é: caça com animais em terra, diferindo por exemplo da Falcoaria (caça com uso de falcão) ou da Cetraria (caça com uso de falcão e/ou outras aves de rapina).</p>
<p>À primeira vista poderá achar uma vulgaridade, uma banalidade, e nem deverá perceber porque falo de um livro que é visto como um <i>manual de caça</i>. Mas tendo a paciência de o ir lendo e procurando saber o que certos termos do português de então queriam dizer (<i>cá</i>, por exemplo, também queria dizer “porque”) começamos a ver que o <i>Livro da Montaria</i> é um manual de caça, mas tem muito mais sobre a vida, a moral e, principalmente, sobre a natureza. Ou mais concretamente, sobre a lealdade para com a natureza. É certo que o livro incide sobre a caça ao cervo, ao urso, incidindo especialmente sobre o javali, mas fá-lo muito sob a perspectiva do desenvolvimento de um cavaleiro. Menciona que com a prática da <i>Montaria</i> um cavaleiro ficaria muito melhor preparado para as batalhas, ao invés dessa preparação se ficar somente pelas justas na <i>Rua Nova</i>, pois nestas justas o cavaleiro tinha apoios na parte de baixo do ventre que o atavam ao cavalo e os joelhos presos por faixas em redor desses. Para quem já tenha lido romances históricos com cavaleiros, estes são pormenores reais, partes do nosso passado. E até mesmo a <i>Rua Nova</i> era uma das mais amplas ruas de Lisboa e situava-se imediatamente a norte de onde hoje temos a Praça do Comércio, tendo ligações com essa através de ruas mais estreitas.</p>
<p>A minúcia com que são descritos certos conhecimentos é soberba. Particularmente os conhecimentos de quem conseguia sentir na pele a vivências nas florestas e nos bosques. Não eram conhecimentos curtos, restringidos apenas a um mero facto como hoje tanto se vê e lê quando se olha para o passado; os conhecimentos abrangiam o passar dos quartos de hora, da neve, do sol, da altura do dia, da altura da noite&#8230;</p>
<p>É explicado, por exemplo, que o orvalho cai durante a noite; se as ervas estiverem orvalhadas de dia, é somente devido à <i>névoa, que é grossa e que vem com águas miúdas</i>. Quando um javali passa, a erva fica <i>desorvalhada</i>; mas existem maneiras de saber quando passou, e mesmo quando todo o campo se apresenta orvalhado, sabe-se por onde tal javali terá passado: perceber-se-á um rasto de orvalho muito menos intenso que o orvalho nas outras ervas em redor.</p>
<p>Se se souber como a noite foi, se algumas ervas tiverem orvalho apenas nas pontas, o javali passou quando a noite estava no início, <i>porque todos os orvalhos quando caem, sempre começam na ponta das ervas</i>. Mas mesmo sem orvalho é possível perceber quando o javali terá passado, pois no quebrar dos talos das ervas, quanto mais recentemente tiverem sido partidos, mais <i>tem ainda o çumo em si</i>.</p>
<div id="attachment_16475" class="wp-caption aligncenter" style="width: 2548px"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/4.jpg"><img class="size-full wp-image-16475" alt="Folha do Livro da Montaria original, que havia sido roubada em 1995 e em 2014 foi devolvida ao Arquivo Provincial de Lugo (Galiza, Espanha). Imagem do Ministério da Cultura de Espanha" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/4.jpg" width="2538" height="3329" /></a><p class="wp-caption-text">Folha do Livro da Montaria original, que havia sido roubada em 1995 e em 2014 foi devolvida ao Arquivo Provincial de Lugo (Galiza, Espanha). Imagem do Ministério da Cultura de Espanha</p></div>
<p>Mais à frente fala-se da natureza e de bom senso, com exemplos práticos de cenários de muito difícil percepção no mato. É nesse contexto que o livro começa a dizer-nos que por vezes é necessário sair do assunto principal para que esse melhor se possa perceber – um pouco como neste artigo até aqui tenho feito, pois ainda não mencionei Sintra. O livro começa então a falar de <i>Estronomia</i>. É natural que não entenda a que se refere; o termo hoje é escrito como <i>astronomia</i>. Aí, o <i>Livro da Montaria</i>, do século XIV, começa a falar de astronomia mas numa perspectiva de astrologia: fala da <i>natureza naturada</i>, dos planetas a circularem e o número de anos que levam a fazê-lo, fala do oitavo céu, dos signos, do zodíaco, e de muito mais. O livro retoma posteriormente o assunto principal depois de falar de tempestades, ventos, chuvas, <i>pedriscos</i>, do posicionamento dos planetas e de como tal influencia a chuva, o vento, e como afecta tudo isso os talhares das unhas do javali, as pegadas do javali, na terra e nas ervas.</p>
<p>Quem escreveu este livro (ou compilou o conhecimento nesse presente, através de grandes conhecedores de Montaria), foi o Rei D. João I, aquele que fez surgir o Palácio da Vila com uma configuração mais aproximada do que hoje vemos. Com a sua constante presença em Sintra – em particular a partir da década de 1390 – é impossível não se ver estes conhecimentos descritos no <i>Livro da Montaria</i> serem aplicados pelas gentes de então, assim como pelo próprio Rei D. João I, na Serra de Sintra, mesmo que então essa não tivesse nos seus topos a verde cobertura que hoje tem. No <i>Livro da Montaria</i> conseguimos viajar até um passado distante, com muitos pormenores da vida, da vida real que os nossos antepassados aqui também viveram. Conhecendo esses pormenores, sentimos as histórias da Serra de Sintra de forma ainda mais deslumbrante. No meu próximo livro – o qual estava previsto sair antes de Junho, mas dada a situação que todos vivemos encontra-se com data de lançamento incerta – irei falar bastante sobre todos estes detalhes que aqui mencionei relativos ao <i>Livro da Montaria</i>.</p>
<p>Dentro destes livros do passado que nos fazem viajar no tempo e no sentir, há outros coevos ao <i>da Montaria</i>, e que, para que sinta ainda mais Sintra e o passado da nossa História, terei inevitavelmente que deles falar. Tanto os que falam de reis anteriores a D. João I, como aqueles que só surgiram por D. João I ter existido – tal como o Palácio da Vila, com as suas grandes chaminés brancas.</p>
<p>Muito mais haveria por dizer, mas poderá encontrar mais informações, vivências e referências, no livro “Sintra Lendária – Histórias e Lendas do Monte da Lua”, que também se encontra à venda no Jornal de Sintra.</p>
<p><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/Sintra-Lendária-Capa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16471" alt="Sintra Lendária - Capa" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/Sintra-Lendária-Capa.jpg" width="1450" height="2048" /></a></p>
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		<title>História Local &#8211; D. JOÃO II EM SINTRA</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2020 15:35:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redacção</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[D. JOÃO II EM SINTRA. UM EPISÓDIO MAGNÍFICO, EM ÉPOCA DE DISTANCIAMENTO SOCIAL O episódio passa-se em 1492 e é o resultado da “fortíssima fibra moral de D. João II”. Num tempo em que nos confrontamos mais uma vez com uma crise epidémica, devemos agradecer àqueles que, com risco para a sua saúde e para [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><b>D. JOÃO II EM SINTRA. </b></p>
<p><b>UM EPISÓDIO MAGNÍFICO,</b></p>
<p><b>EM ÉPOCA DE DISTANCIAMENTO SOCIAL</b></p>
<p>O episódio passa-se em 1492 e é o resultado da “fortíssima fibra moral de D. João II”.</p>
<p>Num tempo em que nos confrontamos mais uma vez com uma crise epidémica, devemos agradecer àqueles que, com risco para a sua saúde e para a sua vida, trabalham para que a sociedade faça sentido. Hoje, em primeiro, aos profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, auxiliares, etc., mas também a todos os que continuam necessariamente a trabalhar com risco. No passado foram outros e aqui a História serve para nos lembrar isso.</p>
<p><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/D-Joao-II-representado-no-Livro-dos-Copos.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-16402" alt="D-Joao-II-representado-no-Livro-dos-Copos" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2020/04/D-Joao-II-representado-no-Livro-dos-Copos-197x300.png" width="197" height="300" /></a></p>
<p><b>Do que el Rey fez, quando a sua nau grande partiu para Levante.</b></p>
<p>Mandou el Rey fazer uma nau de mil toneis, a mais forte, e a melhor acabada, e a maior, que nunca até então fora vista, de tão grosso, forte, e basto cordame, e tão grosso tabuado, que a artilharia a não podia passar, e tinha tantas bombardas grossas, e outras artilharias, que foi muito falado nela em muitas partes. Estando esta nau com outros navios que com ela iam partir para Levante, onde a mandava mais ricamente concertada, e com a melhor gente, e Álvaro da Cunha seu estribeiro-mor, pessoa de quem muito confiava, como capitão-mor, e estando no Restelo para partirem, e el Rey em Sintra a partir para Belém, e daí a ver partir, lhe veio recado que na nau adoeceram de peste cinco, ou seis pessoas, o que muito pesou a el Rey, e lhe aconselharam todos que não fosse a Belém por o perigo que era. Chamou então Dom Diogo D`Almeida prior do Crato, e D. Diogo Lobo Barão do Alvito, pessoas de muita autoridade, e disse-lhes, que lhes agradeceria muito chegarem a Belém, e de sua parte dizerem a Álvaro da Cunha, e aos fidalgos e cavaleiros que com ele iam, que lhe pesara muito os acontecimentos que na nau houvera, por não os ir ver como desejava, por ser aconselhado que não fosse lá, e que nosso Senhor os levasse, e trouxesse como ele, e eles desejavam. O Prior, e o Barão pesando-lhes a ida, o disseram ao camareiro-mor Aires da Silva, que com licença de ambos disse a el Rey que lhe parecia coisa pouco necessária mandar tais pessoas, e tão chegadas a ele, sem necessidade a um lugar tão perigoso, e el Rey lhe respondeu: Ora pois que se têm medo não vão, que eu irei lá. E ao outro dia levantou-se muito cedo, e foi ouvir missa a Belém, e aí lhe beijaram a mão Álvaro da Cunha, e todos os fidalgos, e cavaleiros seus criados que na armada iam, e acabado deles se despediu, e se tornou a jantar a Sintra. (*)</p>
<p>CRÓNICA DE D. JOÃO II</p>
<p>Garcia de Resende</p>
<p><b> </b></p>
<p><b>* – Transcrição sumária do autor.</b></p>
