Semanário Regionalista Independente
Terça-feira Fevereiro 7th 2012

[Capa 09-07-2010] Jovens ciclistas alegram estradas do concelho

Foram 87 jovens ciclistas dos 17 aos 18 anos oriundos de todo o país e de Espanha que no domingo, 4, se concentraram na Estefânia e pedalaram rumo a Montelavar, num circuito de 82 quilómetros. Alegraram as estradas do concelho e receberam os encorajamentos dos populares amantes da modalidade. Entre eles os jovens ciclistas sintrenses João Pimentel, João Paiva, Rodrigo Sousa, André Azevedo, André Barros e David Morgado, incorporados em diversas equipas. O vencedor foi Rafael Reis, do Crédito Agrícola de Alcobaça. Este 1.º Troféu Ibérico foi organizado pela Associação de Ciclismo de Lisboa com o apoio da Federação Portuguesa de Ciclismo e a colaboração empenhada dos entusiastas da modalidade no concelho, nomeadamente Conceição Pardal, Eduardo Azedo, Manuel Martins e Maximino Clemente.

No domingo 4 de Julho, a Estefânia acolheu a partida da prova «1.º Prémio Ibérico» de ciclismo a nível nacional/escalão de Juniores, com a presença de equipa espanhola Águas Mondariz.

A organização da prova pertenceu à Associação de Ciclismo de Lisboa e contou também com a colaboração do padre Avelino, das paróquias de Montelavar e Pêro Pinheiro, dos Motards da Facção, e de Conceição Pardal entre outros. Presente na partida dos ciclistas Eduardo Casinhas, da Junta de Freguesia de Sintra – Sta. Maria / S. Miguel.

Participaram todas as equipas a nível nacional, num total de 87 ciclistas com idades entre os 17 e 18 anos. Rafael Reis do Crédito Agrícola/Alcobaça CC impôs-se de forma segura no Troféu Ibérico de Juniores após preceder, com 4m14s de avanço, a concorrência finda a prova de 82 quilómetros entre Santa Maria (Sintra) a Montelavar. O vencedor declarou ao Jornal de Sintra que não é a 1.ª vez que corre nas estradas de Sintra e expressou a sua alegria pela conquista do troféu.

Rafael Reis, do CA de Alcobaça, equipa primeira classificada

Rafael Reis manifestou a sua presença desde os primeiros despiques isolando-se na companhia de Samuel Magalhães (Vulcal / Inplenitus) e Ricardo Ferreira (Silva & Vinha/ADRAP). Com a ameaça do pelotão, Reis esperou pela subida às Areias para se destacar em definitivo começando a construir um avanço folgado até à meta. A média da prova, com um percurso acidentado, cifrou-se nos 38.710 km/h.

A resposta dos demais adversários não se fez esperar tendo saído em busca do natural de Palmera novamente Ricardo Ferreira e Joaquim Silva, ambos do Silva & Vinha/ ADRAP. Já na parte final, Samuel Magalhães voltou a esforçar-se por se isolar na companhia de André Carvalho (Trevomar-EC Fernando Carvalho). O pelotão chegou comandado por José Gonçalves (CC Barcelos-AFF) a 8m04s do vencedor.

Classificações: Santa Maria – Montelavar, 82 km – Média de 38.710 km/h. – 1.º Rafael Reis (Crédito Agrícola/Alcobaça), 2h07m06s; 2.º Ricardo Ferreira (Silva&Vinha/ADR AP), a 4m14s; 3.º Joaquim Silva (Silva&Vinha/ADRAP), mt; 4.º Samuel Magalhães (Vulcal/Inplenitus), a 6m53s; 5.º André Carvalho (Trevomar/ EC Fernando Carvalho), a 6m57s; 6.º José Gonçalves (CC Barcelos/AFF Electrodomésticos), a 8m04s; 7.º Paulo Gonzalez (Expert/ Águas de Mondariz), mt; 8.º Fábio Leaça (Munditubo/ SGR Ambiente/Paio Pires), mt; 9.º José Martins (CC Tavira), mt; 10.º Carlos Ribeiro (Silva&Vinha/ADRAP), mt. Os sintrenses que participaram nesta prova ciclistas do concelho distribuídos por várias equipas. São eles: João Pimentel, João Paiva, Rodrigo Sousa, André Azevedo, André Barros, David Morgado e Miguel Marques.

