Semanário Regionalista Independente
Sábado Maio 2nd 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

Jogos, mentiras e vídeo

Bernardo de Brito e Cunha

Já estreou há cerca de um mês o novo formato da SIC, ‘DivertidaMente’, (e que é, digamos assim, a resposta da SIC a uma noite de expulsões na “Casa dos Segredos” da TVI) e que junta quatro concorrentes completamente estranhos entre si, mas que terão de trabalhar em conjunto para completarem as provas simples que lhes serão propostas. Contudo, o único obstáculo que se irá impor entre cada um e o prémio final serão as suas próprias mentes, pois vão estar num completo estado de hipnose induzido por José Tejada – o hipnotizador que fez parte da equipa nas versões UK, USA e Austrália – durante cada um dos jogos que terão de desempenhar ao longo de cada programa. E para que se veja “ao que isto havia de ter chegado”, como eu digo muitas vezes, acrescente-se que o formato original é da respeitada BBC.

Dito isto, para localizar o espectador, convém dizer também que a grafia do nome do programa, “DivertidaMente”, nos diz tudo: diz-nos que a SIC “Mente” descaradamente porque nenhuma das peripécias que têm lugar durante aqueles 75 minutos, mais coisa menos coisa, são coisas “Divertidas”, são apenas parvas. Pior ainda que isso: são tontas. O Señor Don José Tejada pode ser um craque do hipnotismo e longe de mim meter-me nas coisas da mente, seja ela consciente, inconsciente ou até mesmo subconsciente: mas tenho uma grande dúvida sobre as suas capacidades. Como é que um homem com semelhantes talentos, que já esteve à frente de versões equivalentes deste programa em Inglaterra, na Austrália e nos Estados Unidos, não conseguiu perceber que, assim que chegasse a Portugal, estaria lado a lado com… João Manzarra?

E a SIC, que conhece o apresentador João Manzarra de ginjeira, garante, nas suas publicidades ou promoções, que este é um “programa de cair para o lado”. E só uma entidade que conhece bem (oh, muito bem!) o apresentador João Manzarra diz uma frase destas acerca de um programa… Eu bem percebo que a SIC deu a terminação do nome do programa como sendo um substantivo – mas eu, aproveitando o facto de a língua portuguesa ser tão traiçoeira, decidi usar a homógrafa forma verbal do verbo mentir.

Mas assim que fugi do “Mente” e daquela coisa tão “Divertida”, tive a sorte de dar de caras, na RTP2, com o último episódio de uma série que já vi “n” vezes, mas a que volto sempre com gosto. Trata-se (ou tratou-se, já que era o último episódio) de “O Gerente da Noite”, transformada em série a partir do livro do mesmo nome de John Le Carré. O que torna esta série fantástica não é apenas o livro que lhe está por trás: são as interpretações de Hugh Laurie (que já mostrara do que é capaz na série “Dr House” e que aqui é soberbo na personificação da pulhice humana), Tom Hiddleston, Elizabeth Debicki, Olivia Colman e, sobretudo, a esperança que nos transmite de que a pulhice humana não vencerá sempre. Que um dia alguém será capaz de dizer não. E isso é emocionante.

Há já algum tempo que circulam notícias, mais ou menos desmentidas, sobre a saída de Cristina Ferreira do “Você na TV!”, que se acentuaram em finais de 2017. Agora, surgem outras notícias, complementares, segundo as quais a TVI já terá começado a pensar em nomes para substituir a apresentadora ao lado de Manuel Luís Goucha. Segundo consta, Bruno Santos, director-geral de programação do quarto canal, quer um novo rosto para comandar as manhãs da TVI. E a opção, imagine-se!, estará na concorrência. Apesar de ter várias estrelas disponíveis como Leonor Poeiras, Mónica Jardim, Isabel Silva ou Marta Cardoso, a direcção do quarto canal parece querer (pasme-se!) Tânia Ribas de Oliveira como a nova companheira de Goucha no “Você na TV!”. Até fico assustado.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Maria Elisa apresenta o seu “Depois do Adeus”, onde a jornalista traz factos que foram marcantes para a sociedade portuguesa. E compreendo que as grandes chuvas de há 40 anos tenham tido do governo de então a tentativa de escamoteamento de que foram alvo. Mas o problema levantado no último domingo, o da queda da ponte de Entre-os-Rios, deixou-me a pensar: como é que um governo (diversos, de resto) democrático deixou todas aquelas famílias da forma que ainda hoje estão. E não percebi, também, por que razão Maria Elisa não optou por fazer o programa a preto e branco. Empalidecido de vergonha.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)
Crónica publicada no Jornal de Sintra, edição de 27 de Abril de 2018

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