<p><em>Jorge Leão</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Casal de Cambra</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 17:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Casal de Cambra]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma vila que nasceu da clandestinidade [Artigo da edição n.º 3796 de 19-06-2009] I. Do Enquadramento Histórico-Geográfico Casal de Cambra é sede de Freguesia e que foi criada pela Lei n.º 35/97, de 12 de Julho de 1997. É delimitada a Norte pela freguesia de Caneças (Odivelas) e pela freguesia de Almargem do Bispo (Sintra), [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align: justify;">Uma vila que nasceu da clandestinidade [Artigo da edição n.º 3796 de 19-06-2009]</h1>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>I. Do Enquadramento Histórico-Geográfico</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/11.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1710" title="Aspecto de Casal de Cambra I" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/11-300x290.jpg" alt="Aspecto de Casal de Cambra I" width="261" height="253" /></a></strong>Casal de Cambra é sede de Freguesia e que foi criada pela Lei n.º 35/97, de 12 de Julho de 1997.</p>
<p style="text-align: justify;">É delimitada a Norte pela freguesia de Caneças (Odivelas) e pela freguesia de Almargem do Bispo (Sintra), a Nascente pelas freguesias de Caneças e de Famões (também de Odivelas), a Sul pela freguesia de S. Brás da Amadora), e a Poente pela freguesia de Belas (Sintra).</p>
<p style="text-align: justify;">Ocupando uma área de 2,40 quilómetros quadrados, é uma freguesia eminentemente urbana e composta por quatro bairros contíguos, a saber: Bairro do Casal de Cambra, Bairro da Serra da Helena, Bairro de Santa Marta e uma parte do Bairro do Olival Santíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">A origem remota da ocupação humana nestas paragens pode, com alguma segurança, situar-se num eneolítico final ou calcolítico, uma vez que a existência da Anta das Pedras Altas e do Cabeço do Bispo, mesmo nos limites da freguesia, atesta a presença de comunidades humanas nas redondezas que, como é sabido, procuravam pontos altos de fácil vigilância e onde pudessem ao mesmo tempo praticar a agricultura essencial à sua subsistência.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/21.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1711" title="Aspecto de Casal de Cambra II" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/21-300x225.jpg" alt="Aspecto de Casal de Cambra II" width="300" height="225" /></a>Em fase posterior, já no século XV, aparecem algumas notícias sobre o <em>Lugar de Camera</em> numa Carta de Doação lavrada por Dona Brites, mãe de el-Rei D. Manuel a um tal Rodrigo Afonso de Atouguia, a 13 de Agosto de 1490.</p>
<p style="text-align: justify;">Remonta, contudo, apenas ao século XVI, a primeira notícia que, com alguma certeza, nos permite afirmar de uma ocupação efectiva destas terras na Idade Moderna. De facto, existe um registo de baptismo na Igreja de Belas que dá conta de que, no dia 12 de Março de 1567, foi ali baptizado um individuo nascido no <em>Lugar de Camera</em>, a par de outros assentos, de casamento e falecimento, que referem indivíduos moradores no mesmo lugar</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, a raridade de documentos torna difícil determinar, com exactidão, os primeiros momentos da ocupação do espaço que é hoje a Freguesia de Casal de Cambra.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no século XVII, vem a ser erigida nos <em>Casais de Camera</em> uma ermida, evocativa de Santa Marta, existindo mesmo um documento que refere que a povoação tinha à época sete casais e uma ermida com o nome de Santa Marta</p>
<p style="text-align: justify;">A actual designação, “Casal de Cambra”, ao que se sabe, aparece pela primeira vez nos anos trinta do século XX, num pedido ao Município, de uma licença para um velocípede.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, a grande ocupação começa nos anos sessenta do século XX, com o loteamento em “Quintinhas” de cinco, oito e dez mil metros quadrados, por parte do então seu proprietário, Sr. António Baptista Mota, natural da Vila de Alcanena.</p>
<p style="text-align: justify;">Situada às portas de Lisboa, a escassos cinco quilómetros da Pontinha, rapidamente os lotes foram vendidos, vindo posteriormente a ser efectuadas subdivisões dos mesmos em parcelas, bem mais pequenas, que foram adquiridas por dezenas, ou mesmo centenas, de pequenos proprietários que aí começaram a edificar as suas habitações, dando rapidamente origem àquilo que, foi já considerado, “o maior bairro clandestino da Europa”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/31.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1712" title="Aspecto de Casal de Cambra III" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/31-300x225.jpg" alt="Aspecto de Casal de Cambra III" width="300" height="225" /></a>Em termos orográficos, Casal de Cambra ocupa, por assim dizer, um pequeno planalto sobranceiro a Lisboa, delimitado a Norte e a Nascente por duas colinas ligadas entre si que, por sua vez, delimitam o vale de Caneças.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a forma geométrica de um quadrado, foi rasgada aquando da execução dos loteamentos iniciais, e mesmo posteriormente, por arruamentos em forma reticulada, o que lhe confere um aspecto semelhante ao da Baixa Pombalina ou ao da, igualmente Pombalina, Vila Real de Santo António.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal circunstância veio, em muito, facilitar a posterior requalificação urbanística da localidade, tendo tornado possível a actual existência de uma malha urbana com bastante coerência, quando comparada com outros locais, igualmente de origem clandestina.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir dos anos setenta e oitenta do último século, deu-se o grande desenvolvimento da construção, dando-se igualmente início a um programa de requalificação e infra-estruturação urbana, da responsabilidade da Câmara Municipal de Sintra, com a comparticipação dos proprietários.</p>
<p style="text-align: justify;">A arquitectura predominante é, ainda hoje, a de pequenas moradias unifamiliares, com um ou dois pisos, por vezes com uma loja por baixo e um pequeno quintal, embora a partir de certa altura tenham começado a surgir construções de habitação colectiva, já devidamente licenciadas pela Câmara Municipal de Sintra.</p>
<p style="text-align: justify;">De salientar, ainda, a existência de uma zona de construção cooperativa e de uma outra de habitação social, edificada ao abrigo do Programa Especial de Realojamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Casal de Cambra possui actualmente um parque habitacional mais modernizado e com construção de qualidade, fruto da sua proximidade com Lisboa e devido às fáceis acessibilidades.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/41.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1713" title="Aspecto de Casal de Cambra IV" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/41-300x225.jpg" alt="Aspecto de Casal de Cambra IV" width="300" height="225" /></a><strong>II. Da Heráldica A Freguesia de Casal de Cambra adoptou a seguinte ordenação heráldica do brasão e bandeira:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Brasão: </strong>escudo verde, um dragão quadrúpede de ouro, armado e lampassado de vermelho, passante sobre um aqueduto de cinco arcos de prata movente dos flancos; em chefe, um crescente de prata, contendo entre as pontas uma estrela do mesmo; em ponta, mó de moinho de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com legenda a negro: “Casal de Cambra”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bandeira:</strong> amarela. Cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.</p>
<p style="text-align: justify;">O dragão quadrúpede de ouro é o símbolo heráldico de Santa Marta, a padroeira local. O aqueduto de cinco arcos simboliza o Aqueduto das Águas Livres, numa representação da muita água existente na localidade. O crescente e a estrela de cinco pontas, ambos de cor prateada, estão presentes no brasão de armas da Vila de Sintra e representam os antigos senhores da vila, os mouros, que Dom Afonso Henriques venceu. A mó de moinho simboliza as terras de pão que, desde a antiguidade, foram as de Casal de Cambra. As cores que dominam – o ouro e o verde – pretendem simbolizar as espigas douradas e a esperança.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/5.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1714" title="Aspecto de Casal de Cambra V" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/5-300x225.jpg" alt="Aspecto de Casal de Cambra V" width="300" height="225" /></a>III. Do Património Cultural e outros Locais de Interesse</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em termos de património histórico-cultural, destaca-se, em Casal de Cambra, a Capela (ou Ermida) de Santa Marta, símbolo da devoção das suas populações, que foi erigida no início do século XVII.</p>
<p style="text-align: justify;">Situada no perímetro urbano do bairro, esta ermida terá sido construída numa estreita ligação simbólica às águas salutares que existem na zona, vindo estas “águas santas” a ser designadas pelo nome da padroeira, Santa Marta.</p>