Fonte: F.P.C.

Equipa Ases de Penafiel

Lina Andrês e Conceição Pardal

Motards da Fação

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O “sprint”

Foi no ano de 1959 que, encorajado por meia dúzia de amantes do desporto das bicicletas, a direcção do Mem Martins Sport Clube deliberou criar uma secção de ciclismo. Os resultados das primeiras provas foram muito fraquinhos já que, de mediocridade do conjunto, apenas se salientaram dois elementos. Os outros…

Era pois necessário reforçar a equipa, caso se quisesse fazer figura. Foi assim que, por mão alheia, apareceu no “Mem Martins” um tal “João Henriques” rotulado de “muito bom rapazinho e com jeito para o ciclismo”.

Fez a sua estreia no circuito de Mem Martins, no dia 14 de Junho de 1959, onde conseguiu um honroso 3.º lugar e, no domingo seguinte, no circuito do Algueirão, venceu tudo e todos, chegando à meta com um substancial avanço sobre o 2.º classificado.

A partir desse dia, os mais entendidos no “desporto do pedal” começaram logo a augurar-lhe um futuro promissor na modalidade.

Com um terceiro lugar na prova da estreia e uma vitória concludente no domingo seguinte, o “João Henrique” passou, num ápice de desconhecido a vedeta.

Vedeta para os seus adeptos e admiradores porque para ele o vedetismo não contava. Continuou a ser o mesmo de sempre: modesto, simples, bonzão…

Como não há bela sem senão o “João Henriques” também tinha o seu: faltava-lhe o “sprint”.

Poderia, ao longo da sua brilhante carreira, ter ganho dezenas e dezenas de provas se, à vista da meta, tivesse aquilo que em gíria ciclista se chama “ponta final”. Mas não tinha e, então, na maioria das vezes, depois de ter feito uma prova brilhante, não conseguia classificar-se nos lugares de honra por falta do tal “sprint”.

Se em Mem Martins o “João Henriques” era um ídolo, na sua terra – Casalinhos de Alfaiate – o João era o ai-Jesus daquela gente.

Aos domingos, ao cair da tarde, sempre que o João ia correr as pessoas não arredavam pé, do café lá da terra, sem que chegasse alguém com notícias da prova.

Então, se o João ganhava era vivas e copos (e às vezes foguetes!) à saúde do vencedor mas, se não ganhava, havia o natural desânimo e os mais entendidos até teciam comentários às características do ciclista.

Foi assim que, um dia, quando chegou a notícia de que o João tinha “feito” um sétimo lugar, alguém comentou:

– É uma pena o nosso João não ter “sprint”.

Esta afirmação foi corroborada por quantos estavam na conversa e houve até um que prognosticou:

– Se o João tivesse “sprint”, ninguém o papava! Ganhava tudo!!

Uma velhota, acérrima admiradora do “João Henriques”, não se conteve e meteu a colherada: –

Olhem cá, então se nós já lhe comprámos uma bicicleta das melhores, porque carga d’água não lhe havemos, também de comprar uma coisa dessas?!… Um “sprint”?!

N.B. – “João Henriques” é o nome por que foi conhecido enquanto correu no “Mem Martins” o ciclista João Roque, de seu nome João Henrique Roque dos Santos, que foi, no seu tempo, um verdadeiro campeão vencendo inclusivamente uma volta a Portugal.

In “Mem Martins – Retratos”, Zé de Fanares

Antigos corredores: 1958 (Concelho de Sintra)

Arnaldo Péleve (Náo), Albertino, Domingos Claudino (Canástro), António Acúrcio, Florêncio Silva (Covas), Flávio Simões, Xico Portela, Manuel Caneira, Baptista Alvas (corredor e treinador), João Roque, Ladeiras, Paralelo, Luís.

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