Semanário Regionalista Independente
Terça-feira Junho 28th 2022

“BBC – As Crónicas de TV”

Gestão de negócios em directo

Bernardo de Brito e Cunha

JÁ AQUI falei disto: mas receio que, com o tempo, a coisa tome proporções incontroláveis. Falo de quê? De Cristina Ferreira e a sua actividade para além da TVI. Vejamos: a jovem (mais ou menos) começa como apresentadora no “Você na TV” e, ao fim de algum tempo, faz uma dupla de sucesso com Manuel Luís Goucha. Note-se que este último tem, pelo menos, um quarto de século de experiência televisiva – mas foi Cristina F. quem foi convidada para ser directora da TVI na zona do entretenimento. Tudo menos a informação, entenda-se, quando não havia de ser bonito: estou a imaginar um “Jornal das 8” feito ao jeito do “Você na TV”… Mas não é isto que me complica com os nervos: é aquilo a que chamei “a sua actividade para além da TVI”.

QUE FAZ Cristina F. nessa sua actividade? O panorama é diverso e vai de um blog a um livro, de uma linha de sapatos a um perfume, para agora culminar numa revista semanal. O lançamento do perfume, por exemplo, foi feito com um press release onde se lia “1.ª [sic] celebridade em Portugal a ter um perfume em nome próprio”. O perfume chamava-se (chama-se?) “Meu”, quando ela se chama Cristina. Adiante. O que importa aqui é que sempre que Cristina F. se aventura num qualquer campo para além do “Você na TV”, o dito “Você na TV” lhe dedica um tempo de antena promocional que não me parece normal, com reportagens do exterior, das gravações, das sessões de fotografia. O que eu talvez “engolisse” era que esse tempo de antena promocional viesse a ter uma campanha publicitária, paga, nem que fosse a um preço especial para directora. Alguém alguma vez viu um anúnciozinho ao perfume, aos sapatos, à revista? Nada.

NO MEIO de tudo isto, que é uma coisa que me provoca algum asco, deixa-me perplexo que Manuel Luís Goucha, que eu tenho como um homem de bem e um grande profissional, se preste a este tipo de coisa. Mas até que ele me explique, de forma convincente, manter-me-ei perplexo e com algum desgosto. E terei de vos deixar um aviso: a revista de Cristina F. sai a dia 7 de cada mês. Ponham-se, portanto, à defesa. Em cada um deles o programa “Você na TV” vai ter um belíssimo espaço a promover a revista…

A RTP, por ocasião do seu aniversário, em Março, decidiu abrir no serviço de televisão por cabo as frequências da RTP Madeira e RTP Açores. Começou pela RTP Madeira, no próprio dia 7, o que já deu para acompanhar as recentes eleições do arquipélago pelos olhos dos profissionais locais. Falar em “arquipélago”, de resto, até pode ser um exagero, dado que a Comissão Nacional de Eleições se “esqueceu”, pelo caminho, da ilha de Porto Santo, o que deu origem ao imbróglio que conhecemos.
Mas, mais importante do que isto, talvez, e sob o ponto de vista cultural, a abertura destas duas antenas vai permitir ver o que fazem madeirenses e açorianos. E quando falo nestes últimos lembro-me sempre de José Medeiros, o Zeca que nos deu aquela novela extraordinária que dava pelo nome de “Xailes Negros”. Esta será, talvez, a possibilidade de ver a sua obra, nem que seja em repetição: porque por cá, no Continente, há muito que se esqueceu Zeca e todos os outros. Triste sorte ter nascido ilhéu…

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Quando vi anunciado na SIC (não vem em qualquer jornal), na sexta-feira, o programa “Os Inspectores do Sexo”, torci logo o nariz. Cheirava-me a coisa importada, mais ou menos porcalhona – ao jeito da SIC, pronto. Fui a ver e, se por um lado a coisa era importada, não chegava a ter nada de porco. Tratava de sexo, sim, mas com aspecto sério e prático. Na circunstância, num jovem casal que vive junto há diversos meses, a mulher nunca conseguiu ter um orgasmo. Não é naquela relação, é em toda a vida. É aqui que entram em cena Tracey Cox e Michael Alvear, que se deslocam a casa do casal para traçar um diagnóstico sobre a sua vida sexual e dar conselhos práticos para melhorar o seu desempenho. Ele conversa com ela, ela com ele e vão procurar soluções. Interessante, nada chocante e pode ser que alguém aprenda alguma coisa.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4066/67 de 10 de Abril de 2015

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