Semanário Regionalista Independente
Terça-feira Fevereiro 25th 2020

[Capa 21-05-2010] Época balnear abre sem bandeira azul

Sintra protesta por falta de investimentos e melhorias nas praias e nas arribas

Sintra recusa-se mais uma vez a hastear a bandeira azul nas praias do concelho, em sinal de discordância com a Administração Central – Administração da Região Hidrográfica do Tejo, por esta não feito investimentos indispensáveis à melhoria e segurança nas Praias Grande, Maçãs, arribas das Azenhas do Mar e Aguda. No entanto vão ser reeditados os projectos Sintra Mais Limpa e o Tutor da Praia, esta em parceria com a Associação da Bandeira Azul da Europa (ABAE) e uma empresa do concelho. A segurança nas praias mantém-se inalterável, com nadadores-salvadores que são da responsabilidade dos concessionários.

A abertura da época balnear envolve a implementação de um conjunto de medidas que visam a melhoria da segurança, dos serviços prestados pelos concessionários das praias e pelo Poder Central e Local, nomeadamente nas áreas da Informação, Educação Ambiental, Qualidade da Água, Gestão Ambiental e Equipamentos, Segurança e Serviços.

Pelo segundo ano consecutivo as praias do concelho não vão içar as bandeiras azuis, em sinal de protesto pela falta de investimento no litoral sintrense, nomeadamente, nas arribas das Azenhas do Mar e da Aguda.

A segurança nas praias continua a ser assegurada pelos concessionários e pela permanência dos nadadores-salvadores

À data do fecho desta edição o vereador do Ambiente e vice-presidente da CMS Marco Almeida confirmou ao Jornal de Sintra que “não foi atribuída qualquer bandeira azul às praias de Sintra em virtude da CMS não se ter a tal candidatado por discordância com os requisitos de avaliação da ARH – Administração da Região Hidrográfica IP na outorga da bandeira azul para as nossas praias em 2009, e ainda porque o mesmo instituto não realizou, nesse mesmo ano de 2009, qualquer investimento no litoral, como era imprescindível realizar. Segundo Marco Almeida “cabe às autarquias a avaliação das praias que têm potencial para cumprir os critérios de excelência e propor a respectiva candidatura. Contudo, a atribuição deste galardão depende de muitas condições e de muitas variáveis nas quais as próprias Câmaras Municipais não têm atribuições ou competências o que dificulta a propositura de uma candidatura.

Refere também que no ano de 2009 a Câmara recusou, em sinal de protesto, hastear as três bandeiras azuis nas praias da Adraga, Maçãs e S. Julião, por ver negado o mesmo galardão à Praia Grande e à Praia do Magoito. Segundo Marco Almeida a ARH/Tejo inviabilizou a candidatura na Praia do Magoito com a justificação na instabilidade da arriba, situação que é da sua responsabilidade. Quanto à Praia Grande a inviabilização resultou de insuficiências existentes no estacionamento e em balneários, situações que são também da responsabilidade da Administração Central, ou seja da ARH/Tejo, a entidade que tem jurisdição no litoral.

Na praia de Magoito, a autarquia já realizou uma série de intervenções que visaram o recuo do estacionamento sobre a arriba, beneficiação do estacionamento existente, reforço da rede de protecção no acesso de utentes à praia, requalificação dos balneários e apoio de praia assim como a colocação de sinalética apropriada, aliás situações que no ano anterior não impediram que fosse concedida à Praia do Magoito a bandeira azul.

Quanto a Praia Grande, a falta de balneários é da responsabilidade dos concessionários, assegura Marco Almeida, os quais, presentemente dependem da ARH / Tejo I.P entidade que não articulou com a autarquia, em devido tempo, acções atempadas que permitissem viabilizar as candidaturas.

Marco Almeida acredita que a ARH / Tejo I.P venha a realizar investimentos no concelho a curto prazo, canalizando as receitas provenientes de Sintra (taxa de recursos hídricos) na requalificação do respectivo litoral e eliminação de situações de risco, para que as praias do concelho possam reunir as condições para se candidatar de novo a este “galardão europeu de excelência”.

As arribas precisam de intervenção para defesa das pessoas, do ambiente e das características do litoral

A Câmara Municipal de Sintra exceptua desta perspectiva o galardão Praia Acessível, por se tratar não de um “galardão de excelência” mas de um símbolo de empenho real das autarquias numa questão de verdadeira dimensão social e humana.

A concluir garante que vai continuar de forma empenhada a prestar o melhor serviço público aos utentes das praias, com as preocupações já manifestadas de manter a qualidade das praias nesta época balnear, prevendo-se que se possam reeditar os projectos de “Sintra Mais Limpa” e o “Tutor de Praia” em parceria com a ABAE e Tabaqueira. Estes projectos visam dotar as praias do concelho com melhor qualidade ambiental ao promover as boas práticas e ao mesmo tempo sinalizar situações de inconformidade que recomendariam correcção adequada.

Segundo Sandra Alves, do Magoito, a segurança na praia continua inalterável, porquanto nesta permanecerão os nadadores-salvadores, que são da responsabilidade dos concessionários.

Texto: Idalina Grácio
Fotos: Arquivo JS

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