Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Maio 11th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”


Duetos (mais do que) improváveis

Bernardo de Brito e Cunha

ESTREOU no último sábado o novo programa de Bruno Nogueira, “Som de Cristal” título que é retirado de uma canção interpretada por Marante e que se refere, nessa música, ao nome de uma casa de diversão nocturna – quem não conhecer Bruno Nogueira que o compre – e por “diversão” entenda-se o que se quiser… ou até mais. A música, de resto, é um original da autoria de João Mineiro e Marciano (o primeiro já falecido, de resto) um duo sertanejo de aspecto indizível. “Som de Cristal” é um programa semanal de 40 minutos que pretende mostrar os bastidores do mundo dos artistas de música popular portuguesa. Como se sabe, a música a que chamaram “pimba” tem sido aglutinadora (embora a maior parte o esconda) e há muito poucos assuntos que liguem tão intimamente pessoas com gostos tão distintos. Durante sete episódios e outras tantas semanas, Bruno Nogueira acompanhará numa viagem por Portugal os bastidores da carreira de sete artistas conhecidos do grande público. Irá seguir os ensaios, os jantares antes do concerto, as entrevistas, as dificuldades que ultrapassaram e que ainda têm de ultrapassar, isto tudo ligado por uma conversa ao almoço (ou ao jantar ou em viagem de automóvel) com o convidado dessa semana para dar a conhecer o lado que fica fora do palco e que o grande público muitas vezes desconhece.

BRUNO Nogueira escolheu, para começar, o maior deles todos, Quim Barreiros. Depois irão seguir-se (não exactamente por esta ordem) Marante, Roberto Leal, Nel Monteiro, Ágata, entre outros – pelo menos mais dois. “Som de Cristal” é a vida vista pelos olhos de quem conhece um Portugal ainda mais real. O que, convenhamos, já não é pouco. Ouvir Quim Barreiros à conversa com Bruno Nogueira foi uma revelação: o que ele disse e aquilo de que falou, com todo o à vontade, são uma outra espécie de sabedoria. De onde eu não ter receio de dizer que este “Som de Cristal” é, a avaliar pelo primeiro programa, uma série a acompanhar. Mais do que isso: é um programa para ver – isso mesmo, ver – nas entrelinhas.

PARA MAIS, o programa de Bruno Nogueira na SIC estreou-se este sábado com uma audiência de cerca de um milhão de espectadores e 29,1% de quota de mercado, o suficiente para ter sido o segundo formato mais visto do dia, apenas atrás da novela “Mar Salgado”. “Som de Cristal” venceu com alguma vantagem a concorrência: “Jardins Proibidos”, na TVI, foi acompanhada por 909 mil espectadores e “Sábado para a Meia-Noite”, na RTP1, visto por uma média de 212 mil seguidores. Até parece que a concorrência não acreditou no projecto de Bruno e não tomou previdências…

QUANDO, em Fevereiro de 2010 o Dr Paulo Rangel se candidatou à liderança do PSD, saindo derrotado por Pedro Passos Coelho, não deu a ideia – pelas suas reacções estridentes da altura – de que o “ar fosse mais respirável” e, nesse momento, nem estava em causa o país – era apenas o PSD… E quando no jornal Público de dia 31 – e apesar de toda a pancada que já levara – afirma que “A Universidade de Verão é a iniciativa mais consistente de formação política existente em Portugal. Um mérito quase exclusivo de Carlos Coelho. Não é um palco de “rentrée”, nem um comício e, muito menos, um festival ou acampamento juvenil. E, apesar do tempo de pré-campanha, este ano a Universidade não sacrificou a qualidade à táctica política. Basta ter ouvido Leonor Beleza, Horta Osório ou Durão Barroso para ver que a formação dos jovens do PSD não anda a reboque da espuma dos dias”, parece que lhe terá feito falta, para juntar à sua definição de Universidade de Verão, ter escutado a opinião de Miguel Sousa Tavares, no “Jornal da Noite” da última segunda-feira: “A Universidade de Verão é um sítio óptimo para se dizer toda a espécie de disparates.” E tudo teria ficado muito mais compostinho.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«E na última segunda-feira, no “Telejornal” da RTP 1, fui surpreendido por uma reportagem – “Os Caminhos da Cinza” – da jornalista Sandra Felgueiras que me deixou siderado. Era um trabalho, como facilmente se percebe, sobre os incêndios. Incêndios, consequências, motivos, explicações, ilegalidades. Tudo isto num trabalho escorreitíssimo, simples, perceptível, feito sem muitos meios: uma daquelas coisas que são tão bem feitas que até um analfabeto como eu consegue perceber. E depois tem mais: Sandra Felgueiras é loira. Mas, acrescente-se em abono da verdade, que Sandra Felgueiras destrói o mito das anedotas das loiras. Não só lhes destrói o mito, como ainda lhes dá bom-nome. Um nome a registar.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4085 de 4 de Setembro de 2015

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