<p style="text-align: justify;">No século XIX, a Ermida de Santa Marta foi utilizada como habitação, sendo destruída por um incêndio e permanecendo em ruínas até aos nossos dias. O edifício que hoje existe no local resulta de um processo de recuperação, levado a efeito pela Câmara Municipal, no final dos anos noventa do século XX, que embora respeitando a traça original, introduziu algumas inovações, designadamente, uma sacristia provida de campanário e um novo altar, compatível com as normas impostas pelo Concílio Vaticano II. Destacam-se, ainda, em Casal de Cambra, as ruínas do edifício termal da Quinta das Águas Férreas, de finais do séc. XIX, um antigo balneário que foi famoso pela característica das suas águas (<em>Agoas Medecinaes de Casaes</em>), para o qual existe um projecto de recuperação, e as ruínas do Moinho de Vento do Cabeço da Velha, para além de um troço e vários respiradouros das captações do Aqueduto das Águas Livres, uma obra monumental, construída no reinado de D. João V (o alvará régio que determinou a sua construção data de 1731), com a finalidade de abastecer a cidade de Lisboa.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora de construção recente, são também de referir o edifício-sede da Junta de Freguesia (espaço sócio-cultural, que renasceu do edifício social construído por iniciativa dos moradores do bairro, no início dos anos oitenta do século XX), o Centro Comunitário e a Igreja Paroquial de Santa Marta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>IV. Da Caracterização Demográfica</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É desconhecido o número anterior de habitantes, sendo o Censos de 1991 o primeiro que nos fornece dados, mais ou menos fiáveis, sobre a povoação de Casal de Cambra. Apontava-se, então, para a existência de 6.756 moradores, sendo que, nos dados recolhidos no Censos de 2001, são já referidos 9.865 habitantes. Tais números permitem-nos admitir que os dados actuais apontem para os 11.000 ou 12.000 habitantes, sobretudo se tivermos em conta os números dos inscritos no Centro de Saúde (que já ultrapassam os 15.000), sendo 8.680 o número actual de eleitores.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos sociológicos, Casal de Cambra caracteriza-se por ser uma povoação composta por uma heterogeneidade, relativamente às origens da população nacional, e ainda a uma grande componente de imigração, proveniente essencialmente dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e do Brasil, além de uma significativa comunidade originária nos países do leste europeu. Trata-se, em grande parte, de uma classe média, com razoável poder de compra e boa capacidade de empreendedorismo e, ainda, de uma grande massa assalariada, com menos recursos e com algumas “ilhas” de fracos recursos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/6.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1715" title="Aspecto de Casal de Cambra VI" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/6-300x225.jpg" alt="Aspecto de Casal de Cambra VI" width="300" height="225" /></a></strong><strong>V. Dos Equipamentos Colectivos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na área dos equipamentos colectivos, possui uma extensão do Centro de Saúde de Queluz, em edifício próprio, uma farmácia, um centro socio-cultural (edifício-sede da Junta de Freguesia), com um auditório com capacidade para 150 pessoas, transportes públicos, posto de correios, estabelecimentos comerciais, uma escola do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, duas escolas do 1.º ciclo do ensino básico e três agências bancárias. Possui, ainda, dois jardins-de-infância da rede oficial, um mercado municipal, uma esquadra territorial da Polícia de Segurança Pública, bem como um Centro Comunitário com diversas valências (berçário, creche, infantário, ATL, Centro de Dia e de Convívio, apoio domiciliário) e um Centro Social Paroquial.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além disso, em Casal de Cambra existe um Parque Urbano, que inclui um campo de futebol de onze (medidas oficiais), um ringue descoberto, dois parques infantis e zona de lazer com lagoa artificial.</p>
<p style="text-align: justify;">Está também já concluído um pavilhão gimnodesportivo municipal, com capacidade para 600 espectadores, que se encontra em fase de instalação dos respectivos mobiliário e equipamento desportivos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>VI. Das Actividades Económicas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Coexistem, em Casal de Cambra, as mais diversas actividades económicas, não só as normalmente necessárias à satisfação das necessidades locais, como também, e com bastante expressão, actividades que, aqui sediadas, produzem para o mercado regional, nacional e até internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sendo uma localidade industrial, possui no entanto algumas pequenas e médias empresas, no sector das indústrias transformadoras, que proporcionam alguma empregabilidade e criaram condições para que Casal de Cambra tenha sido, desde sempre, não só um dormitório da grande cidade, mas, de igual modo, um local para onde, diariamente, convergem trabalhadores com origem noutras localidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem na localidade, nomeadamente, uma fábrica de equipamentos para as indústrias de materiais de construção (empresa exportadora), duas fábricas de artigos de matérias plásticas, fábricas de móveis, uma fábrica de placas termo isolantes e diversas oficinas de alumínios e metalomecânica.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto ao sector do comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos, estão instalados, em Casal de Cambra, três stands de venda, quatro lojas de peças e acessórios-auto e diversas oficinas de mecânica, electricidade, bate-chapa, pintura, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">No sector do comércio a retalho, estão instaladas diversas mercearias e minimercados, padarias, peixarias, lojas de produtos congelados, de material informático e eléctrico, de materiais de construção, de móveis, de têxteis e vestuário, de artigos de desporto, de material óptico, de rações e alimentos para animais, uma <em>para-farmácia</em>, uma ourivesaria/joalharia/relojoaria, papelarias e tabacarias, floristas e diversos estabelecimentos do tipo “bazar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na área da restauração e similares, Casal de Cambra possui diversos restaurantes e cafés (entre os quais duas pizzarias e um pronto-a-comer) e três pastelarias com fabrico próprio.</p>
<p style="text-align: justify;">Na área dos serviços, existem na localidade diversos salões de cabeleireiro e estética, barbearias, oficinas de reparação de calçado, uma tipografia, dois vídeoclubes, agências de lotaria e outros jogos de aposta e uma agência funerária.</p>
<p style="text-align: justify;">Casal de Cambra está, ainda, dotada de duas escolas de condução, cinco agências imobiliárias, uma agência de documentação e contabilidade, bem como de clínicas médicas, dentárias e de laboratórios de análises clínicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além das três agências bancárias, de três dos principais bancos privados nacionais, existe ainda a perspectiva da instalação de mais duas agências.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>VII. Dos Transportes e Acessibilidades</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Casal de Cambra é servida por transporte público, com diversas ligações rodoviárias, efectuadas por dois operadores, à rede do metropolitano (Pontinha, Odivelas, Colégio Militar), e à do caminho-de-ferro (Amadora).</p>
<p style="text-align: justify;">Tem acessibilidade directa à rede de auto-estradas, através do Nó de Belas, situado a cerca de um quilómetro do limite da freguesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Casal de Cambra está também instalada uma praça de táxis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>VIII. Das Colectividades e Associações</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em Casal de Cambra, para além de uma associação de proprietários, existem outras organizações associativas, que aí desenvolvem as suas actividades culturais, desportivas e recreativas, designadamente:</p>
<p style="text-align: justify;">• Associação Recreativa e Cultural “7 de Abril”</p>
<p style="text-align: justify;">• Futebol Clube “O Despertar”</p>
<p style="text-align: justify;">• Grupos de Ciclo-turismo “Os Gaivotas” e “Os Passarinhos”</p>
<p style="text-align: justify;">• Associação de Jovens de Casal de Cambra</p>
<p style="text-align: justify;">• Associação Cultural</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/7.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1716" title="Aspecto de Casal de Cambra VII" src="http://www.jornaldesintra.com/wp-content/uploads/2010/02/7-300x231.jpg" alt="Aspecto de Casal de Cambra VII" width="300" height="231" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>IX. Das Tradições Religiosas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Todos os anos, na última semana do mês de Julho, realizase em Casal de Cambra uma festa evocativa da Padroeira, Santa Marta, onde também se comemora o aniversário da Junta de Freguesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além disso, a cada dia 12 de Maio, é realizada na localidade uma procissão evocativa das aparições de Fátima, entre a Igreja Paroquial e a Capela de Santa Marta.</p>
<p style="text-align: right;"><em>I.G.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em> Fonte: Proposta de Lei </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>/Ana Couto/Rui Vieira, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>com apoio do Presidente da </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Junta de Freguesia </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>de Casal de Cambra, José Elias </em><em> </em></p>
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		<title>As origens da introdução da Árvore de Natal em Portugal</title>
		<link>https://www.jornaldesintra.com/2009/12/artigo-de-opiniao-21/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 01:35:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[País]]></category>
		<category><![CDATA[Sintra]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[A tradição da Árvore de Natal foi introduzida em Portugal por D. Fernando II, casado com a rainha D. Maria II. Em Portugal, até meados do século XIX, a tradição do Natal tinha como centro a figura do Presépio. No entanto, finda a Guerra Civil de 1832-34, que opôs os Liberais aos Miguelistas, da Corte, [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span style="font-weight: bold;">A tradição da Árvore de Natal foi introduzida em Portugal por D. Fernando II, casado com a rainha D. Maria II. </span></div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/__J7f0xmW04k/SzLGLBaSmEI/AAAAAAAACGU/LZW9m_IG_ek/s1600-h/DSCF9226.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418611194339694658" style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; width: 320px; float: left; height: 241px; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/__J7f0xmW04k/SzLGLBaSmEI/AAAAAAAACGU/LZW9m_IG_ek/s320/DSCF9226.JPG" border="0" alt="" /></a>Em Portugal, até meados do século XIX, a tradição do Natal tinha como centro a figura do Presépio. No entanto, finda a Guerra Civil de 1832-34, que opôs os Liberais aos Miguelistas, da Corte, a tradição da Árvore de Natal foi passando das elites para uma parte da população. Mas a grande difusão da Árvore de Natal foi no século XX, na década de 60, graças à revolução nos meios de informação e comunicação, como a televisão. Altura em que também a figura do “Pai Natal” símbolo, claramente economicista e materialista, começou a “ganhar terreno” ao Menino Jesus – única verdadeira razão pela qual se celebra o Natal, pois Natal significa nascimento; neste caso, é a celebração do nascimento de Jesus Cristo. e com a ascensão ao Trono de Portugal da Rainha Dona Maria II, os hábitos da Corte Portuguesa, por altura do Natal mudaram. Assim, em 1836, a Rainha casou com o Príncipe Ferdinand von August Franz Anton von Sachsen- Coburg-Gotha-Koháry, mais tarde, D. Fernando II, o Rei-Artista. Deste casamento nasceram muitos filhos, dois dos quais foram mais tarde os reis Dom Pedro V e Dom Luís I. Com a vinda para Portugal de Dom Fernando II foi introduzida na Corte Portuguesa, a tradição da Árvore de Natal. Dona Maria II ficou conhecida na História com o cognome de “A Educadora”, tal era a sua preocupação com a educação dos seus filhos. O ambiente familiar assemelhava- se bastante a uma família burguesa no período do auge do Romantismo. Consta, segundo registos, que Dom Fernando II, na Noite de Natal, vestia-se de S. Nicolau e distribuía presentes aos seus filhos numa festa genuinamente familiar.</p>
