Semanário Regionalista Independente
Quarta-feira Maio 6th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

Uma nova série, e o discurso de sempre

Bernardo de Brito e Cunha

Felizmente que com o fim do Verão começam a aparecer novas séries e uma das que mais curiosidade tem suscitado é “Absentia”, que o canal AXN estreou em simultâneo nos seus três canais, na última segunda-feira, dia 25. Com 10 episódios, a nova série – do género policial – tem um motivo de interesse para os fãs de “Castle”, que passava também no AXN e terminou ao fim de oito épocas, segundo constou por desavenças entre os actores principais: a protagonista de “Absentia” é Stana Katic, a actriz que, em “Castle”, dava vida à detective Kate Beckett.

O Outono começou no AXN – pena estar reservado apenas aos assinantes por cabo – da melhor maneira: a acção acompanha Emily Byrne (Katic), uma agente do FBI que desaparece sem deixar rasto ao perseguir um serial killer de Boston. O seu corpo não é encontrado – apesar das inúmeras buscas – e o seu marido, Nick Durand, também do FBI e os seus colegas acabam por dá-la como morta e desaparecida. Até que, certa madrugada, Nick recebe uma chamada de Conrad Harlow, o tal serial killer acusado da morte de Emily e que se encontra a cumprir uma pena de prisão. Com esse telefonema vem a revelação: afinal, a detective está viva, embora presa numa cabana no meio de um bosque há quase seis anos.

O regresso a casa, porém, não será fácil: sem memória do que aconteceu, Emily tem de lidar com o facto de o marido ter refeito a sua vida, voltando a casar, e de o próprio filho não a reconhecer como mãe. A série desenvolve-se, pois, em duas direcções: a detective a tentar desvendar o mistério do seu prolongado desaparecimento e a sua luta para recuperar a família e tudo o que lhe foi tirado… Mas não é tudo: o seu ressurgimento coincide com uma nova sucessão de crimes, nos quais se vê envolvida sem saber como. Conseguirá ela descobrir o culpado, ilibar-se a si mesma e recuperar a vida que perdeu seis anos antes? A verdade é que a sua busca por respostas quanto ao seu sequestro é um campo minado de desafios que ameaçam destruir a vida que ela está a tentar reconstruir. Com medo das ameaças que esses desafios oferecem à segurança da sua família, ela distancia-se deles e, como um lobo solitário, sai numa caçada por respostas, onde descobre pelo caminho que não é possível fugir das suas sombras, não importa quanto se esforce ou corra. De resto, Emily tem uma frase que resume tudo isto: “Eu quero descobrir o que se passou nestes seis anos – mas tenho medo do que possa descobrir…”

Uma pequena nota de apreço para o esforço da produção da série pela forma como conseguiu transformar um canto ou umas ruas de Sófia, na Bulgária, na cidade norte-americana de Boston. Se o canal não o tivesse mostrado numa das diversas reportagens e entrevistas que nos foi mostrando para aguçar o nosso apetite para a série, dificilmente teria acreditado.

As eleições alemãs do último domingo deram um resultado histórico à extrema-direita, que entra para o parlamento pela primeira vez desde a II Guerra Mundial e se torna na terceira força política. O PCP afirmou que a “extrema-direita alemã alcança uma expressiva representação parlamentar, impulsionada pela política de direita do Governo de coligação CDU/CSU/SPD e pelo seu discurso demagógico, reaccionário, xenófobo e racista”. Eh lá, que já ouvi isto!

Na leitura dos comunistas, as eleições alemãs são também “expressão de descontentamento” face à política “da direita” e dos sociais-democratas na Alemanha e na Europa, com perda de votos da CDU de Angela Merkel e do SPD. Segundo os comunistas portugueses, “representam uma expressão de descontentamento face à política pela qual a direita e a social-democracia têm sido responsáveis na Alemanha e na União Europeia”, com a “promoção da concentração e centralização da riqueza, de intensificação da exploração, de ataque a direitos laborais e sociais, de desrespeito da soberania nacional, da vontade e anseios dos povos, de incremento do militarismo”.

O que não deixa de me espantar é que, se mudarmos os nomes e siglas dos intervenientes, o PCP tenha o mesmo discurso para tudo – excepto a Coreia do Norte ou a Venezuela, onde não há exploração, ataque a direitos laborais, onde os povos não têm anseios e onde não existe um incremento do militarismo. Percebi bem, certo?

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Pela primeira vez, que me lembre, o Dr. Paquete de Oliveira, provedor do espectador, veio dar razão àqueles que se queixam dos serviços noticiosos da RTP, nomeadamente desde que Madeleine McCann foi… dada como desaparecida. Que as conjecturas dos jornalistas da RTP eram muitas, face ao que o caso avançava – e Paquete de Oliveira anuiu; que, a partir de certa altura, as imagens mostradas já eram antigas e não traziam a habitual referência de “arquivo” – e Paquete de Oliveira assentiu; que os “comentadores” convidados para os diversos jornais da RTP não iam lá acrescentar coisa nenhuma e só avançavam hipóteses muito pessoais e pouco ou nada fundamentadas – e Paquete de Oliveira concordou.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, edição de 29 de Setembro de 2017.

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