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	<title>Jornal de Sintra &#187; Obituário</title>
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	<description>Semanário Regionalista Independente</description>
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		<title>Obituário/Artigo de Opinião</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 11:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Obituário]]></category>

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		<description><![CDATA[M. S. Lourenço – Manuel Lourenço (Sintra, 1936-2009) poeta, filósofo, ensaísta, tradutor e professor sintrense Manuel António dos Santos Lourenço, que assinava com o nome literário M. S. Lourenço, nasceu a 13 de Maio de 1936, na Vila Velha de Sintra, onde viveu toda a vida, excepto quando teve missões a cumprir no estrangeiro, até [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><font size="5"><font style="font-weight: bold;">M. S. Lourenço – Manuel Lourenço (Sintra, 1936-2009) poeta, filósofo, ensaísta, tradutor e professor sintrense </font></font></div>
<p>
<div style="text-align: justify;">Manuel António dos Santos Lourenço, que assinava com o nome literário M. S. Lourenço, nasceu a 13 de Maio de 1936, na Vila Velha de Sintra, onde viveu toda a vida, excepto quando teve missões a cumprir no estrangeiro, até à sua morte, em 1 de Agosto de 2009. Era filho de Manuel António Lourenço e de Maria Alice dos Santos Lourenço. Desde muito jovem, era apaixonado por Filosofia, Literatura, Ciência, Artes, em especial a Música. Licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa (1965), foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Oxford (1965-68), Leitor de Português (1968-1971) nas Universidades de Oxford e de Santa Bárbara (Califórnia, E.U.A.), tendo ainda ensinado na Universidades de Bloomington (Indiana, E.U.A.), e de Innsbruck (Aústria). Era pós-graduado (M.A. – Oxford) e Doutorado (Lisboa) em Filosofia Analítica, tendo-se fixado como professor de Lógica e Filosofia da Matemática, no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras de Lisboa. Dedicou a sua vida à Poesia, à Tradução, ao Ensaio, à Filosofia e ao Ensino. Foi sempre apaixonado por Sintra onde vivia, passeava discretamente, escrevia, e meditava a sua obra.</p>
<p>Como filósofo, além de professor de Filosofia, M.S. Lourenço foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia (1999-2004) e Director da revista de filosofia Disputatio. Publicou, em livro, <font style="font-style: italic;">A Espontaneidade da Razão: A analítica conceptual da refutação do empirismo na Filosofia de Wittgenstein</font> (Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1986) – a partir da sua tese de doutoramento –, <font style="font-style: italic;">Teoria Clássica da Dedução</font> (Assírio e Alvim, 1991). O seu livro <font style="font-style: italic;">A Cultura da Subtileza: Aspectos da Filosofia Analítica</font> (Gradiva, 1995, editado por Desidério Murcho), resultou de diálogos seus no programa Rádio Cultura, da RDP2, com filosófos, homens da cultura e críticos de arte portugueses &#8211; entre os quais, João Bénard da Costa, Sidónio Freitas Branco Paes e João Paes – , sobre Diálogo, Lógica e Metafísica, Estética e Filosofia da Arte. De 2003 a 2008 publicou, com a colaboração de alunos, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – Departamento de Filosofia e Centro de Filosofia –, as suas aulas de Mestrado em Filosofia Analítica, com os títulos <font style="font-style: italic;">Estruturas Lógicas de primeira ordem</font> (2003), <font style="font-style: italic;">Os elementos do programa de Hilbert</font> (2004), <font style="font-style: italic;">Acordar para a Lógica Matemática</font> (2006 – tendo continuado, online, até 2009). Mais recentemente, publicou, sob o pseudónimo Gribskoff, <font style="font-style: italic;">Fundamentos da Matemática</font> – treze artigos escritos em inglês –, na enciclopédia online de matemática PlaneMath (2008-2009).</p>
