Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Maio 11th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

Multas? Upa, upa!!

Bernardo de Brito e Cunha

COMO diria o meu amigo Manel há coisas que me deixam “abazurdido”: uma delas é o montante das multas aplicadas aos treinadores de futebol quando se exaltam durante os jogos e são expulsos do banco e que andam sempre na ordem dos cento e tal euros. Outra foi a multa que acompanhou a deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) no que diz respeito à intervenção (precoce) da TVI no caso do Banif. Esta deliberação da ERC foi decidida por unanimidade e refere, nomeadamente, que “o tratamento noticioso de certas matérias não pode ser abordado com a displicência e falta de sentido de responsabilidade patenteados pela TVI, especialmente ao longo da emissão do programa “Campeonato Nacional”, emitida na noite de 13 de Dezembro de 2015 (domingo), sobretudo quando as respectivas decisões editoriais assentam no trabalho de jornalistas responsáveis e experimentados”.

PARA quem já não o terá presente relembro que, naquela noite, a emissão da TVI24 foi divulgando sucessivos alertas, contraditórios entre si. A ERC descreve pormenorizadamente as frases que apareceram no fundo do ecrã (e também nas contas de Twitter e Facebook e no site da TVI24): “Banif: A TVI apurou que está tudo preparado para o fecho do banco” e também “A parte boa vai para a Caixa Geral de Depósitos” ou “Vai haver perdas para os accionistas e depositantes acima dos cem mil euros e muitos despedimentos”.
Para a Entidade Reguladora, que diz ter recebido participações do Banif e de seis particulares – que chegam a acusar a TVI de ter divulgado estas notícias para favorecer o banco Santander (accionista de referência do Grupo Prisa, que é dono da TVI) na compra do banco português, o que efectivamente veio a acontecer após a resolução. A ERC acusa a estação de Queluz de ter lançado o pânico, que resultou numa corrida aos depósitos, na queda abrupta do valor das acções e, consequentemente, na perda do rácio de sustentabilidade do banco.

NÃO nos alonguemos nesta história cujo resultado é conhecido por todos nós: voltemos ao “castigo”. O Director de Informação da TVI, Sérgio Figueiredo, sustentou no Parlamento a legitimidade de noticiar uma coisa e o seu contrário, a respeito de uma série de tópicos relevantes abordados numa mesma peça jornalística, e mais tarde prevalecer-se apenas daqueles aspectos que vieram a mostrar-se rigorosos e verdadeiros… Daqui resultou que a ERC decidiu condenar a TVI a multa (no valor de 459 euros, equivalente a 4,5 unidades de conta, relativas a custos processuais) e ordenou ao canal que lesse um texto em que a estação é criticada por não ter ouvido o Banif, por ter sustentado a notícia em fontes que foram sempre omitidas e por, entre outras faltas, ter assumido uma decisão editorial criticável à luz das mais elementares boas práticas jornalísticas, dado ser manifesto não existir inteira segurança quanto à fiabilidade dos elementos então sucessivamente divulgados e rectificados. Alto lá: a TVI “encaminhou” os destroços do Banif para o Santander e o castigo nem chega ao valor do ordenado mínimo nacional? Brincamos aos bancos? Claro que sim, como se tem visto ultimamente…

NÃO tive outro remédio que não fosse ver a estreia da novela “A Impostora”, tal a repetição desse episódio pela TVI. E fiquei surpreendido quando vi Eunice Muñoz, nas duas falas que teve. Esclareçamos: Eunice é uma senhora do teatro e da televisão, mas convém não esquecer que terá, se não estou enganado, 88 anos. Se, por um lado, é óptimo que os actores mais velhos continuem a ter trabalho, por outro é impressionante ver o esforço que Eunice pôs naquelas duas falas. E fico na dúvida: foi bom a TVI ter dado trabalho a Eunice Muñoz, ou deveria tê-la protegido e evitar que ela mostrasse as suas fragilidades? Porque se a questão é a de Eunice precisar do cachet, há outras maneiras bem mais simpáticas.
O que a TVI poupou na multa da ERC bem podia reverter para uma actriz em necessidade.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Em primeiro lugar, duas afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa em “As Escolhas de Marcelo” e em programas diferentes. Primeiro uma afirmação curiosa: a de que o Belenenses lhe teria pedido um parecer e que ele respondera que “não poderia fazer uma coisa que ensino ao contrário aos meus alunos”. Depois, no programa seguinte, que aconselhava o Gil Vicente a ir para a frente e para todos os tribunais: talvez lhe acontecesse o mesmo que à Juventus, que desistiu de recorrer aos tribunais mas com uns reconfortantes 50 milhões de euros no bolso.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra de 9 de Setembro de 2016

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