Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Maio 11th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

Três coisas apenas. Ou quatro, vá!

Bernardo de Brito e Cunha

QUANDO estreou o programa da tarde da RTP, “Há Tarde”, vim aqui a correr fazer figura de besta: e não contente com a figura, ainda o escrevi, sanguíneo e apressado como sou… Escrevi então, nessa altura, que Vanessa Oliveira estava naquele programa com “ar de virgem ofendida”: e talvez estivesse um bocadinho. A verdade é que desde então Vanessa mudou muito e não era justo que ela ficasse nestas crónicas com os epítetos com que a brindei na altura. Não sei de onde vieram as mudanças, nem tão-pouco os que as causou, mas sei outras coisas importantes: entre as quais, para começar, que não deve ser fácil trabalhar com Herman José. As suas brincadeiras, de improviso, apanham qualquer um em falso e deve ser necessária alguma ginástica. Vanessa não a tinha, no início, mas aplicou-se e chegou à forma desejada. E corre, agora, o risco de ser a melhor parceira (séria, mas sempre a brincar) que Herman já teve – até porque ele não gosta muito de trabalhar acompanhado… Por isso aqui ficam as minhas desculpas. Pelo “virgem” e pelo “ofendida”.

COMO JULGO que já aqui o referi, recebo no meu telefone, diariamente, as audiências que a Marktest continua a medir, embora não seja a empresa de audiências oficial. Nos últimos tempos tenho assistido a uma mudança profunda no que esse Top 5 me mostra, o que se reflecte numa ausência profunda de programas da TVI. Tirando os jogos de futebol, quando eles acontecem, pergunto-me por onde andam as novelas que a estação apregoa de maravilhosas para cima, por onde anda o programa mais recorrente (há uns tempos) nas tabelas de audiências, o “Big Brother” e seus descendentes. Ultimamente tem sido raro ver “A Casa dos Segredos” e isto poderia ser bom sinal: poderia querer dizer que a população está a ficar farta do género, o que ditaria o seu fim. Não tenho grande fé nesta hipótese, embora a desejasse: mas, a acontecer, o que seria que se inventaria a seguir? Não tenho dúvidas de que seria qualquer coisa pior, pelo que é preferível que a TVI mantenha os seus “Big Brother” e descendentes com as fracas audiências que regista.
Mas os lugares deixados vagos pela TVI têm de ser preenchidos por outros programas. Um dos mais comuns tem sido “O Preço Certo” de Fernando Mendes e o apresentador, um destes dias, num dos programas em directo, acabou por brincar com o assunto, dizendo: “Desculpa lá, ó Tempo de Antena, mas ontem batemos-te!”.

A TVI tem uma novela da Globo relativamente nova, “Império” e em que gosto de uma das personagens, a do Comendador Medeiros. Mas não é dele que quero falar. Diversas cenas têm lugar à noite, hora a que um aspirante a chefe de cozinha sai do restaurante onde trabalha. E então não é que todas essas noites são noites de Lua Cheia? Não acredito que na Globo não haja ninguém que não saiba que a Lua Cheia acontece a cada 28 (ou 29) dias? Ou aquela Lua terá uma outra leitura? Talvez. Prometo mais novidades sobre este mistério.

E JOSÉ SÓCRATES foi detido. Estejam descansados que não vou dizer aquela coisa já estafada que é “à Justiça o que é da Justiça, à Política o que é da Política”, nem tão-pouco “os políticos não são todos iguais”. Não, que já tivemos a nossa conta disso. O que me chateia na detenção de Sócrates é o circo mediático que se montou desde sexta-feira à noite, incluindo a presença de câmaras de dois canais de televisão. Que foram avisados, naturalmente. Mas um desses canais não deve ter recebido a informação correcta, pois só mostrou imagens de um carro em que nem sequer era possível confirmar se era mesmo Sócrates. E ao longo da semana foi um forrobodó, esquecendo, toda a gente, que até ser julgado e condenado, Sócrates é inocente. Diz a Lei, não eu.
E fiquei abismado quando dei com a primeira página da edição especial do “Sol”, onde se podia ler: “(…) tendo em conta que somos o único jornal que dispõe de informação (pormenorizada) sobre as conclusões da investigação ao ex-primeiro-ministro durante um ano, as quais conduziram a este desfecho. (…)” Como é que um jornal tem informações que deveriam ser secretas?

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«O primeiro-ministro Santana Lopes foi na terça-feira ao programa “Grande Entrevista”, conduzido por Judite de Sousa, onde disse estar convencido que o veto do presidente da República à chamada central de informação “não teria existido se não tivesse havido um clima tenso e denso” no que se refere às questões relacionadas com os jornalistas. Sobre os milhões que essa central custaria – e que foi motivo invocado pelo presidente Jorge Sampaio – nem uma linha. Estranho. Um presidente que o traz (literalmente) nas palminhas e vai ele e zás!, vá de transferir responsabilidades para os ombros de Sampaio. É feio.
E confirmou a notícia de que o futuro da “central de informação” idealizada pelo ministro Morais Sarmento já não existe. “É passado!”, afirmou. Não se percebe bem: uma coisa tão acarinhada, uma coisa em que o governo fazia tanta questão, e depois é a desistência pura e simples?»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4050/51 de 28 de Novembro de 2014

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