<p>Como tradutor de filósofos, escolheu grandes autores de longas obras, marcantes para o estudo da Lógica e da Filosofia Analítica, além da sua tradução do teólogo e filósofo Romano Guardini, <font style="font-style: italic;">O Fim dos tempos modernos</font> ( Moraes, 1964). Traduziu William Kneale &amp; Martha Kneale, <font style="font-style: italic;">O Desenvolvimento da Lógica</font> (Fundação Calouste Gulbenkian, 1972, 3.ª edição, 1991, 773 pp. Esgotado), Kurt Gödel, <font style="font-style: italic;">O Teorema de Gödel e a hipótese do contínuo</font> (Fundação Calouste Gulbenkian, 1977, 2.ª edição 2009, 943 pp.) e Wittgenstein, <font style="font-style: italic;">Tratado Lógico-Filosófico* Investigações Filosóficas</font>, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987, 4.ª edição 2008, 611pp.) Pertenceu à chamada geração de <font style="font-style: italic;">O Tempo e o Modo</font>, com António Alçada Baptista, João Bénard da Costa – que também viveu em Sintra mais de cinquenta anos e a quem dedicaremos um artigo em breve –, Alberto Vaz da Silva, Pedro Tamen, Nuno Bragança, entre os principais. Esteve próximo de todos até ao fim, em especial de João Bénard da Costa (falecido em 21 de Maio de 2009). Em <font style="font-style: italic;">O Tempo e o Modo</font>. Revista de pensamento e acção, publicou poemas, ensaios, a tradução da primeira página de uma parte de <font style="font-style: italic;">Finnegans Wake</font> de James Joyce, I 3 (n.º 57/58, pp. 243-244, Lisboa, 1968). O então jovem escritor Almeida Faria publicou, a este propósito, um artigo sobre a tradução de <font style="font-style: italic;">Finnegans wake</font> em português (revista Colóquio- Letras, n.º 23, Janeiro de 1975, pp. 27-31).</p>
<p>Como poeta, publicou em livro, antes de partir para a guerra colonial (1961), na editora Moraes, fundada por António Alçada Baptista, <font style="font-style: italic;">O Desequilibrista</font> (1960), sua obra de estreia, <font style="font-style: italic;">Fora de Colecção</font>. Seguiram-se, na mesma editora, as duas pequenas colectâneas de histórias – <font style="font-style: italic;">O Doge</font> (1963, assinado sob o pseudónimo Arquiduque Alexis-Christian von Rätselhaft und Gribskov – Tradução de M.S. Lourenço –, reeditado, sob o pseudónimo Alexis Von Gribskoff, Fenda, Lisboa, 1998), <font style="font-style: italic;">Ode a Upsala ou Ária detta la Frescobalda</font> (1964), Depois de ter vivido em Oxford, criou uma nova orientação estética e técnica da escrita poética em <font style="font-style: italic;">Arte Combinatória</font> (1971) e <font style="font-style: italic;">Wytham Abbey</font> (1974). Defendeu o labor e o aperfeiçoamento da musicalidade do verso, da arquitectura musical do poema, a procura da capacidade visionária, através da expressão poética, em particular no livro <font style="font-style: italic;">Wytham Abbey</font>.</p>
<p>A obra poético-literária de M.S. Lourenço demarca um lugar difícil de se definir na literatura portuguesa, pela surpreendente aglutinação e desequilíbrio do real, do quotidiano e do surreal, o nonsense, o humor, o permanente filtro da angústia, a crítica, a encenação e a máscara da própria obra, a irreverência, a liberdade, a interrogação, o enigma, os mitos, o mistério, a procura para-mística ou mística, a certeza da morte, a reflexão filosófica, teológica, metafísica, escatológica, a fantasia, o sonho, a constante criação, recriação e aperfeiçoamento de linguagens, inúmeras alusões culturais, palavras em várias línguas, convergindo na meditação da própria língua portuguesa.</p>
