Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Maio 11th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

O regresso de Bárbara, Gisela, Cátia & Cia.

Bernardo de Brito e Cunha

O PROGRAMA “O Poder do Amor”, que junta dez casais numa casa onde irão testar as suas relações, é conduzido por Bárbara Guimarães e estreou a 25 de Maio. Ex-concorrentes de reality shows felizmente já passados fazem parte do elenco. É este o formato da SIC que vai fazer frente a “Rising Star” (na TVI) e “The Voice Portugal” (na RTP) e que conta com figuras públicas como Quimbé (apresentador e actor), Cláudia Jacques (relações públicas), Cátia Palhinha (ex-concorrente da “Casa dos Segredos”) e Gisela Serrano (ex-concorrente de “Masterplan”, reality show que a SIC transmitiu em 2002). Os dez casais encontram-se desde os primeiros dias de Maio numa unidade hoteleira de Vila Franca de Xira, que foi transformada num estúdio de televisão. Não são filmados durante 24 horas mas estão confinados ao mesmo espaço e com contacto limitado com o exterior. Até aqui tudo mal – o formato, a apresentadora, os concorrentes e o penoso que é gastar horas de uma noite de domingo a ver isto – mas é surpreendente como uma coisa assim ainda pode piorar.

ODEIO quando me aldrabam à partida. Ainda o programa não tinha começado e já Luís Marques, o administrador editoral do grupo Impresa, que é o detentor da SIC, nos brindava com as clássicas postas de pescada: “Este não vai ser um reality show tradicional, será um programa de entretenimento puro”. E depois vai-se a ver e o que temos é aquilo, apresentado por Bárbara Guimarães, com 10 casais a pôr à prova a sua relação e o amor que os une, na versão portuguesa do formato internacional “Power Couple”. O que me surpreende é que a promoção diga coisas como “os casais terão de participar em diversos desafios nos quais, tanto a par como individualmente, irão mostrar até que ponto se conhecem bem!” Uau, estou impressionado: não lhes bastava o Facebook?

OS DESAFIOS são físicos, psicológicos e de conhecimento um do outro. Cada casal tem um valor semanal para apostar nos desafios. Um dos elementos escolhe que quantia quer apostar em como o seu parceiro consegue superar determinada prova. Se a prova for superada ganham o valor apostado, caso contrário perdem o que apostaram. Dah! No final, o casal vencedor ganhará como prémio o valor que acumulou ao longo do programa e, certamente, a certeza de que o amor verdadeiro supera qualquer adversidade… E aqui as lágrimas afloram-me os olhos, claro.

FINALMENTE, temos a própria Bárbara Guimarães, outrora menina bonita da estação de Carnaxide e a quem, hoje, já entregam reality shows deste calibre. Bárbara andou muito pelas capas de revistas e jornais (e ainda anda) e a estação devia tê-la protegido e afastado de programas que envolvessem casais e querelas. A isto a estação responderia que Bárbara Guimarães é uma grande profissional e que está ali para desempenhar todos os papéis e funções que lhe apareçam pela frente, mas todos sabemos que isto não é inteiramente verdade. É pouco provável que Bárbara esteja em condições psíquicas e mentais para desempenhar todos esses papéis e funções: deveria ter regressado à actividade com alguma calma e escolhendo cuidadosamente o programa que iria apresentar. Aparentemente nem terá escolhido, mergulhou de cabeça. Terapia de choque? É possível: mas não sei se aconselhável.

PARECE que a TVI decidiu explorar (e pagar, claro) até à medula Ricardo Araújo Pereira. E este viu os aceno$ da TVI e aceitou. Em vez de gravar o costumeiro “Melhor do que Falecer”, neste mês de futebol aceitou fazer um comentário diário, em directo, integrado no “Jornal das 8”. Dois problemas: o “Melhor do que Falecer” deixou de “existir” como programa e, portanto, de fazer parte das audiências – onde, quase sempre, batia o próprio jornal. Tiro no pé, portanto. E em segundo lugar, um comentário destes ou versa assuntos do dia, ou é melhor não existir. Na terça-feira teve a sorte de o Presidente da República ter tido um breve desmaio na Guarda: ficou com tema. Mas o melhor que conseguiu fazer foi o trocadilho “Melhor do que Desfalecer”. É curto.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Estranho muito que num dia (sábado passado) em que duas selecções portuguesas jogavam, à mesma hora, coisas tão diferentes como: a) mais um jogo de preparação para a selecção dos crescidos, desta vez com essa equipa fortíssima que é a da Lituânia; e b) um jogo decisivo para os sub-21, para saber se passavam às meias-finais, as coisas tenham estranhamente acontecido, em termos de televisão, da maneira que passarei a descrever. O jogo que era a feijões e que não adiantava para nada, foi transmitido na RTP 1, que o considerou “futebol de interesse público”, que é uma frase que acho maravilhosa, enquanto o outro, o dos subs, foi transmitido pela Sport TV que, como se sabe, é para quem paga não só o serviço de televisão por cabo, mas também a assinatura do canal em questão. E isto é uma coisa que acho lamentável. Porque alguns daqueles sub-21 hão-de chegar à selecção dos crescidos (o guarda-redes Moreira voará directamente da Alemanha para a integrar, assim que terminar aquele campeonato) e de certezinha que se hão-de sentir extremamente apoiados.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4031 de 13-6-2014

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