<div style="text-align: justify;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/__J7f0xmW04k/SzLFyprmk5I/AAAAAAAACGM/A-NY-9WIso0/s1600-h/DSCF9228.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418610775652995986" style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 241px; display: block; height: 320px; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/__J7f0xmW04k/SzLFyprmk5I/AAAAAAAACGM/A-NY-9WIso0/s320/DSCF9228.JPG" border="0" alt="" /></a>D. Fernando II, o Rei-Artista. Estátua no Largo do Ramalhão, em Sintra, uma homenagem do povo</div>
<p style="text-align: justify;">A pouco e pouco, graças à influência da Corte, a tradição da Árvore de Natal foi passando das elites para uma parte da população. Mas a grande difusão da Árvore de Natal foi no século XX, na década de 60, graças à revolução nos meios de informação e comunicação, como a televisão. Altura em que também a figura do “Pai Natal” símbolo, claramente economicista e materialista, começou a “ganhar terreno” ao Menino Jesus – única verdadeira razão pela qual se celebra o Natal, pois Natal significa nascimento; neste caso, é a celebração do nascimento de Jesus Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">Texto: David Garcia<br />
Fotos: Idalina Grácio</p>
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		<title>História de Montelavar</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 15:28:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Montelavar]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo da edição nº 3796 de 19/06/2009 Percurso da Vila de Montelavar Da pré-história ao século XXI I. Do enquadramento Histórico-Geográfico Montelavar é uma povoação situada na zona norte do concelho de Sintra, sede da freguesia com o mesmo nome desde o século XVI por despacho patriarcal datado de 1538. É delimitada a noroeste pela [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"><meta name="ProgId" content="Word.Document"><meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"><meta name="Originator" content="Microsoft Word 10">
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<div style="text-align: center;"><span style="font-size:180%;"><span style="color: rgb(51, 102, 255); font-weight: bold; font-style: italic;">Artigo da edição nº 3796 de 19/06/2009</span></span><br />
</div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><span style="font-weight: bold;"> Percurso da Vila de Montelavar</span><br />
<br /><span style="font-weight: bold;font-size:180%;" ><br />
<br />Da pré-história ao século XXI</span></p>
<p><span style="font-weight: bold;">I. Do enquadramento Histórico-Geográfico</span><br />
<br />Montelavar é uma povoação situada na zona norte do concelho de Sintra, sede da freguesia com o mesmo nome desde o século XVI por despacho patriarcal datado de 1538.<br />
<br /><!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<br /><!--[endif]--><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  <!--[if gte mso 9]><xml>  <u1:worddocument>   <u1:view>Normal</u1:View>   <u1:zoom>0</u1:Zoom>   <u1:hyphenationzone>21</u1:HyphenationZone>   <u1:compatibility>    <u1:breakwrappedtables/>    <u1:snaptogridincell/>    <u1:wraptextwithpunct/>    <u1:useasianbreakrules/>   </u1:Compatibility>   <u1:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u1:BrowserLevel>  </u1:WordDocument> </xml><![endif]-->  </div>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A exploração, o corte, a cantaria e o trabalho artístico das rochas ornamentais, com particular destaque para o mármore, fizeram de Montelavar um dos grandes centros desta indústria, tanto no plano nacional como internacional. Paralelamente, cresceram em torno da indústria das rochas ornamentais outras indústrias a ela associadas, como a metalomecânica, as máquinas e ferramentas, a carpintaria industrial, etc.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">O grande desenvolvimento da construção – que adquiriu ritmos desenfreados, sobretudo nos anos sessenta, setenta e oitenta do século XX – na Área Metropolitana de Lisboa, a par de um reconhecimento de qualidade do trabalho de cantaria e dos mármores da zona a nível internacional, que fez aumentar as exportações, veio trazer a Montelavar a modernização das fábricas, a especialização dos seus operários, criando uma dinâmica laboral que se mantém até aos dias de hoje.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A freguesia conta, actualmente, com mais de trezentas empresas activas e que empregam cerca de três mil pessoas. Trata-se, sobretudo, de pequenas e médias empresas, embora existam, também, algumas de maior dimensão. A população de Montelavar ronda, actualmente, os cinco mil habitantes, embora este número possa apresentar-se substancialmente aumentado no próximo <i>Censos</i>, já que são várias as famílias que, nos últimos anos, se têm fixado na região.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b><span style="font-size:180%;">Um pouco da história de Montelavar</span></b></p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><b><o:p></o:p></b></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b><!--[if gte mso 9]><xml>  <u3:worddocument>   <u3:view>Normal</u3:View>   <u3:zoom>0</u3:Zoom>   <u3:hyphenationzone>21</u3:HyphenationZone>   <u3:compatibility>    <u3:breakwrappedtables/>    <u3:snaptogridincell/>    <u3:wraptextwithpunct/>    <u3:useasianbreakrules/>   </u3:Compatibility>   <u3:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u3:BrowserLevel>  </u3:WordDocument> </xml><![endif]-->1. Da Pré-história à Romanização </b><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A abundância de águas nascentes e correntes, a existência de bolsas de terrenos férteis nos seus vales e a geomorfologia do seu território – onde se destacam os campos de <i>lapiás, </i>que constituem verdadeiros abrigos naturais – devem ter contribuído para a ocupação humana da região, logo desde a pré-história. Contudo, e muito por força da exploração do mármore, com abertura de inúmeras pedreiras e consequente depósito de desperdícios, as alterações territoriais efectuadas durante séculos na Freguesia de Montelavar foram avultadas e isso, dizíamos, veio por certo a ocultar ou a destruir, irremediavelmente, os hipotéticos vestígios arqueológicos existentes – cremos que em abundância – na região.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Aquilo que da pré-história se recolheu, até hoje, no território da freguesia, foram materiais avulso, alguns elementos líticos, osteológicos e cerâmicos, quer em torno dos <i>lapiás </i>da Granja dos Serrões, quer, sobretudo, no sítio do Outeiro, muito provavelmente uma fortificação castreja. Tido como a génese do povoado de Montelavar, o sítio do Outeiro pertence hoje a uma freguesia vizinha, a de Pêro Pinheiro.<br />
</p>
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<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Ao contrário do que se passa em relação à pré-história, a ocupação romana do território está bastante bem documentada, com avultados achados arqueológicos na região e que hoje fazem parte do importantíssimo espólio do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas. A <i>villae </i>romana da Granja dos Serrões é uma das estações arqueológicas mais notáveis do concelho de Sintra, no que respeita a este período histórico.<br />
</p>
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<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Em 1944 e 1945, efectuaram-se duas campanhas de escavações que permitiram descobrir estruturas romanas e da alta Idade Média muito significativas, e que atestam a ocupação humana do território numa continuidade que vai, pelo menos, de meados do século I d.C., até finais do século XI, em plena ocupação muçulmana. De facto, todo o contexto arqueológico regional envolvente nos leva a supor que Montelavar tenha sofrido uma forte romanização, pelo menos desde meados do século I a.C., e talvez mesmo antes. Mas os vestígios documentados mais antigos datam do primeiro século depois de Cristo. São eles várias inscrições lapidares, num conjunto avultado de exemplares, que nos fornecem dados valiosíssimos sobre estes ancestrais habitantes de Montelavar, como nomes de pessoas e famílias, dados pessoais e relações entre pessoas, noções sobre o culto dos mortos, etc.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Parte integrante, e importante, dos <i>agri </i>do chamado Município Olisiponense, a região de Montelavar faz parte de um aro, constituído pelos territórios das actuais freguesias de Colares, São João das Lampas, Terrugem, Pêro Pinheiro e Montelavar, cuja presença romana está fortemente documentada. Dos testemunhos epigráficos descobertos na região, destaque para o conjunto da Granja dos Serrões e, também, nos limites de <i>Abremum</i>, num total de mais de duas dezenas de monumentos que hoje ajudam a contar a História do concelho de Sintra, já que estão conservados no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas. Também foram encontrados outros materiais da época romana na região, nomeadamente as cerâmicas. É o caso de um fragmento de boca e arranque de asa de uma ânfora, datável do século I/II d.C., de fabrico peninsular e que serviu para transportar pasta de peixe, descoberta apenas numa recolha de superfície em 1983. Escavações arqueológicas neste lugar poderão, certamente, colocar a descoberto outros materiais congéneres.<br />
</p>