<p>Em <font style="font-style: italic;">Pássaro Paradípsico</font> (Perspectivas e Realidades, Lisboa, 1979) – com ilustrações de Mário Cesariny – cada verso é uma palavra e cada poema construído à maneira de uma composição musical. Em <font style="font-style: italic;">Nada Brahma </font>(Assírio e Alvim, 1991), obra escrita em verso e integrando um texto dramático – retomando o caminho traçado por <font style="font-style: italic;">O Desequilibrista</font> –, procura realizar o ideal da poesia como arte musical, decantando ao extremo a procura do essencial dos seus universos, na poesia que é, na poesia que a si própria se pensa., lembrando o princípio aristotélico do “pensamento que a si próprio se pensa”. A poesia ainda expressão e voz do silêncio, a poesia como som – <font style="font-style: italic;">Nada</font>, em sânscrito – do Todo, Deus – <font style="font-style: italic;">Brahma</font>, em sânscrito. O músico e jornalista alemão Joachim-Ernst Berendt (1922-2000) tem um livro com um título idêntico: <font style="font-style: italic;">The world is sound: Nada Brahma: Music and the landscape of consciousness </font>(Inner Traditions, Rochester, Vermont, EUA).</p>
<p>Apesar de algumas afinidades com o classicismo num sentido lato, o surrealismo, o pós-simbolismo e o neo-construtivismo, a poética de M.S. Lourenço seguiu um caminho individual, solitário, perseverando na procura, a um tempo, de liberdade, contenção e abertura no pensamento e na palavra.</p>
<p>Os ensaios que publicou na revista <font style="font-style: italic;">Colóquio-Letras</font> e as crónicas que publicou no semanário <font style="font-style: italic;">O Independente</font> estão reunidos no livro <font style="font-style: italic;">Os Degraus do Parnaso</font> (Assírio e Alvim, 1991, 2.ª edição integral, 2002) –, distinguido com o prémio Dom Dinis, da Fundação Casa de Mateus, em 1991. Nesta obra de referência para o ensaio, a cultura e a literatura portuguesa do século XX, pela pertinência e variedade dos temas abordados, a meditação sobre a vida, a filosofia e a arte, as interrogações, a actualidade e a crítica, vigora a procura de reformulação narrativa do mesmo ideal da escrita como arte musical.</p>
<p><font style="font-style: italic;">Pássaro Paradípsico</font>, os livros de filosofia e as traduções de livros filosóficos estão assinados por Manuel Lourenço.</p>
<p>Manuel António dos Santos Lourenço foi galardoado com a Grã Cruz da Ordem de Santiago de Espada, a Cruz de Honra de I Classe da República da Aústria. Foi homenageado, na sua presença, em 2006 e 2007. Em 2006 – ano da jubilação como professor catedrático -, na Faculdade de Letras de Lisboa -, com Maria de Lurdes Ferraz, no âmbito da cadeira de Teoria da Literatura, tendo, na sessão de homenagem, argumentado sobre a necessidade de um curso de Lógica para o estudo da Teoria da Literatura. Em Maio de 2007, no Palácio Valenças, em Sintra, no III Encontro de História de Sintra, numa conferência de Liberto Cruz poeta e crítico literário sintrense das sua geração (Sintra, 1935) – sobre a sua obra poética, intitulada “M.S. Lourenço, o Desequilibrista definitivo”, e numa exposição bibliográfica da sua obra poético-literária, por nós organizada.</p>
<p>Numa longa entrevista de Miguel Tamen – publicada em A.M. Feijó &amp; Miguel Tamen (eds.) <font style="font-style: italic;">A Teoria do Programa</font>. <font style="font-style: italic;">Uma homenagem a Maria de Lourdes Ferraz e M.S. Lourenço</font>. Lisboa: Programa em Teoria da Literatura. 2007. Pp 313-364 – M. S. Lourenço esclarece aspectos cruciais do seu itinerário intelectual, não omitindo a inexistência do seu gosto pela discussão pública, o facto de a sua obra ser praticamente desconhecida do público. A<font style="font-style: italic;"> Autobiografia</font>, ainda inédita, anunciada por Liberto Cruz, na conferência acima referida – publicada <font style="font-style: italic;">online, www.ala gamares.net</font> –, permitirá novas achegas para a compreensão da sua vida e obra. M. S. Lourenço deixou no prelo a <font style="font-style: italic;">Obra Completa</font> poético- literária, que foi lançada no dia 28 de Outubro, 4.