Semanário Regionalista Independente
Quinta-feira Abril 16th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

É só gastar cera com ruins defuntos…

Bernardo de Brito e Cunha

TENHO SIDO surpreendido nos últimos dias, em que tenho acompanhado, com maior ou menor atenção, o “Você na TV”. E a surpresa tem surgido do facto de Cristina Ferreira estar de férias e, portanto, Manuel Luís Goucha ter o programa por sua conta. Até aqui nada de especial, já tem acontecido noutras em alturas e, ainda há poucas semanas, a situação foi invertida: Goucha foi de férias ou em trabalho e Cristina ficou “ao leme” do programa. A grande, a verdadeira surpresa tem sido ver Goucha a “encher chouriços”, como se costuma dizer: não que muitas vezes o par não recorra a isso, mas nessas alturas fá-lo com alguma graça – e muita risada alta por parte de Cristina Ferreira… Mas, desta vez, a coisa tem sido diferente: e chega quase a ser penoso ver o próprio Goucha a dizer um chorrilho de disparates para depois confessar para a câmara que “com tanta parvoíce já ganhei para aí uns três ou quatro minutos”… Não esperava isto dele: será que ele próprio está (muito) necessitado de férias?

A PROGRAMAÇÃO tem estado do piorio. Bem sei que é natural, que estamos no Verão, que anda tudo de férias, que nem notícias há. Excepto, como sempre acontece nesta altura do ano, as dos incêndios que se sucedem. Incluindo zonas que já arderam seis vezes e provocaram, infelizmente, algumas mortes e muitas habitações destruídas. Desta falta de notícias rapidamente se passa para Judite de Sousa e um jovem Lorenzo, como há vários por esse mundo, herdeiro de milionários e ele próprio, apesar da pouca idade, também rapaz dado a alguns gastos. Judite de Sousa, vá-se lá saber porquê – talvez por não ter sido convidada para a sua festa de anos, onde estava Pamela Anderson , decidiu entrevistá-lo num “Jornal das 8” de sexta-feira. E tendo-o convidado para sua casa, decidiu ser acintosa e, pareceu-me, querer dar lições de vida ao moço de 22 anos. Mas o pior não é isso: é que a entrevista de Judite Sousa – basta ver a pose, o tom e, sobretudo, o olhar sobre o mundo sugere estar de regresso o velho “justiceirismo” da TVI, que Manuela Moura Guedes cultivou com tanto gosto, afinco e uma quantidade desmesurada de falta de educação e “peixeirismo”.

LOGO A SEGUIR, desfez-se em desculpas. Ao Diário de Notícias, primeiro, e logo a seguir no próprio “Jornal das 8” de domingo, com o beneplácito de Marcelo Rebelo de Sousa, numa cena obviamente encenada, como alguns discursos de improviso (escritos) que tão bem conheço… O professor fingiu que lhe dava “nas orelhas” pelo tom austero, ela repetiu que sim, que tinha sido demasiado ríspida, que temos todos os nossos dias piores, e Marcelo a dizer-lhe para não se preocupar, que acontecem por aí coisas bem piores. E disse-o com aquele gesto largo de mão, assim como quem passa uma esponja. Era o que a estação lhe tinha pedido e, porque não dizê-lo?, para que lhe paga. Também. Mas, “limpezas” à parte, insisto na pergunta: entrevistar o jovem Lorenzo porquê?

UM OUTRO ASPECTO do Verão nota-se nas audiências, que recebo no meu telemóvel todos os dias, religiosamente, através de uma aplicação da Marktest. Coisas impensáveis, há uns anos, mas os desígnios da tecnologia são insondáveis – e que me perdoem a blasfémia encapotada. Mas adiante. E lá vou sabendo que a novela “Dancin’ Days” ocupa sempre o primeiro lugar do top, a não ser que jogue a selecção. E dei comigo a constatar o seguinte: durante a semana, os programas mais vistos têm entre 12 e 14 porcento de audiência, mas ao sábado o programa mais visto tem pouco mais de 9 porcento. Ora esses 3, 4 ou 5 pontos percentuais de diferença correspondem a qualquer coisa entre as 300 e as 500 mil pessoas: é gente, caramba! Que será que elas fazem ao sábado para não verem televisão? Meu Deus, não me digam que se põem a ler!!!!

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA
«A SIC tem na manga um trunfo forte, “Ídolos”, com estreia marcada para o dia 5 de Setembro e com apresentação de Pedro Granger e Sílvia Alberto. E se para o primeiro esta é a estreia absoluta como apresentador, para Sílvia Alberto, a nova coqueluche da estação, o trabalho de apresentadora não é novo: temo-la seguido em “Campeões Nacionais” e “Êxtase”, e anteriormente marcara a sua presença no “Catarina.com” e no programa “Flash”.
“Ídolos” é uma série que tem por objectivo descobrir e revelar uma estrela (e não criar uma) a partir de um casting nacional. “Ídolos” vai contar, em 21 programas, a história dessa procura iniciada por um painel composto por quatro implacáveis profissionais no mundo da música – o júri, que será composto por Luís Jardim, Manuel Moura dos Santos, Sofia Morais e Ramón Galarza.»
(Esta crónica, por desejo do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 3992 de 30 de Agosto de 2013

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