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<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><!--[if gte mso 9]><xml>  <u4:worddocument>   <u4:view>Normal</u4:View>   <u4:zoom>0</u4:Zoom>   <u4:hyphenationzone>21</u4:HyphenationZone>   <u4:compatibility>    <u4:breakwrappedtables/>    <u4:snaptogridincell/>    <u4:wraptextwithpunct/>    <u4:useasianbreakrules/>   </u4:Compatibility>   <u4:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u4:BrowserLevel>  </u4:WordDocument> </xml><![endif]--><b>2. Da Idade Média à constituição da freguesia </b><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Após a queda do império romano e a chegada dos povos bárbaros, a estrutura social e económica do território que constitui, hoje, a Freguesia de Montelavar, não se deve ter alterado muito. A romanização teve uma repercussão bastante acentuada em toda esta zona, deixando no povo um legado fundamental para a sua vida, para a sua cultura e para a sua História.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">De facto, os romanos vieram ensinar novas técnicas agrícolas, trouxeram novas ferramentas e novos plantios, abriram estradas e caminhos, ofereceram às tribos lusitanas uma nova língua e um novo sistema de ensino. Incutiram, sobretudo, um novo espírito administrativo, um novo <i>modus vivendi</i>. Por isso, quando aqui chegaram, os visigodos terão encontrado um povo organizado, com meios de subsistência suficientes e capazes de alimentar as suas comunidades. E, por certo, devem ter-se enquadrado bem no seio desta gente dos campos montelavarenses, onde os vales são férteis e a água abundante.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<div style="text-align: justify;">  <!--[if gte mso 9]><xml>  <u5:worddocument>   <u5:view>Normal</u5:View>   <u5:zoom>0</u5:Zoom>   <u5:hyphenationzone>21</u5:HyphenationZone>   <u5:compatibility>    <u5:breakwrappedtables/>    <u5:snaptogridincell/>    <u5:wraptextwithpunct/>    <u5:useasianbreakrules/>   </u5:Compatibility>   <u5:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u5:BrowserLevel>  </u5:WordDocument> </xml><![endif]-->  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Também os visigodos eram um povo de agriculturas e pastoreio, menos dado às artes que os romanos, é certo, mas com o mesmo apego à terra. Aliás, o mesmo acontece com todo este território Norte do concelho de Sintra, a chamada “charneca saloia” e que abrange várias freguesias. Por isso, vamos encontrar alguns vestígios deste período em São João das Lampas, na Terrugem, em Pêro Pinheiro, Almargem do Bispo e, é claro, em Montelavar. Se bem que a freguesia merecesse mais escavações arqueológicas, pois julgamos que muito há, ainda, a descobrir, e a extracção da pedra durante séculos tenha danificado, por certo, <o:p></o:p> muitos dos sítios com interesse para a história do lugar, a estação da Granja dos Serrões – da qual já falámos – também trouxe a público alguns materiais deste período, assim como do seguinte, o período árabe. Vindos do Norte de África, os mouros invadem a Península Ibérica em 711.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Comandados por Tarik, derrotam o último rei godo, D. Rodrigo, nas margens do Guadalquivir. E, num surto rapidíssimo, ocupam, em poucos anos, grande parte do território peninsular. A Sintra, terão chegado os árabes por volta de 713, ou seja, apenas dois anos depois dessa batalha. Exímios agricultores, habituados a extrair de terras pobres as suas culturas, encontraram neste território, abundante em águas e de solos férteis, um verdadeiro paraíso terreal. A evolução agrícola neste período foi muito significativa para as gentes que habitavam a região, os moçárabes, ou seja, os cristãos habitantes do campo, os <i>çaharoi</i>, termo árabe que daria origem à palavra «<i>saloio»</i>.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Foi a introdução de novas culturas, em especial os citrinos, de novas técnicas de lavoura, com novos arados e novos métodos de cultivo; de regadio, como a nora e a picota; técnicas de moagem de cereal e azeitona, como a azenha, o pisão e o moinho de vento; enfim, um conjunto de novas tecnologias que fizeram progredir, de forma bastante acentuada, o mundo rural existente.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Civilização culta, deu-nos também a numeração árabe que, ainda hoje, utilizamos, trouxe-nos uma nova perspectiva artística e fez-nos evoluir bastante no plano científico. Bastaria para isso verificarmos os relatos da região sintrense efectuados por vários geógrafos árabes, como são os casos de Edrici, Al Bacr ou Alumini Alhimiari. Hoje, ainda subsiste muito desta cultura entre nós. Basta analisarmos a toponímia, o linguajar saloio, e boa parte do vocabulário português.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Parte integrante da antiga Freguesia de Montelavar, antes da separação em 1988, era a povoação de Morelena, grafada em documentos antigos como <i>Mourelena</i>, portanto, terra de mouros. Em 1154, o primeiro rei de Portugal dava Carta de Foral a Sintra, constituindo o município e dividindo-o nas freguesias de São Pedro de Canaferrim, São Martinho, Santa Maria e São Miguel. E Montelavar foi, desde a Fundação da nacionalidade, integrado na freguesia de Santa Maria, até se tornar freguesia autónoma já no século XVI. Contudo, a primeira vez que surge o nome de Montelavar em documentos antigos é num <i>«Treslado do limitte, e demarcação das Igrejas da Villa de Cintra», </i>que se reporta a um documento do século XIII, mais propriamente de 1253, e que estabelece a divisão paroquial daquela época.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Sem grande surpresa, o topónimo aparece grafado <i>«monte Alavar», </i>forma muito próxima da actual e que terá a sua raiz em <i>«alvo», «alvar», «alvor»</i>, afinal monte branco, claro, provavelmente pela qualidade da pedra que predomina na região, o mármore branco. Para além dos topónimos nele descritos, fica-se a saber, através desse documento que, bem perto de Rebanque – uma das aldeias que serve de limite à antiga paróquia de Santa Maria &#8211; existia uma <i>«hereditatem Templariorum », </i>ou seja, uma herdade pertencente à Ordem dos Templários. Embora seja facilmente explicável a existência desta propriedade na posse dos Templários, não deixa de ser significativo que ela ficasse, muito provavelmente, dentro dos limites do território que viria a constituir a Freguesia de Montelavar.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">De facto, cerca de dois anos depois de ter dado Foral a Sintra, D. Afonso Henriques entrega a vila à Ordem dos Templários, em 1156, fazendo do seu grão-mestre D. Gualdim Pais o primeiro comendador de Sintra. Entre as várias mercês que o rei fez à Ordem, estavam umas casas na vila, as rendas da judiaria, e no termo de Sintra lhes deu várias courelas, matas, azenhas, etc. Fica-se a saber que, próximo de Rebanque, estava localizada uma propriedade templária, por certo com alguma dimensão e importância. Durante os séculos XIII e XIV, Montelavar e a sua população deve ter progredido bastante, já que estes foram anos de paz e de prosperidade em todo o país.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Com uma economia assente, sobretudo, na agricultura, é provável que existissem nesse tempo já algumas oficinas de canteiros e, por certo, alguma extracção de pedra mármore. É bem provável, até, que isso já acontecesse desde o tempo dos romanos. A Peste Negra de 1348 veio pôr termo a este ciclo de abundância e prosperidade. Datará desta altura a fundação da Albergaria e Hospital de Montelavar, instituição exemplar de solidariedade social.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Contudo, referente ao século XIV, existe documentação que nos pode auxiliar no conhecimento da história de Montelavar. Em 1342, Domingos Bartolomeu e Catalina Joanes, moradores nas Mastrontas, eram rendeiros do <i>«Cassal de Erdade»</i>, pertença do Mosteiro de São Vicente de Fora, e localizado no dito lugar. Em 1354, Sancha Martins, moradora na vila de Sintra e com capela na Igreja de São Martinho, deixava para sustento dessa capela um casal em Montelavar.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Outro testamento de inegável interesse para a região é o de João Eanes Garcês, de Montelavar, feito em 4 de Abril de 1391, um documento que vem reforçar a convicção de que, em Montelavar, a primitiva igreja era dedicada a Santa Maria e já existia em, pelo menos, 1348. Aliás, basta verificar a documentação existente sobre o Hospital e Albergaria, para se perceber isso mesmo, com a constituição da Confraria de Santa Maria, fundadora e administradora daquela instituição, e formada por confrades leigos em torno da igreja de Montelavar. João Eanes Garcês, no seu testamento, manda que o seu corpo seja enterrado no <i>«cermiterio de santa maria», </i>deixando para tal <i>«a adicta igreia» </i>a verba competente para assim procederem.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Após a crise do Interregno de 1383-1385, a região de Montelavar terá vivido um momento próspero. As grandes obras no Paço de Sintra, levadas a cabo por D. João I, terão, muito provavelmente, utilizado mármore e mão-de-obra montelavarense, uma vez que Montelavar evoluiu bastante durante o século XV. Esse crescimento económico e social levou a que, nos finais de quatrocentos, se começassem a levantar as vozes dos locais, com vista a constituir Montelavar como cabeça de freguesia e paróquia autónoma. Contudo, isso só terá acontecido no século XVI, sendo de admitir, como mais provável, que tenha ocorrido no ano de 1538.<br />
</p>