ª feira, às 18 horas, na sala 5.2 da Faculdade de Letras de Lisboa e em cujo título – <font style="font-style: italic;">O Caminho dos Pisões</font>- edição de João Dionísio, Assírio e Alvim, 2009 (687 páginas) – faz convergir o seu caminho pessoal como escritor e a presença de Sintra – Caminho dos Pisões é o nome antigo de um caminho da Vila Velha de Sintra. Esta obra, como outras, é dedicada aos seus pais. Obra rara de um autor raro, na complexidade e profundidade dos seus mundos, escrita com notável mestria da língua portuguesa, uma presença no panorama da literatura, filosofia, ensino da filosofia, da cultura em língua portuguesa de um humanista do século XX. Autor internacional e sintrense até ao fim, dedicou a sua vida à sua obra de poeta, filósofo, professor, ensaísta e tradutor, além dos vastos mundos de procuras na cultura espraiada em Artes, Letras e Ciências. Esperemos que a sua obra seja mais conhecida das gerações actuais e vindouras.</p>
<p>Está patente na Sala de Referência da Biblioteca Nacional, Lisboa, uma exposição – mostra bibliográfica sobre M.S. Lourenço, de 12 a 31 de Outubro (2.ª a 6.ª feira das 9h30m às 19h30m; sábados das 9h30m às 17h30m), intitulada <font style="font-style: italic;">O Sopro sopra onde quer</font>. O Jornal de Sintra publicou, em Maio de 2007, um artigo de nossa autoria, “Liberto Cruz – Regresso às origens” (Janeiro de 1996) e outro sobre “ Liberto Cruz e M.S. Lourenço, dois poetas sintrenses (Maio de 2007). Sempre foi nosso intento fazer homenagens em vida. Liberto Cruz, com a sua comunicação e nós com a exposição bibliográfica, cumprimos o belo dever de homenagearmos o nosso conterrâneo M. S.Lourenço em vida, no Palácio Valenças, na sua presença, com o prazer de o vermos visivelmente satisfeito. Não sabíamos que era a última vez que o veríamos. Que Sintra saiba preservar a sua memória.</p>
<p>Helena Langrouva<br />Sintra, 11 de Agosto de 2009<br />Artigo publicado em Agosto on line – www.triplov.com, actualizado em Outubro de 2009</div>
<p></p>
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		<title>Sintra</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 10:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Obituário]]></category>

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		<description><![CDATA[Tributo Humílimo Jornal de Sintra, de 2 de Outubro o p. p. deu-me uma notícia menos boa. Mestre Ernesto Neves faleceu. Para sua família profundas e sentidas condolências, mas perdoem-me, para mim o ilustre artista só fisicamente desapareceu! Quem deixa amor, lastro e obra morre? – Não! Nunca!! Habituei-me a olhar para ver as suas [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><font size="5"><span style="font-weight: bold;">Tributo Humílimo</span></font></p>
<p>Jornal de Sintra, de 2 de Outubro o p. p. deu-me uma notícia menos boa. Mestre Ernesto Neves faleceu. Para sua família profundas e sentidas condolências, mas perdoem-me, para mim o ilustre artista só fisicamente desapareceu! Quem deixa amor, lastro e obra morre?</p>
<p>– Não! Nunca!!</p>
<p>Habituei-me a olhar para ver as suas pinturas há largos anos. Foi tocado pela mão de Deus&#8230; vejam caros leitores do Jornal de Sintra, os quatro grandes painéis à entrada, à esquerda – na Biblioteca Municipal de Sintra &#8211; Casa Mantero – e confirmem. Estão lá todos os ex-líbris de Sintra &#8211; Terra do Mundo: Palácio Nacional de Sintra, Palácio Nacional da Pena, Castelo dos Mouros, Quinta da Regaleira, Palácio de Monserrate, Palácio de Seteais e trecho da Vila de Sintra.</p>
<p>Parece que os Monumentos estão empoleirados em relevo! Tudo está entrelaçado.</p>
<p>Onde se encontram há um casamento feliz!, sendo as pinturas poderosas, a Biblioteca Municipal, como fonte ilimitada de sabores e saberes&#8230; é poderosíssima.</p>
<p>Há luas vi o Mestre no Roseiral – S. Pedro de Sintra – estendi-lhe a mão e atirei:<br />– Que nunca lhe doa a inspiração!, e a sua mão!<br />– Então&#8230;<br />– Desejo-lhe Mestre Ernesto Neves, que pinte, pinte até que nunca lhe acabe a vontade de criar!<br />Sorriu e fez ligeiro assentimento com a cabeça de cabelos com fios de prata e dentes de iluminar.<br />– Saiba que também me ensina a pintar&#8230;<br />– Como assim?<br />– Frequentei a escola de Artes Decorativas António de Arroio, e, vendo tanta Arte saída de suas mãos!, vou aperfeiçoando os meus bonecos.<br />– Logo de manhã, receber um espiche destes&#8230; obrigado.</p>
