Semanário Regionalista Independente
Quinta-feira Abril 16th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

Olha as notícias fresquinhas!!!

Bernardo de Brito e Cunha

UMA NOITE mal dormida pôs-me a ver noticiários desde muito cedo, na terça-feira. A primeira nota dizia respeito às previsões para 2015, de acordo com o “Economic Outlook”, nesse dia divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE): o relatório espera que Portugal registe um crescimento de 1,1 porcento, inferior à previsão do Governo e da troika, que apontavam para um crescimento de 1,5 porcento. Mas não só: para 2013, a concretizar-se a previsão da OCDE, o recuo da economia será ligeiramente inferior ao previsto pelo Governo e pela troika cuja previsão é de uma recessão de 1,8 porcento. Mas há mais ainda: Portugal não vai cumprir as metas acordadas com a troika, permanecendo com um défice acima de 3 porcento em 2015, segundo a OCDE, que defende um desvio dos objectivos, se o crescimento for menor do que o previsto. De acordo com o “Economic Outlook”, Portugal vai chegar ao fim deste ano com um défice orçamental de 5,7 porcento, valor que deverá cair para os 4,6 porcento em 2014 e para os 3,6 porcento em 2015. Isto significa que todos estes valores estão acima dos objectivos acordados entre as autoridades portuguesas e a troika, respectivamente de 5,5 porcento em 2013, 4 porcento em 2014 e 2,5 porcento em 2015.

TANTO NÚMERO, tão cedo, deixa qualquer um de rastos. Relembro uma passagem da carta de demissão de Vítor Gaspar: “Numa carta de demissão é imperativo reflectir sobretudo sobre as próprias limitações e responsabilidades. O incumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida, em 2012 e 2013, foi determinado por uma queda muito substancial da procura interna e por uma alteração na sua composição que provocaram uma forte quebra nas receitas tributárias. A repetição destes desvios minou a minha credibilidade enquanto o Ministro das Finanças.
Os grandes custos de ajustamento são, em larga medida, incontornáveis, dada a profundidade e persistência dos desequilíbrios, estruturais e institucionais, que determinaram a crise orçamental e financeira.” O ministro que não acertou numa previsão caiu em si e demitiu-se. Outra pessoa ocupou a pasta, mas nem assim conseguimos acertar. Isto é coisa de bom aluno, como o governo se autoproclama? Ou estas previsões da OCDE confirmam o “chumbo” do pseudo aluno maravilha?

O CONVIDADO DO “Jornal das Dez”, da SIC Notícias, foi Luís Queirós, fundador da Marktest e presidente da Fundação Vox Populi. Foi comentar as notícias da imprensa do dia: falou da entrevista ao ministro Jorge Moreira da Silva, Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia (a quem o jornalista perguntou se o anunciado aumento da economia não iria complicar as alterações climáticas…) e, inevitavelmente, acabou por falar do jogo da Suécia contra Portugal. Fê-lo, no entanto, de uma maneira que não é vulgar, para não dizer até original. Disse Luís Queirós que “o jogo da selecção é a notícia que reunirá a unanimidade dos portugueses, como se a selecção fosse um pouco aquilo que resta da pátria portuguesa. Se não fosse a selecção, grande parte dos nossos jovens não saberia entoar o nosso hino e a própria bandeira estaria aí, tristonha, nas repartições públicas. Aquilo que resta da nossa autonomia é o futebol e a população está unida em volta desta luta e deste entusiasmo”. E, apontando a primeira página de um jornal desportivo, acrescentou: “A notícia refere em título “Um país, uma bandeira, uma equipa” e, se calhar, podíamos acrescentar um hino. Nós, hoje, da pátria, temos pouco mais do que isto – o desporto em geral e, neste caso, o futebol.”

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA
«Sabemos todos, até porque o ministro Morais Sarmento não nos deixa esquecer o facto, o estado financeiro da RTP, que a impossibilita de grandes voos. (…) Na RTP, para além da falta de dinheiro, há uma óbvia falta de aposta em caras novas, de que resulta aquilo que já se vai tornando um clássico: se acontece um evento qualquer especial – e passe-se ele onde se passar, do Minho ao Algarve – é certo e sabido que os apresentadores serão os mesmos: Jorge Gabriel e Merche Romero. E esta última entra em cena tão-só porque Sónia Araújo foi mãe. E lá vimos o duo maravilha – não sei como eles aguentam, sinceramente… –, mais uma vez, na festa de inauguração do novo estádio do FC Porto, em condições muito complicadas, que o tempo estava um vendaval pegado.
Tudo isto para dizer que sempre que alguém ligar o seu aparelho de televisão e sintonizar a RTP, de manhã, à tarde ou à noite, tem uma percentagem bem grande de dar de caras com Jorge Gabriel. E ele tem vindo a assumir progressivamente uma característica interessante de camaleão, isto é: o Jorge Gabriel que vemos matinalmente na “Praça da Alegria” não é o mesmo que, à noite, temos na condução do “Quem Quer Ser Milionário?”»

(Esta crónica, por desejo do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4004 de 22 de Novembro de 2013

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