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<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A campanha de obras no Paço de Sintra, efectuada pelo rei D. Manuel I, deve ter contribuído para a melhoria de vida da população de Montelavar, nomeadamente para aqueles que se encontravam ligados ao ofício de canteiro, e esse crescimento deu força e autoridade à população para exigirem a desanexação da paróquia de Santa Maria e a criação de uma paróquia autónoma.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Datam do primeiro quartel do século XVI as obras da Igreja de Montelavar que, também por essa altura, muito provavelmente em simultâneo com a criação da paróquia e freguesia, deve ter mudado a epifania para Nossa Senhora da Purificação. Actualmente, a igreja matriz tem uma fachada lateral com um curioso alpendre, ostentando ainda um relógio de sol datado de 1813. No interior, de uma só nave, destaca-se a capela-mor de traça manuelina. O harmonioso conjunto inicia-se no arco triunfal, gótico, decorado a rosetas, prolongando-se pela capela, forrada a azulejos do século XVII e coberta por uma abóboda de dois tramos, assente em mísulas. Nas paredes da nave correm lambris de azulejos tipo tapete. Conserva um altar a Nossa Senhora da Piedade datado de 1789.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Depois de larga querela e muitos documentos judiciais produzidos ao longo dos tempos, em 1517 a rainha D. Leonor deu finalmente sentença definitiva sobre o casal de Sancha Martins, em Montelavar, que ela havia doado à Igreja de São Martinho de Sintra em 1354.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Em 1538, foi efectuado o <i>Tombo </i>das propriedades pertencentes ao dito casal. Esta necessidade de identificar e medir as suas propriedades, por parte do vigário de São Martinho, poderá ter sido forçada pela constituição da nova paróquia de Montelavar. E se se atender ao elevado número de parcelas de terreno, courelas, serrados, casas, currais e hortas que constituem o legado, num total de sessenta e uma, percebemos a importância económica que este representava. <o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  <u6:p></u6:p>  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<br /><!--[endif]--><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  <u6:p></u6:p>  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b><!--[if gte mso 9]><xml>  <u7:worddocument>   <u7:view>Normal</u7:View>   <u7:zoom>0</u7:Zoom>   <u7:hyphenationzone>21</u7:HyphenationZone>   <u7:compatibility>    <u7:breakwrappedtables/>    <u7:snaptogridincell/>    <u7:wraptextwithpunct/>    <u7:useasianbreakrules/>   </u7:Compatibility>   <u7:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u7:BrowserLevel>  </u7:WordDocument> </xml><![endif]-->3. Da Restauração à República </b><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Durante a ocupação filipina, Portugal passou por um dos períodos mais obscuros da sua História. Com a corte em Madrid, o país adormeceu ao longo de uns penosos sessenta anos, remetido ao estatuto dúbio de uma simples província espanhola, cujos efeitos se sentiram também no concelho de Sintra.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Habituada ao fausto e às luzes da corte, nomeadamente durante as estações de veraneio, Sintra perdeu, de facto, muito do seu brilho. Por consequência, também o povo da região terá sofrido com essa ausência. Os agricultores viam na estadia dos nobres e do rei uma oportunidade excelente para venderem os seus produtos. Os artífices tinham trabalho garantido nas obras, quer do Paço Real, quer nos palacetes e solares dos nobres que se instalavam em Sintra. E nem a Restauração de Portugal, ocorrida a 1 de Dezembro de 1640, devolveu esse estatuto de vila realenga a Sintra. Os primeiros tempos foram de guerras contínuas com Espanha.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">O Paço de Sintra serviu, até, de prisão para o infeliz D. Afonso VI. Mas apesar deste perído de ocultação para todo o concelho, Montelavar manteve uma actividade ainda assim bastante interessante. Basta ver o <i>«Tombo dos bens e fazemdas do hospital de montelauar », </i>efectuado em 1680 pelo desembargador, ouvidor e provedor da Comarca de Alenquer, o doutor Gonçalo Vaz Preto. Através desse documento verifica-se que, apesar de uma certa anarquia na gestão desses bens, eles rendiam o suficiente para manter o hospital e a albergaria em funcionamento.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Em 1716, mais precisamente a 21 de Novembro desse ano, por ordem do rei D. João V, o juiz de fora de Sintra, Damião Correia Leitão, dá conta dos lugares existentes no concelho. No que respeita à freguesia de Montelavar, diz assim o documento: «Freguezia de Montelavar tem os lugares seguintes: Monte Lavar: Masceyra; Arrebanque; Anssos; Outeiro; Façam; Cortegassa; Mourellena; Palmeyros; Pero pinheiro; Abremum; Ribeira<!--[if gte mso 9]><xml>  <u8:worddocument>   <u8:view>Normal</u8:View>   <u8:zoom>0</u8:Zoom>   <u8:hyphenationzone>21</u8:HyphenationZone>   <u8:compatibility>    <u8:breakwrappedtables/>    <u8:snaptogridincell/>    <u8:wraptextwithpunct/>    <u8:useasianbreakrules/>   </u8:Compatibility>   <u8:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u8:BrowserLevel>  </u8:WordDocument> </xml><![endif]--> do farello; Barreyro; e os casaiz seguintes: Hermida; Cabessa; Abigueria; Os gosmoz; Das vivaz; Granja dos Serroens; Condado.»<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">O século XVIII voltou a ser um período importante para os montelavarenses e, de novo, por intermédio das obras reais, desta feita a construção do grandioso palácio-convento de Mafra. De facto, muitos foram os artífices da região que aí trabalharam, não só os mestres canteiros da freguesia de Montelavar – e também das freguesias vizinhas da Terrugem e de São João das Lampas – como outro tipo de mão-de-obra. Também o abastecimento da multidão de operários que trabalhavam nessa obra veio trazer, por certo, uma melhoria de vida aos agricultores da região.<br />
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<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">No livro <i>Corografia Portuguesa, </i>de Carvalho da Costa, publicado em 1712, há uma lista bastante interessante da freguesia: «N. Senhora da Porificação de Montelavar, Curado annexo à Igreja de S. Miguel de Cintra, tem os lugares seguintes. Montelavar, com huma Ermida do Espirito Santo, aonde ha hum Hospital com rendas para agasalhar os pobres; Mourelena com huma Ermida de N. Senhora da Conceyção na quinta de Miguel Rebello, a qual fundou Manoel Gil de Sousa; Outeyro, Pero pinheyro, Pé da Sarra, O Condado, Maceyra, Armis (sic), Arrebãque, Murgalhal, Ribeyra dos Tostões, Ansos, Urmal, Cortegaça, com huma Ermida de N. Senhora da Salvação, &amp; a quinta da Granja com huma ermida de N. Senhora de Nazareth, que fundou Iacome da Costa de Loureyro, &amp; a acabou no anno de 1701. Sebastião de Carvalho, Senhor da dita quinta, com o motivo de apparecer nella a imagem de N. Senhora que alli se conserva obrando prodigiosos milagres.»<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Data deste início do século XVIII o Cruzeiro de Montelavar que, ainda hoje, pode ser admirado no largo da sede de freguesia. A inscrição que contém, é esclarecedora sobre quem mandou executá-lo no ano de 1714. São desta época, finais do século XVIII, algumas obras da freguesia. É disso exemplo o cruzeiro que está em frente da Capela do Espírito Santo e que data de 1774.</p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Também a chamada Fonte da Sigueteira, situada junto aos <i>lapiás </i>da Maceira, ostenta a data de 1788. A passagem da Estrada Real, que ligava Lisboa a Mafra pelo interior da freguesia de Montelavar, foi estruturante para o desenvolvimento da região. Esta via de comunicação com a capital veio a desenvolver o comércio local, apoiado e sustentado pelos viajantes que circulavam nessa estrada, veio dar um forte incremento às localidades da freguesia. Mas a Estrada Real também serviu para se deslocarem as tropas durante a Guerra Civil que colocou o país a ferro e fogo, durante as lutas entre liberais e miguelistas. Há notícia de movimentações e aquartelamentos de regimentos na região, nesse período fatídico da nossa História.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A assinalar os tempos da Guerra Civil, existe um singelo, mas importante, monumento na Freguesia de Montelavar: a chamada Cruz da Moça. Na arquitectura popular, subsistem na Freguesia de Montelavar alguns exemplares do século XIX que importa registar. São exemplo o Moinho da Costa, datado de 1821. <o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">É curioso que, com o desenvolvimento da indústria de extracção e serração do mármore operada neste século, os moinho – de água e de vento – tenham servido como força motriz para serrar os grandes blocos de pedra. A comprová-lo estava uma inscrição, ainda existente em 1953, que dizia o seguinte; «Fabrica movida a vento de Serração de Pedra e Moagem, de Joaquim V. Albogas. Ano de 1898».<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Durante o século XIX e inícios do século XX, surgem obras de decoração das fachadas das casas saloias da região, peças feitas por canteiros também da região, destacando-se os óculos e os relógios de sol, identificados num estudo de Isabel Maria Mendes Xavier e José Valente Lopes, intitulado <i>«Cantaria grossa ornamentada na sub-área saloia da região de mármores de Montelavar – Pêro Pinheiro (Concelho de Sintra)», </i>publicado no livro <i>Etnologia da Região Saloia – A Diversidade do Quotidiano, </i>reunião das comunicações apresentadas ao I Colóquio de Etnografia da Região Saloia em 1993.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Sobre o trabalho da pedra durante os séculos XIX e XX e a relação entre esta região e a capital, dizem estes investigadores: «Sem a cantaria vinda da região saloia, em especial o mármore lioz, os calcários vermelhos e rosas da subregião de Montelavar-Pêro Pinheiro e a pedra chanfana, amarela e mole, Lisboa não se teria construído de igual modo, e teria certamente outro aspecto. Por outro lado, sem a capital, a região saloia não conteria espaços e populações especializadas nesse tipo de produção e por via disso apresentaria manualmente menos variedade e riqueza de cantaria. A região de mármores de Montelavar-Pêro Pinheiro, em virtude da quantidade e melhor qualidade da sua pedra, o lioz e os diversos vermelhos, rosas e amarelos, foi a área que se transformou e especializou na lavra da pedra, sobretudo na segunda metade do século XIX, relegando a actividade agrícola para simples complemento económico.» De facto, estes elementos decorativos da arquitectura popular saloia estendem-se um pouco por toda a região.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">No que concerne à Freguesia de Montelavar, estes autores identificam vários relógios de sol – em Montelavar, Maceira, Bombacias e Mastrontas – bem como óculos, elementos utilizados para fornecer luz ao interior das casas, e outros elementos decorativos, cantarias, pias e piais, num verdadeiro mostruário da arte de canteiro tão célebre na região.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Nos finais do século XIX, mais precisamente em 1890, nasce em Montelavar outra instituição que iria marcar, até aos nossos dias, o percurso social e cultural da freguesia – a Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense. Reinava, portanto, D. Carlos I quando nasceu esta agremiação. Diz a tradição, à falta de estudo mais apurado, que terá nascido a partir das manifestações culturais de rua, nomeadamente as típicas cegadas carnavalescas que marcavam essa época festiva por toda a região. Mas este movimento associativo tem, nesta época, em Montelavar uma forte conotação social. O operariado, já bastante atento aos seus direitos e organizado em sindicatos e grémios, ganhava terreno no panorama político e social de então, cujos ideais eram nitidamente pró republicanos. A Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense terá comportado, na sua génese, essa tradição e esse idealismo dos operários da região.<br />