<p>Em Novembro do passado ano, a Galeria do Museu Regional de Sintra – Vila Velha – (vale bem o tempo visitar as suas exposições itinerantes) dedicou o seu espaço ao pintor – “Do outro lado da Máscara”, exposição de pintura e cerâmica. Tomei contacto com a cerâmica pela primeira vez. “Ernesto Neves &#8211; As Máscaras do Outro Lado da Máscara (&#8230;) pinta a sobrevivência, do outro lado da máscara, retrata o seu próprio retrato e o de figuras intemporais relativamente reconhecíveis, nas quais se projecta, transferindo, das cores do medo e da esperança, para formas estilizadas, simbólicas e caricaturais, (&#8230;) o dramatismo autêntico das suas duras e empolgantes vivências, restringidas pela condição humana. O “outro lado da máscara” é (&#8230;) o símbolo autêntico de um grito surdo. Um acto transparente&#8230; de identificação: a forma prevalecente da assinatura de Ernesto Neves, (&#8230;) representando, às escondidas, a genuinidade abstracta duma guerra concreta, pondo lado a lado a sua e a efígie carnal dos espíritos da natureza, de deuses, antepassados, seres sobrenaturais (&#8230;).</p>
<p>E terá sido, por certo, algo dessa mística, (&#8230;) que fulcralmente, (&#8230;), inspirou o vívido contraste que Ernesto Neves estabelece, com o balanço da sua caligrafia (des)comprometida perante o mutismo expressivo das máscaras e dos rostos, ocultos, ou dos vultos, semiperceptíveis pela carga cromática da sua paleta, que escancara as gargalhadas silenciosas e grotescas, das bocas estáticas e dos olhos sem olhar, marcados pelo rictus negligente, automático e rasgado, das marcas com que cada máscara (d)escreve o lado oculto do ensimesmamento, da mágoa mais misteriosa, das saudades do futuro&#8230; e da solidão” – José-Luís Ferreira (extracto condensado e adaptado pelo autor, do texto inédito pró-prefácio do catálogo da exposição). Havia na exposição um filme a decorrer com passagens da Vida e Obra de Mestre Ernesto Neves, vi e revi o vídeo e&#8230; dou por mim comovido até à emoção. Retornei, também na secreta esperança de dar um Bom Apertão do Mestre. Estava escrito nas estrelas que não seria&#8230; ainda.</p>
<p>As pinturas estavam lá bem casadas, a respirar, transpirar,&#8230; Apreciação?</p>
<p>– Lindíssimo! Deixei lavrado no Livro de Honra, toda a minha comoção de Alegria. Se não deixei escrito, escrevo agora: Amo a sua Obra! Somos uns cobardes, só fazemos tributos aos Homens, quando estes partem para outras paragens&#8230; porquê?</p>
<p>Querido Mestre Ernesto Neves<br />’stejas onde ‘stiveres<br />pinta o que quiseres<br />e não sintas tudo<br />parado<br />quando ‘stejas a pintar a pensar/e meditar,<br />pinta que tudo passa<br />tua pintura Abraça<br />tua pintura fica<br />pinta depressa p’ra Sintra, a<br />Camélia mais bonita! Gratíssimo.</p>
<p>Bem-Haja. Até sempre.<br />Até à Eternidade!!<br />Sintra, 9 de Outubro de 2009</div>
<p></p>
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		<title>Obituário</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 11:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Obituário]]></category>

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		<description><![CDATA[M. S. Lourenço Da palavra à música Falecido em Agosto – mês de todas as ausências –, não foi feita nos jornais a homenagem pública que M. S. Lourenço merecia, tanto pela dimensão da sua obra filosófica (verdadeiramente, o introdutor da lógica matemática na Faculdade de Letras de Lisboa, após os estudos relativamente amadores de [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>
<div style="text-align: justify;"><font style="font-weight: bold;">M. S. Lourenço</font></p>
<p><font size="5"><font style="font-weight: bold;">Da palavra à música</font></font></p>
</div>
