Semanário Regionalista Independente
Sábado Abril 25th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

Cuidado, amanhã é sábado!

Bernardo de Brito e Cunha

As noites de sábado são lamentáveis do ponto de vista televisivo: para fugir das novelas, ou dos compactos das casas onde os segredos nem sempre são tão segredos assim, resta-nos cair naquele programa divertidíssimo (?) da SIC em que passam vídeos de gosto e humor duvidoso ou, recorrendo à máxima de que o serviço público não nos vai deixar ficar mal, darmos connosco nas mãos dos “Donos Disto Tudo”. E eles serão donos daquilo tudo, mas as graçolas parecem não ser propriedade do grupo – e isso é lamentável. Então, perguntar-se-á, até que chegue o “Governo Sombra”, apenas disponível na TVI24 e para quem tiver televisão por cabo, o que nos resta é passar pelas brasas até perto da meia-noite? A resposta é, como se está a ver, um rotundo não.

 

Grande parte das pessoas esquece-se da RTP2, talvez pela sua (excessiva?) vocação para os desenhos animados durante grande parte do dia. Não é uma crítica, até porque não posso esquecer a ajuda que dela recebi há coisa de 30 anos na ocupação e entretenimento do meu filho. Mas a RTP2 tem, naturalmente, outras coisas. Mesmo nas noites de sábado, em que está a exibir uma série da TVE sobre ópera. As pessoas, geralmente, torcem o nariz e acham que não gostam de ópera, que são peças musicais longas e cantadas em línguas estrangeiras e, portanto, só conhecidas e acessíveis a alguns, esquecendo que basta ter o conhecimento geral da história e acompanhar a música. A esses sugiro que vão amanhã à noite até à RTP2 porque… “Isto é Ópera”.

 

Com apresentação do barítono e pianista Ramon Gener, “Isto é Ópera” é uma série imaginativa, inovadora, de puro entretenimento que nos conduz através da história da ópera, a partir do nascimento do género até aos nossos dias. Uma série que fornece as chaves para entender e apreciar as óperas mais importantes da história, de uma forma simples e acessível a todos os públicos. No episódio de sábado passado tivemos “A Flauta Mágica” de Mozart, explicada de forma simplificada a uma classe de alunos da escola primária e, de forma mais específica e intensa, aos pais dessas crianças. Se os primeiros contaram a história como um habitual conto de príncipes e rainhas más, já aos pais a ópera foi mostrada na vertente das suas linhas estruturais maçónicas. Exactamente: maçónicas…

 

Nesta série podemos descobrir o enredo da história de cada ópera de uma forma original e envolvente que não nos deixará indiferentes, captando a nossa atenção desde o primeiro minuto. A genialidade de cada compositor, a paixão dos personagens e a universalidade de cada história gera um ambiente de cumplicidade com o espectador. As melhores histórias, os compositores mais marcantes, as grandes personagens, as melhores árias. Visitamos inclusivamente as cidades onde as óperas ganharam vida, ou serviram de inspiração para compositores ou onde os personagens se apaixonaram: Paris, Roma, Londres, Barcelona, Viena, Madrid, Cairo, Florença, Milão, Sevilha, Salzburgo, Bayreuth, Munique… Amanhã, para quem não quiser perder, será a vez de um dos mais importantes compositores do barroco italiano: Antonio Vivaldi. E para isso, vamos passar pela maravilhosa Veneza, sua terra natal e uma das cidades mais importantes na história da ópera. Às 22 horas, para a informação ficar mais completa.

 

O fugitivo de Aguiar da Beira e presumível assassino de pelo menos duas pessoas continua, à hora a que escrevo, a monte. Isto é, já vai para mais de uma semana que as forças policiais não o conseguem localizar e, consequentemente, deter. O que já originou algumas graçolas nas redes sociais: não em relação às forças da ordem, mas relativamente ao próprio. E dizem essas graçolas que Pedro João Dias só pode ter sido administrador do BPN ou do BPP – razão pela qual ninguém o consegue apanhar…

 

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

 

«A trama da novela “Essas Mulheres” começou bem e continuou melhor, e mostrou que a Rede Record aprendeu a fazer novelas. Mais ainda, mostrou como é diferente esta Record daquela que agora temos na TV por cabo a substituir o GNT, empenhada no entretenimento, na educação e na tradição. Essas foram as principais motivações que levaram a TV Record a investir e a apostar no tradicional ramo das telenovelas, já tão enraizado na cultura brasileira. “Escrava Isaura” deu início a essa nova conquista, abrindo caminho para o enorme sucesso de “Essas Mulheres”. Desde a sua estreia no Brasil, em 2005, a trama posicionou-se na vice-liderança, consolidando a audiência no horário e agradando não somente ao público, mas também à crítica especializada.»

 

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, edição de 21 de Outubro de 2016

 

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