Semanário Regionalista Independente
Quinta-feira Abril 16th 2026

[Capa 18-06-2010] O Penedo faz cumprir a tradição

A Aldeia do Penedo, na freguesia de Colares esteve em festa de 9 a 13 de Junho, celebrando as festas do Divino Espírito Santo. Estas festas persistem com grande dinamismo nos Açores e resistem aos tempos em Portugal Continental, na aldeia do Penedo, onde as suas duas grandes vertentes são cumpridas – a coroação de uma criança, “a criatura perfeita”, como o Imperador do Mundo, e o bodo colectivo e gratuito cozinhado, a lenha, por homens, servido a todos que dele queiram partilhar.

No dia 12 realizou-se, com turbulenta algazarra, a tradicional corrida do touro à corda, que encheu a aldeia de curiosos, afoitos, críticos e aficionados.

Os arranjos da festa começaram muito antes com a participação da população que se reuniu e repartiu tarefas com a coordenação da comissão de festas. Cortaram-se ramos de acácia, eucaliptos, giestas, buxos e folhas de palmeiras para engalanar o recinto das festas. Prepararam-se as saborosas iscas, arranjou-se a lenha e os tachos. Enfim um conjunto de tarefas que obrigou a longas horas de trabalho. Um verdadeiro trabalho comunitário.

Os cestos alusivos ao Espírito Santo foram feitos por Alfredo Torres, de 92 anos que há 60 anos os faz para a festa. A arte aprendeu-a com seu pai, que desde sempre os fazia, prosseguindo ele a tradição familiar. Os festejos iniciaram-se no dia 9 de Junho, quarta-feira, mas os pontos altos dos festejos tiveram lugar no sábado, 12, com a corrida do touro, à corda pelas ruelas do Penedo e com coroação do Imperador, no dia 13.

No domingo, 13 logo pelas 10 horas, em Almoçageme, a Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares, após cumprimentar a Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme desfila até ao Penedo, pelas Casa Novas, recebendo as palmas da população,

No decurso da cerimónia religiosa presidida pelo pároco de Colares, José António Rebelo da Silva, natural da ilha de S. Jorge, Açores, realizou-se a coroação dos Imperadores.

Os imperadores do Divino Espírito Santo: Rodrigo Guerra (deste ano), Rui Manuel Carvalho Esteves (próxima festa) e Diogo Belchior (Imperador em 2000)

Seguiu-se um período de espera e de confraternização, em que um conjunto de homens, como manda a tradição, cozinharam, a lenha, o tradicional guisado e a sopa, que foram depois servidos a todos que quiseram participar, por raparigas da aldeia. Seguiu-se o concerto pela banda dos Bombeiros Voluntários de Colares.

E a festa só terminou noite dentro, com o sorteio de uma vitela e outros prémios.

Texto e fotos: Idalina Grácio

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Largada do touro atraiu milhares de pessoas ao Penedo

As Festas do Divino Espírito Santo na aldeia do Penedo, freguesia de Colares, com uma tradição de séculos, voltaram a realizar-se este ano, após um interregno de dez anos, com os momentos altos da festividade traduzidos na largada do touro à corda no sábado e na coroação do Imperador da festa no domingo.

No sábado à tarde o Penedo, aldeia da freguesia de Colares, viu-se invadido por milhares de pessoas, interessadas sobretudo na sempre emotiva largada do touro bravo, embora sujeito a cordas, seguras por muitos populares, acto que evitava que o touro desse livre curso à sua natural fúria e escolhesse os sítios e as pessoas a atacar.

Anunciada para as 17 horas, a largada do cornúpeto só se verificou pelas 19 h, depois de o veículo que o transportava ter chegado às 18.45, perante os aplausos dos milhares de presentes, que na generalidade aproveitaram as quase duas horas de espera para se deliciarem com as iscas no pão, prato tradicional da festa, e muitas bebidas para refrescar a garganta.

Muitos “diestros” para um só touro

Susto no “burladero”

Às 19 horas, depois de preparado o touro para a “lide” – grossas e compridas cordas presas aos chifres – o animal foi finalmente liberto no recinto principal da “corrida”, o Largo do Chafariz, cerimonial precedido do lançamento de um foguete e coroado por muitas palmas e grande alarido de contentamento por parte do público e dos potenciais “diestros”, que perante as investidas do touro procuravam os lugares mais seguros para evitar alguma inoportuna marrada. Depois de o touro percorrer, sempre assediado por muitos “diestros”, algumas ruas da povoação, voltou ao Largo do Chafariz, onde, com maior ou menor dificuldade, foi metido no veículo que o transportou para o matadouro. No dia seguinte foi servido o habitual bodo a todos os que quiseram disfrutar do mesmo. “Um evento que se insere nos valores antropológicos do povo desta aldeia, ao qual há que dar continuidade”, nas palavras de Filipe Costa, residente no Penedo e um indefectível defensor das Festas do Espírito Santo.

Texto: António Faias
Fotos: António Faias/Idalina Grácio

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One Response to “[Capa 18-06-2010] O Penedo faz cumprir a tradição”

  1. Marco diz:

    Bom dia

    Infelizmente vejo muitas festas, pouco conteúdo e muitas fotografias. Aliás, uma das notícias em que há mais conteúdo, há poucas fotografias (notícia sobre o Encontro Cultural na Tapada das Mercês). Noto alguma incongruência nesse sentido. Apesar de achar que as marchas são importantes… mas há todos os anos! Este foi o primeiro encontro cultural de um sítio, onde consta na notícia, que tem 23 nacionalidades diferentes.

    Seria pedir muito que colocassem a notícia num post em separado, como fizeram com a notícia de capa? E se possível com mais fotografias. Pode ser que tenham apanhado alguma em que aparece o meu filho.

    Este jornal e especialmente o site/redes sociais estão cada vez melhores. Bom trabalho!

    Cumprimentos,
    Marco

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