<div style="text-align: justify;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/__J7f0xmW04k/Ss9DAoEhQ9I/AAAAAAAAA9Y/1TcADxOCWjc/s1600-h/mslourenco.png"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 257px;" src="http://1.bp.blogspot.com/__J7f0xmW04k/Ss9DAoEhQ9I/AAAAAAAAA9Y/1TcADxOCWjc/s320/mslourenco.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390600957021209554" border="0"></a>Falecido em Agosto – mês de todas as ausências –, não foi feita nos jornais a homenagem pública que M. S. Lourenço merecia, tanto pela dimensão da sua obra filosófica (verdadeiramente, o introdutor da lógica matemática na Faculdade de Letras de Lisboa, após os estudos relativamente amadores de Francisco Vieira de Almeida em Lisboa e Edmundo Curvelo em Coimbra), quanto pela absoluta singularidade da sua obra literária. No que diz respeito a Sintra, não hesitamos em afirmar ter sido M. S. Lourenço, sobretudo no seu último livro de poesia, <font style="font-style: italic;">Nada Brahma</font>, um dos seus mais excelentes cantores na segunda metade do século XX, tema a que voltaremos num segundo artigo sobre este autor dedicado exclusivamente a Sintra.</p>
<p>Participante da revista histórica <font style="font-style: italic;">O Tempo e o Modo</font>, autor integrado na célebre colecção “Círculo de Poesia”, dirigida por Pedro Tamen, na editora Moraes, cúmplice da geração de “Poesia 61” (Gastão Cruz, Maria Teresa Horta, Fiame Hasse Pais Brandão, Alice Neto Jorge, E. M. Mello e Castro…), M. S. Lourenço deve ter sido, porventura, o autor (poesia e narrativas proso-poéticas) mais singular da geração de escritores que emerge publicamente ao longo da década de 1960, criador de um universo filosófico-literário absolutamente individualizado, uma espécie de mónada literária sem mestres nem discípulos. De comum com os escritores da época, apenas a vontade de desconstrução das categorias clássicas da escrita, que os seus estudos sobre Godel, Wittgenstein, Nietzsche e Freud posteriormente fundamentariam, conduzindo-o a um cepticismo recatado e a uma exposição pública resguardada, não raro atribuídos, por ignorância de muitos, a um elitismo social inglês ou aristocratismo. M. S. Lourenço deve a sua peculiaridade no universo literário português à fundamentação filosófica do seu trabalho poético e narrativo, confundido pelos comentadores com um simples vanguardismo experimentalista ou um surrealismo serôdio, que está muito, muito longe de esgotar a dimensão conceptual que animou o seu trabalho literário.</p>
<p>Com <font style="font-style: italic;">O Desequilibrista</font> (1960), M. S. Lourenço evidencia a contestação da identificação da Fé com a Verdade e, filosoficamente falando, da contestação da existência de uma verdade inconsútil. Esta dupla contestação é poeticamente afirmada através da refutação do império da gramática racionalista assente na lógica aristotélica e port-royalina. Porém, face à impossibilidade de escrever (e falar) senão assente nesta gramática, mãe do pensamento ocidental, M. S. Lourenço expõese neste livro como um “acrobata” (“Ode para João Baptista”, p. 24), equilibrando-se entre os acertos e os desacertos do mundo, por si próprio ajudando (pelo poema, pela palavra) a “desequilibrá-lo”, a resgatar a antiga “via simples” (o amor) contra a “sintaxe”, isto é, contra o domínio do mundo fundado na lógica (p. 11). Em <font style="font-style: italic;">O Doge</font> (1962), publicado com o pseudónimo Arquiduque Alexis-Christian von Ratselhaft und Gribskov, é reiterado o anterior universo céptico, o mundo apresentado como um jogo lúdico de consciências individuais, mesmo caprichosas, isto é, irracionais, e os contos (a literatura) evidenciados como espelho amplificado de um inconsciente ilógico reitor do mundo.</p>
