Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Maio 11th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”


Ai os premiozinhos em dinheiro…

Bernardo de Brito e Cunha

A TVI assinalou na última segunda-feira o seu 24.º aniversário com uma emissão especial que, entre as dez e as 20 horas, contou com a presença dos principais rostos da ficção e entretenimento do canal. Nas audiências, o “Parabéns TVI” reuniu, sem surpresas – até porque, conforme a política do canal, estava em jogo um prémio de 50 mil euros… –, a preferência dos portugueses.
De manhã, o programa especial conquistou uma audiência superior a 480 mil telespectadores, que resultaram em 5% de rating e 35,8% de share. Na concorrência, “Queridas Manhãs”, da SIC, alcançou 16,5% de quota de mercado, enquanto “A Praça”, transmitida na RTP 1, fechou o horário com 11,5%.
À tarde, os números foram mais altos para todos os canais: no entanto, a liderança manteve-se na TVI até às 19 horas. O “Parabéns TVI”, emitido a partir das 14 horas, registou 5,3% de rating e 23,5% de share. A vice-liderança pertenceu, na maioria do tempo, à SIC com a novela “Laços de Sangue” e o talk show “Grande Tarde”. Apenas a produção brasileira “Sassaricando – Haja Coração se fixou no terceiro lugar nas audiências.
Na RTP 1, “O Preço Certo” foi o único programa a conseguir fazer frente ao aniversário da TVI. O concurso apresentado por Fernando Mendes conquistou 9,8% de rating e 24% de share. E isto diz muito do enorme talento e da contínua capacidade de Fernando Mendes de manter sempre em alta um formato que, sem ele, provavelmente já se teria esgotado há muito.

Convém sublinhar que a festa de aniversário não teve grandes motivos de interesse: até as plumas e paetês, conforme soe dizer-se, estavam um pouco envelhecidas e poeirentas, e os artistas e animadores desse período de dez horas dez foi preenchido pela gente do costume, que são, na realidade, convidados de quase todos os dias ou, melhor dizendo, a chamada “prata da casa”. Nada, portanto, de verdadeiramente excitante ou de diferente, e toda aquela atenção referida acima sob a forma de números só se pode explicar, realmente, como sendo fruto dos muito anunciados (e cobiçados, porque não dizê-lo?) 50 mil euros de prémio para um concorrente, coisa que prendeu as atenções até às oito da noite. Depois surgiu a surpresa, dado que a grande (única?) novidade estava reservada para depois dos períodos de tempo acima referidos, com a chegada do “Jornal das 8”, com novo grafismo e um estúdio renovado. Com ele, chegaria também o grande trunfo da noite – o regresso de Marcelo Rebelo de Sousa à TVI, desta vez não como comentador (foi, aliás, avaliado por quatro comentadores da estação) mas como Presidente da República. Ele próprio, que passou naquele estúdio uma boa parte do seu tempo (pelo menos aos domingos) referiu que o estúdio estava maior e, já à saída, ainda fez uma publicidadezinha extra, afirmando que aquele era agora “um estúdio do futuro”.

E por falar em prémios… A polémica instalou-se em torno do programa “Somos Portugal”, que vai para o ar aos domingos, quando a TVI entregou, a 5 de Fevereiro do corrente ano, o prémio do passatempo de 25 mil euros à pessoa errada. O lapso foi corrigido dias depois mas, no entanto, uma situação idêntica voltou a acontecer no mesmo mês e apenas uma semana depois.
Agora, e de forma a garantir “a confiabilidade dos concursos que promove”, a estação de Queluz de Baixo emitiu um comunicado público em que esclareceu que “todos os sorteios decorrem com a presença e fiscalização de um agente da PSP em representação da secretária-geral do Ministério da Administração Interna” e que estes “dois casos pontuais” se trataram “naturalmente de um lapso”, acrescentando que “mesmo nestas situações isoladas, os prémios foram sempre atribuídos a quem efectivamente ligou”.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«A partir do Salão Nobre do Governo Regional, Alberto João Jardim dirigiu-se aos madeirenses para justificar a sua decisão de se demitir [e provocar eleições antecipadas]. “Cada um de vós compreende o que significa para a economia do arquipélago uma quebra tão grande no dinheiro em circulação”, disse o líder do Governo Regional da Madeira, considerando que este “ataque socialista à Madeira coincide com uma igual redução de apoios da União Europeia”. Alberto João Jardim referia-se especificamente ao corte de cerca de 450 milhões de euros que o Governo da Madeira vai sofrer até 2014 com a nova lei das Finanças Regionais, publicada no Diário da República. O diploma esteve no centro de um braço-de-ferro entre o primeiro-ministro, José Sócrates, e Alberto João Jardim, que pediu ao Presidente da República que vetasse a lei. Porém, Cavaco Silva acabou por promulgá-la.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)
Crónica publicada no Jornal de Sintra, edição de 24 de Fevereiro de 2017

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