</p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Quando chegou a República, encontrou nas gentes da Freguesia de Montelavar um forte apoio e solidariedade. Aliás, Montelavar terá mesmo festejado o nascimento da República em Portugal um dia antes, a 4 de Outubro de 1910.<br />
</p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><!--[if gte mso 9]><xml>  <u9:worddocument>   <u9:view>Normal</u9:View>   <u9:zoom>0</u9:Zoom>   <u9:hyphenationzone>21</u9:HyphenationZone>   <u9:compatibility>    <u9:breakwrappedtables/>    <u9:snaptogridincell/>    <u9:wraptextwithpunct/>    <u9:useasianbreakrules/>   </u9:Compatibility>   <u9:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u9:BrowserLevel>  </u9:WordDocument> </xml><![endif]--><b>A antiga Albergaria e Hospital de Montelavar </b><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A albergaria de Montelavar foi, durante séculos, uma das mais importantes instituições sociais do concelho de Sintra. A sua acção estendeu-se, pelo menos, por cerca de seiscentos anos, vocacionada para o apoio aos mais necessitados e para a assistência médica à população, não só da região da freguesia mas, igualmente, a muitas outras pessoas oriundas das freguesias vizinhas, incluindo algumas do actual concelho de Mafra.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A Albergaria de Montelavar funcionava em pleno já no longínquo ano de 1348 e, muito provavelmente, graças ao testamento de dona Quitéria e às rendas vindas daí, progrediu e melhorou os seus préstimos, numa assistência social continuada por vários séculos. Isso o comprova, em certa medida, o <i>«Tombo e medição das propriedades da Albergaria»</i>, efectuado, em 1680, pelo provedor da Comarca de Alenquer, à qual o concelho de Sintra pertencia na época. Oferece-nos, também, este documento, a localização das <i>«cazas do hospital»</i>, bem como das <i>«cazas da albergaria » </i>e ainda <i>«a Caza do spirito Santo»</i>, todas elas em separado, muito embora unidas em propriedades que partiam umas com as outras.<br />
</p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Mas, por outro lado, nada nos diz quanto ao funcionamento da instituição. Daí para diante, os documentos referentes à Albergaria e Hospital de Montelavar são escassos e referemse, na sua maior parte, a eleições para a Mesa da Confraria. Conhece-se uma acta de 1798, mais precisamente de 19 de Março desse ano, onde os confrades se reuniram <i>«em as cazas dos acordos»</i>, com o fundamento de <i>«elegerem aos ofisiaes que hande servir no dito Hospital», </i>e assim se procedeu, onde se <i>«emlegerão para Juis Joze Francisco Franco do lugar de Montelavar para procurador Roque Jorge do dito lugar para Provedor Francisco Luis do dito lugar de Montelavar.» </i>Também há nota de eleições em 1829 para os corpos gerentes do Hospital, com acta lavrada no dia 1 de Novembro desse ano, onde <i>«em Meza redonda se procedeo a Elleição e nomeação de novos oficiais que hão de servir no mesmo hospital o prezente anno e receber os juros e foros do anno preterito de mil oito centos e vinte oito isto segundo o seu louvavel costume e logo elegerã para Provedor a Manoel Pedrozo e para Juiz a Francisco Luis Caetano ambos de Montelavar e para Procurador o Reverendo Padre Francisco Luis de Pero Pinheiro os quais todos forão aprovados a mais vottos e feita assim a dita Elleição a houverão por boa firme e valioza».</i></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><!--[if gte mso 9]><xml>  <u10:worddocument>   <u10:view>Normal</u10:View>   <u10:zoom>0</u10:Zoom>   <u10:hyphenationzone>21</u10:HyphenationZone>   <u10:compatibility>    <u10:breakwrappedtables/>    <u10:snaptogridincell/>    <u10:wraptextwithpunct/>    <u10:useasianbreakrules/>   </u10:Compatibility>   <u10:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u10:BrowserLevel>  </u10:WordDocument> </xml><![endif]--><b>II. Do Património Cultural e outros Locais de Interesse Igreja Matriz de Montelavar </b><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Nos seus primórdios, a igreja de Montelavar seria dedicada a Santa Maria, não se sabendo, ao certo, qual a data da sua fundação, embora já existisse em 1348. Datam do primeiro quartel do século XVI as obras da actual Igreja de Montelavar e que, também por essa altura, muito provavelmente em simultâneo com a criação da paróquia e freguesia, deve ter mudado a epifania para Nossa Senhora da Purificação.<br />
</p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Actualmente, a igreja matriz tem uma fachada lateral com um curioso alpendre, ostentando ainda um relógio de sol datado de 1813. No interior, de uma só nave, destaca-se a capela-mor de traça manuelina. O harmonioso conjunto inicia-se no arco triunfal, gótico, decorado a rosetas, prolongando-se pela capela, forrada a azulejos do século XVII e coberta por uma abóboda de dois tramos, assente em mísulas. Nas paredes da nave correm lambris de azulejos tipo tapete. Conserva um altar a Nossa Senhora da Piedade datado de 1789. Infelizmente, terá desaparecido uma pintura quinhentista que representava São Martinho, Santa Luzia e Santa Catarina, que muito enriqueceria o espólio desta igreja, que conta, ainda, com uma grande cruz processional e um crucifixo, datados do século XVIII.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A festa litúrgica celebra-se a 2 de Fevereiro – também chamada festa de Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz – e comemora a Purificação da Virgem Maria após o nascimento de Jesus Cristo.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>Cruzeiro de Montelavar </b>– Data do início do século XVIII o Cruzeiro de Montelavar que, ainda hoje, pode ser admirado no largo da sede de freguesia, datado de 1714.<br />
</p>
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<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>Capela do Espírito Santo </b>– A sua fundação permanece um enigma, por falta de documentação que a comprove. Contudo, a Confraria de Santa Maria, que administrava o Hospital e Albergaria de Montelavar, já realizava o <i>«vodo de Santo Esprito»</i>, no distante ano de 1348. Ao certo, sabe-se que existiam as casas do Espírito Santo em 1680, embora a traça que a capela apresenta actualmente seja nitidamente setecentista, muito provavelmente saída de uma petição que os confrades da Albergaria solicitaram, em 1753, para erguerem capela própria e terem capelão às suas custas. A encimar a porta principal, destaca-se um delta radiante – o Olho de Deus – e a pomba do Espírito Santo. Em frente da fachada, existe um cruzeiro datado de 1774.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>Cruz da Moça – </b>Sobre a Cruz da Moça, a lenda e a história confundem-se entre a verdade e a tradição popular. Diz o povo que ali terá sido assaltada, violada e morta uma moça nos tempos da Guerra Civil entre liberais e absolutistas, muito embora a data do monumento seja posterior a esse período. O modesto monumento, em pedra da região, tem 95 cm de altura por 46 de largura. Em relevo, uma cruz sobre peanha. A cruz, com 53 cm de altura, tem arredondados convexamente os ângulos da sua parte mais alta e extremidades dos braços. Na peanha, que tal como os braços da cruz e o seu topo, atinge os limites da pedra e tem 42 cm de altura, estão gravadas as letras P.N.A.M. (Padre Nosso Avé Maria) e a data de 1845.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>Fonte da Sigueteira – </b>Esta <!--[if gte mso 9]><xml>  <u11:worddocument>   <u11:view>Normal</u11:View>   <u11:zoom>0</u11:Zoom>   <u11:hyphenationzone>21</u11:HyphenationZone>   <u11:compatibility>    <u11:breakwrappedtables/>    <u11:snaptogridincell/>    <u11:wraptextwithpunct/>    <u11:useasianbreakrules/>   </u11:Compatibility>   <u11:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u11:BrowserLevel>  </u11:WordDocument> </xml><![endif]-->singela fonte, de águas límpidas que correm ininterruptamente, a fazer lembrar o derrame de lágrimas ou a passagem irreversível do tempo, está situada junto aos <i>lapiás </i>da Maceira e ostenta a data de 1788. Bem recuperada, forma com o conjunto de afloramentos rochosos e o bosque típico da região, um recanto aprazível que importa visitar.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>Pedra da Figueira – </b>Na típica aldeia de Maceira, bem no meio de um largo, ergue-se um curioso afloramento rochoso, a que o povo deu o nome de Pedra da Figueira, já que, do cimo da rocha, nasceu uma ancestral figueira.<br />
</p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>Lapiás da Granja dos Serrões – </b>É um dos campos de lapiás mais importantes do país e uma das mais importantes estações arqueológicas do concelho de Sintra, que levantou materiais desde o século I d.C. até ao século XI, num singular registo da permanência humana na região.</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><!--[if gte mso 9]><xml>  <u12:worddocument>   <u12:view>Normal</u12:View>   <u12:zoom>0</u12:Zoom>   <u12:hyphenationzone>21</u12:HyphenationZone>   <u12:compatibility>    <u12:breakwrappedtables/>    <u12:snaptogridincell/>    <u12:wraptextwithpunct/>    <u12:useasianbreakrules/>   </u12:Compatibility>   <u12:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u12:BrowserLevel>  </u12:WordDocument> </xml><![endif]--><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>Lapiás de Maceira </b>– De dimensão mais reduzida que o seu congénere da Granja dos Serrões, o campo de lapiás de Maceira situa-se junto à Fonte da Sigueteira.<br />
</p>