<p>Em 1971, M. S. Lourenço publica <font style="font-style: italic;">Arte Combinatória</font>, livro que explora a impossibilidade de relação transparente entre a palavra e a realidade, como o expõe o primeiro poema: um mecanismo (a lógica; a sintaxe; o desejo de ordem e de domínio) liga as palavras entre si, prestando sentido à frase entre o “interior” (a consciência) e o “exterior” (a realidade). Porém, a via legítima (como a “via simples” em <font style="font-style: italic;">O Desequilibrista</font>) reside na da intuição unitiva (“toco o chão pulveriza- se o sentido” lógico, p. 12), substituindo e destruindo a relação aristotélica entre a palavra, o substantivo gramatical, o sujeito lógico e a substância ontológica: linguagem, gramática, lógica e ontologia – os quatro pilares conceptuais da nossa civilização – são assim destruídos pelo poema e pelo poeta, que, em compensação, louva a intuição sensível do real (quando a realidade ainda não possui “sentido”, p. 12), apresentando o pensamento, ao modo nietzschiano, como uma deformação ou um desequilíbrio do real. <font style="font-style: italic;">Arte Combinatória</font> significaria, assim, a possibilidade de combinar palavras contra o sentido lógico e ontológico por que a realidade se dá a conhecer nos quadros categoriais da civilização ocidental, desmontando- os e evidenciando a literatura como arte subversiva das regras fundamentais do nosso mundo costumeiro. Com <font style="font-style: italic;">Pássaro Paradípsico</font> (1979), dividido em três momentos diários (Noite, Manhã, Tarde), ilustrado com três quadros de Mário Cesariny, inicia-se a segunda fase da sua poesia, pela qual o antigo valor dado à palavra como exaltação subversiva do mundo é substituído pelo privilégio dado à música. Um dos mais intrigantes livros de poesia-prosa publicados na segunda metade do século XX em Portugal, em <font style="font-style: italic;">Pássaro Paradípsico</font> M. S. Lourenço anuncia a sua morte “afectiva”. Teria morrido no dia 15 de Janeiro de 1973, em Dorchester, Oxfordshire, Inglaterra. Durante um “banho de água quente”, o seu corpo ter-se-ia transformado no que verdadeiramente era: uma “truta”. “As suas escamas caíram uma a uma e foram finalmente engolidas pelos esgotos do condado. Jaz no estrume de Dorchester com a esperança de se tornar num cacto” (contracapa). Face à anterior frustrada subversão do mundo pela palavra (1ª fase), M. S. Lourenço, como o clássico aforismo denota um condensado de sentido do mundo, parece organizar este livro por meio de antiaforismos, evidenciando o sem sentido do mundo. Cruzando três registos mundanos (o vegetal, o animal e o humano), M. S. Lourenço provoca nestes anti-aforismos uma autêntica explosão de subversão semântica do mundo, tornando este livro absolutamente desconcertante, apontando já para a mensagem ínsita no seu último livro, <font style="font-style: italic;">Nada Brahma</font> (Assírio &amp; Alvim, 1991): a intuição como via privilegiada de acesso ao real, denotada nos seus anteriores livros, metamorfoseia-se agora na apercepção musical como captação verdadeira do sentido do mundo. À desconstrução total do sentido do mundo patente em <font style="font-style: italic;">Pássaro Paradípsico</font> segue-se, assim, em <font style="font-style: italic;">Nada Brahma</font>, a sua reconstrução, operada, não pela visão, mas pela audição, e não de novo pela palavra, mas pela arte combinatória da música. O Ser (Brahma) é reconduzido a Nada (o Som, em sânscrito), isto é, à unidade auditiva da realidade. A poesia é, deste modo, quanto à forma, reconduzida ao seu antigo estatuto primordial e originário de rima e de ritmo, toada embaladora e encantatória, despertadora do deleite divino (a Verdade) da consciência, e, quanto ao conteúdo, de rito, isto é, enunciadora litúrgica do passado e do futuro das sociedade, ou, noutras palavras, originadora da religião, como o autor o evidencia nas crónicas recolhidas em <font style="font-style: italic;">Os Degraus do Parnaso</font> (1992). Neste sentido, não nos admiramos que, nesta última fase, exista uma aproximação de M. S. Lourenço à poesia de Camilo Pessanha. Trata-se, agora, de procurar “uma língua mais arcaica” (<font style="font-style: italic;">Nada Brahma</font>, p. 46), uma espécie de canto universal da Terra, que, porém, apenas interiormente a consciência individual ouve e sabe. Deste modo, a Literatura, tanto esteticamente quanto cognitivamente, reganha o seu antigo estatuto de produtora de sentido do mundo, de buscadora de uma verdade iluminadora para o mundo, de que a música, a grande música, é expressão sintética.</p>
