Semanário Regionalista Independente
Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026

PARTE DA EDIÇÃO n.º 3799 de 10/07/2009

A benção do gado em Santa Eulália,uma tradição que se mantém

Este ano, em Santa Eulália, pequena aldeia pertencente a duas freguesias e a dois concelhos (Almargem do Bispo/Sintra e Santo Esteves das Galés/Mafra), voltou a proceder-se à bênção do gado e ao pagamento de promessas, em redor do santuário, com animais verdadeiros e em cera. É uma tradição centenária que o povo teima em manter e pretende dinamizar no futuro, segundo Tânia Florência, nossa correspondente em Santa Eulália.


Santa Eulália é uma pequena aldeia limítrofe da freguesia de Almargem do Bispo. Quem por lá passa não consegue nunca ficar indiferente à sua igreja mandada edificar em 1466, e também ao seu cruzamento, certamente, um dos locais do concelho de Sintra com mais sinais por m2. Este cruzamento, é também, o ponto de partida para o outro lado da estrada, o concelho de Mafra e também para o vizinho concelho de Loures.

Era neste cruzamento, onde, contam os mais antigos, se fazia a venda de louças, no dia de festa.

Santa Eulália, cujo dia a igreja comemora a 12 de Fevereiro, comemora-se nesta aldeia com o mesmo nome, também no dia 24 de Junho, dia de S. João.

Desde que a história se lembra, neste dia, e todos os anos sem excepção, rumam a esta aldeia donos e animais, na busca da bênção da sua padroeira Santa Eulália. Nesse dia, a partir da manhã, pagam-se promessas em redor do santuário, com animais verdadeiros ou de cera.

É também pela manhã que se ouve o burburinho dos leitoeiros, da vizinha localidade de Negrais, aquando da montagem das suas bancas para a venda do famoso leitão, aos que vêm em busca de ajuda e conforto por parte da Santa Eulália. Até o padeiro, com os seus bolos, vindos da zona de Mafra é presença assídua.

Da parte da tarde, após a eucaristia, sai a procissão para as ruas da pequena aldeia, e é nessa hora que os animais são benzidos, e alguns até, oferecidos para o leilão que se realiza em seguida.

Todos os anos, esta tradição se tem mantido, com mais ou menos afluência de povo, mas sempre nestes métodos.

Este ano, contudo, e graças às empresas e à população desta pequena localidade, foi também criado um espaço de petiscos e convívio. Não só no dia 24, como já foi referido mas também nos dias 27 e 28, onde também se organizou um passeio pedestre.

Tenta-se assim, que a população da aldeia se divirta, mas também que não esqueça nunca as suas tradições e origens, incutindo-se também nos mais novos, este sentido de responsabilidade, por preservar o que é nosso.

De salientar que, nesta aldeia tão pequena, e pertença de 2 concelhos e duas freguesias, as empresas sediadas na terra foram sem sombra de dúvida, uma grande ajuda e mais- -valia, assim como a resposta dada por parte das entidades oficiais (Juntas de Freguesia e GNR) e de alguns populares que responderam ao apelo da comissão da capela.

Esta que é uma aldeia pequena, tem ainda assim alguma indústria importante a nível local mas também nacional. É pois, de lamentar, que em certos momentos os problemas da localidade sejam como uma bola de ping-pong, lançados de um município para outros, uma vez que, está mais uma vez provado, sempre que todos se juntam e tentam, os resultados são visíveis e positivos.

Tânia Florêncio

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