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<br /><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>Moinho da Costa </b>– É um dos muitos edifícios que simbolizam a arquitectura popular saloia da região, situando-se próximo da aldeia de Anços. A comprovar a sua ancestralidade, lá está a data de 1821.</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><!--[if gte mso 9]><xml>  <u13:worddocument>   <u13:view>Normal</u13:View>   <u13:zoom>0</u13:Zoom>   <u13:hyphenationzone>21</u13:HyphenationZone>   <u13:compatibility>    <u13:breakwrappedtables/>    <u13:snaptogridincell/>    <u13:wraptextwithpunct/>    <u13:useasianbreakrules/>   </u13:Compatibility>   <u13:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u13:BrowserLevel>  </u13:WordDocument> </xml><![endif]--><b>III. Da Caracterização Demográfica </b><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">O território que constitui hoje a Freguesia de Montelavar teve uma ocupação humana continuada, desde os tempos mais remotos até à actualidade, numa presença sempre constante que contribuiu, em muito, para a consolidação do <i>espírito do lugar</i>. Grande na sua dimensão territorial, até 1988, altura em que a povoação de Pêro Pinheiro é constituída sede de freguesia e o território se fragmenta, a Freguesia de Montelavar viu a sua população crescer paulatinamente.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Ordenado por Carta Régia de D. João III surge-nos, em 1527, o primeiro <i>censos </i>conhecido. Em relação ao território da Freguesia de Montelavar, eram apontadas duas vintenas: a de Montelavar (que englobava vários casais em redor) e a de Cortegaça. Mas as vintenas de Mastrontas e de Armez também englobavam povoações pertencentes à Freguesia de Montelavar, embora não haja descrição pormenorizada dos lugares que compunham cada vintena.<br />
</p>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">
<br /><o:p></o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<div style="text-align: justify;">  </div>
<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Outro documento que apresenta uma perspectiva populacional de Sintra e, por acréscimo, da freguesia de Nossa Senhora da Purificação de Montelavar, é conhecido pelo nome de <i>«Calçadas de Runa» </i>e data de 1728. Em 1758, três anos após o terramoto e, certamente, por causa da devastação que essa catástrofe provocou no reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, mandou efectuar as chamadas <i>«Memórias Paroquiais»</i>, um interrogatório muito completo enviado aos párocos para que estes inquirissem a população e respondessem com o maior rigor e celeridade possível. <o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Em 1838, era publicada a <i>«Cintra Pinturesca»</i>, livro pioneiro na historiografia sintrense e escrito pelo Visconde de Juromenha, onde se encontram dados sobre a população da freguesia de Montelavar. Dentro do território da freguesia, a povoação de Montelavar era a maior de todas, com 112 fogos, seguindo-se Maceira com 69 e Pêro Pinheiro com 40.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Em 1970, a Freguesia de Montelavar tinha 7.399 habitantes, dos quais 3.847 homens e 3.552 mulheres. Era a mais populosa de todas as freguesias rurais do concelho de Sintra, apenas ultrapassada pelas chamadas freguesias urbanas de Rio-de- Mouro, Algueirão-Mem Martins, Agualva-Cacém, Belas e Queluz. <o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A 11 de Março de 1988, com a criação da Freguesia de Pêro Pinheiro, Montelavar perdia grande parte do seu território e, consequentemente, da sua população. Segundo os dados dos <i>Censos</i>, Montelavar tinha 3.633 habitantes, em 1991, e 3.650, em 2001. Contudo, e segundo estimativas recentes, a população da freguesia terá aumentado já de forma exponencial, calculando- se o seu número muito próximo dos 6.000 habitantes.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>IV. Dos Equipamentos Colectivos </b><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">No que respeita aos requisitos exigidos pelo artigo 12.º da Lei n.º 11/82 de 2 de Junho, a povoação de Montelavar cumpre-os integralmente, porquanto, na área dos equipamentos colectivos, conta com uma farmácia, um centro socio-cultural, um auditório, com capacidade para 330 pessoas, um Pavilhão gimnodesportivo municipal, um centro desportivo multiusos, transportes públicos, posto de correios, estabelecimentos comerciais, uma escola do 2º e 3º ciclos do ensino básico, uma escola do 1º ciclo do ensino básico, agência bancária e quartel de Bombeiros Voluntários. Possui, ainda, um jardim-deinfância da rede pública, um Centro Paroquial, um Centro de Convívio para Idosos, um parque infantil, bem como um mercado municipal e um cemitério. Ainda em construção, está <!--[if gte mso 9]><xml>  <u14:worddocument>   <u14:view>Normal</u14:View>   <u14:zoom>0</u14:Zoom>   <u14:hyphenationzone>21</u14:HyphenationZone>   <u14:compatibility>    <u14:breakwrappedtables/>    <u14:snaptogridincell/>    <u14:wraptextwithpunct/>    <u14:useasianbreakrules/>   </u14:Compatibility>   <u14:browserlevel>MicrosoftInternetExplorer4</u14:BrowserLevel>  </u14:WordDocument> </xml><![endif]-->também um Centro Comunitário, com as valências de Lar, Centro de Dia e Apoio Domiciliário.<br />
</p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>V. Das Actividades Económicas </b><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Apesar de ser considerada uma freguesia rural, Montelavar é, fundamentalmente, uma região industrial. A exploração, o corte, a cantaria e o trabalho artístico das rochas ornamentais, com particular destaque para o mármore, fizeram de Montelavar um dos grandes centros desta indústria, tanto no plano nacional como internacional.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">A arte funerária é um dos segmentos de mercado fortemente procurado em Montelavar, quer para o mercado interno, quer externo. O trabalho dos canteiros é, cada vez mais, valorizado e procurado para trabalhos artísticos, assim como o de assentamento de mármore. A escultura tem, desde há muito, um lugar de destaque em Montelavar, sendo conhecidos os trabalhos dos escultores locais ao longo dos séculos e, com maior ênfase, na actualidade. Em torno da indústria das rochas ornamentais desenvolveram- se outras indústrias a ela associadas, como a metalomecânica, as máquinas e ferramentas, a carpintaria industrial, etc.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">O grande desenvolvimento da construção – que adquiriu ritmos desenfreados sobretudo nos anos sessenta, setenta e oitenta do século XX – na Área Metropolitana de Lisboa, a par de um reconhecimento de qualidade do trabalho de cantaria e dos mármores da zona a nível internacional, que fez aumentar as exportações, veio trazer a Montelavar a modernização das fábricas, a especialização dos seus operários, criando uma dinâmica laboral que se mantém até aos dias de hoje. Montelavar conta, actualmente, com mais de trezentas empresas activas e que empregam cerca de três mil pessoas. Trata-se, sobretudo, de pequenas e médias empresas, embora existam, também, algumas de maior dimensão.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Para além disso, Montelavar conta também com diversas empresas de construção civil e obras públicas, da fabricação de móveis para cozinha e casa de banho e de outros equipamentos para a construção civil. Quanto ao sector do comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos, estão instalados, em Montelavar, dois stands de venda multi-marcas e um concessionário-auto da <i>Mitsubishi.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">No sector do comércio a retalho, estão instalados dois supermercados, diversos minimercados e mercearias, padarias, peixarias, lojas de produtos congelados, de material informático e eléctrico, de materiais de construção, de móveis para cozinha e casa de banho, de carpintaria, de têxteis e vestuário, de artigos de desporto, de rações e alimentos para animais, uma ourivesaria/joalharia/ relojoaria, papelarias e tabacarias, floristas e diversos estabelecimentos do tipo “<i>bazar</i>”. Na área da restauração e similares, Montelavar possui diversos restaurantes, cafés, lojas <i>pronto-a-comer </i>e diversas pastelarias, incluindo duas com fabrico próprio.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Na área dos serviços, existem na localidade diversas agências imobiliárias, agências de seguros, agências de documentação e contabilidade, serviços de informática, diversos salões de cabeleireiro e estética, barbearias, oficinas de reparação de calçado, uma tipografia, agências de lotaria e outros jogos de aposta e uma agência funerária. Existe, ainda, clínica médica e dentária, laboratório de análises clínicas, um gabinete de acupunctura e um centro de formação em artes manuais.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>VI. Dos Transportes e Acessibilidades </b><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Montelavar possui uma boa rede de transportes públicos e ligações rodoviárias que servem os destinos de Mafra, Sintra e Lisboa. Tem acessibilidade directa à rede de auto-estradas, nomeadamente à A8 e A9 (CREL), através dos Itinerários Complementares IC30, IC16 e IC19 e ligação ao IC21.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>VII. Das Colectividades e Associações </b><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">Em Montelavar, o associativismo histórico das suas gentes fez proliferar, ao longo dos tempos, grande número de associações e colectividades. Para além da “Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense”, onde se desenvolve uma ampla actividade cultural, através de uma escola de música, uma banda filarmónica, uma orquestra ligeira, um grupo de teatro amador – “Grupo Cénico Os Teimosos” – e um grupo coral &#8211; “Cantares do Monte” – existem outras organizações associativas, de âmbito desportivo e recreativo, designadamente: • Clube de Futebol “Os Montelavarenses”; • Grupo “Os Amigos do Norte”; • Associação dos Bombeiros Voluntários da Freguesia de Montelavar; • Comissão de Festas de S. Mateus.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><b>VIII. Das Tradições Religiosas </b><o:p></o:p></p>
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal">São as seguintes as festividades e tradições religiosas que se realizam, anualmente, na povoação de Montelavar: • Festa de Nossa Senhora da Purificação – 2 de Fevereiro; • Procissão do Senhor dos Passos e Celebração da Páscoa; • Festas do Divino Espírito Santo – Junho; • Festa de São Mateus – terceira semana de Setembro.<br />
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<p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"><i>IG/Fonte: Proposta de Lei de Ana Couto, com o apoio da presidente da Junta de Freguesia de Montelavar, Lina </i>Andrês <u6:p></u6:p>  <o:p></o:p></p>
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