<p>Luís Martins</div>
<p></p>
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		<title>Obituário</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 09:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa Sena Sousa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ernesto Neves (1941-2009) Ernesto Neves e os jovens do programa IJOVIP/Jornal de Sintra no fim do curso, em 1989 Faleceu no dia 28 de Setembro, vítima de doença prolongada, o artista plástico Ernesto Neves, reconhecido e estimado em Sintra. Nascido em Lisboa em 1941, dedicou-se à pintura, ao desenho bem como à publicidade, design, artes [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><font style="font-weight: bold;" size="5">Ernesto Neves (1941-2009) </font></p>
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<div style="text-align: center;"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__J7f0xmW04k/SsYEgk1P_qI/AAAAAAAAA50/5fLF34IpEcA/s1600-h/mestre.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 187px;" src="http://2.bp.blogspot.com/__J7f0xmW04k/SsYEgk1P_qI/AAAAAAAAA50/5fLF34IpEcA/s320/mestre.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387998961884724898" border="0"></a>Ernesto Neves e os jovens do programa IJOVIP/Jornal de Sintra no fim do curso, em 1989</div>
<div style="text-align: justify;">Faleceu no dia 28 de Setembro, vítima de doença prolongada, o artista plástico Ernesto Neves, reconhecido e estimado em Sintra.</p>
<p>Nascido em Lisboa em 1941, dedicou-se à pintura, ao desenho bem como à publicidade, design, artes gráficas, tendo também ilustrado e participado na feitura de diversos livros.</p>
<p>Dos seus vários ofícios destaca-se o seu trabalho como gráfico da XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura do Conselho da Europa e os livros ”Uma Tela Igual às Outras”, “Era uma vez&#8230;Histórias Múltiplas” e a adaptação de “Peregrinação – Nesta Caravela Me Em-Barquei Eu”.</p>
<p>Para além de estar representado em inúmeros espaços em todo o país, incluindo na Câmara Municipal de Sintra, na freguesia de Queluz (onde tem exposto um painel de azulejos com cerca de 6000 unidades), no First Portuguese Canadian Comunity Center, no Canadá, entre outros, estão presentes obras suas em mais de 500 colecções particulares, incluindo uma série de telas biográficas do ex-presidente da República Jorge Sampaio, um retrato do actual Presidente, Aníbal Cavaco Silva, bem como de José Saramago, António Guterres, Edite Estrela, entre outros.</p>
<p>O seu Atelier de Artes e Ofícios em Sintra foi o local escolhido para um filme, que faz parte do acervo da Cinemateca Portuguesa &#8211; ANIM, realizado por Álvaro Queiroz.</p>
<p>Em 1997 foi agraciado pela Câmara Municipal de Sintra com a Medalha de Prata de Mérito Municipal. A sua principal ocupação era o ensino de cursos de Desenho, Pintura e Cerâmica no seu Atelier.</p>
<p>A última vez que o Jornal de Sintra esteve com o pintor foi no passado dia 17 de Setembro, aquando da apresentação da obra “Livros da Nossa Vida”, da qual faz parte o seu testemunho que elege o livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marques, como uma obra-prima da literatura contemporânea. Nessa cerimónia foi visível o carinho e consideração com que Ernesto Neves era considerado no meio das artes e das letras de Sintra.</p>
<p>Em 1989 Ernesto Neves deu formação no Jornal de Sintra a 14 jovens ao abrigo do programa Inserção dos Jovens na Vida Profissional tendo deixado uma marca de qualidade e responsabilidade nos formandos.</p>
<p>Vanessa Sena Sousa</div>
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