Semanário Regionalista Independente
Terça-feira Abril 7th 2020

“BBC – As Crónicas de TV”

Indivíduos que dão mau nome ao futebol

Bernardo de Brito e Cunha

E QUANDO toda a gente pensava que a definição do campeonato nacional de futebol desta época iria prolongar-se para o próximo domingo, eis que Tiago Caeiro, naquilo que o treinador do Porto classificou como “uma jogada absurda”, empata no Restelo e permite que o empate do Benfica em Guimarães se converta no 34.º título do clube lisboeta. Que se recorde então Tiago Caeiro, indissociável desta conquista, mas também o facto de que até cinco minutos antes do final do jogo de Guimarães o campeonato parecia adiado para o próximo domingo: e embora o conseguimento (como certamente diria Assunção Esteves) do campeonato fosse coisa anunciada, a verdade é que uma outra equipa do Benfica operou uma transformação no Marquês que demorou, pareceu, apenas um ápice.
E houve núcleos de violência que se lamentam: por parte de elementos do público que não merecem ser benfiquistas (se o forem), mas também por parte das forças da ordem, que mais pareciam estar imbuídas de fervores clubísticos mas que não eram, de todo, de cor vermelha – a não ser, naturalmente, no raiado dos olhos. E o Benfica, que é um dos grandes clubes do mundo, vai ter de passar a fazer como fazem tantos outros clubes desta Europa: identificar esses elementos e bani-los dos estádios. Mais vale prevenir do que depois lamentar o irremediável. É impossível deixar que meia dúzia de energúmenos se equipare a elementos de outras claques: e o que essa meia dúzia fez no estádio D. Afonso Henriques não pode permitir que eles continuem a intitular-se benfiquistas. Impõem-se medidas drásticas: identificar, castigar e expulsar. Só assim uma família pode estar em segurança num estádio – desde que as mesmas medidas se apliquem às forças de segurança…

ESTAMOS NA ÉPOCA do ano em que as séries terminam. Maio é o mês em que as televisões mostram os últimos episódios das temporadas e acompanharei, com pena, o final de algumas delas. Aquela que mais me diverte é “Castle”, que julgo que nenhuma estação portuguesa emite, e que é exibida pelo canal por cabo AXN. A figura daquele escritor de romances policiais que se baseia, para escrever, nos casos que acompanha numa esquadra de Nova Iorque (que, entretanto, até já casou com a detective que chefia as investigações) foi construída com muita graça e vou sentir-lhe a falta, pelo menos até Setembro.
Num outro registo sou grande fã da série “Elementar”, que o canal TVSéries exibe. Como se percebe pelo título, a série recriou as figuras de Sherlock Holmes e John Watson só que, desta vez, há um Sherlock Holmes e uma… Joan Watson e tudo se passa na Nova Iorque dos nossos dias, embora ele mantenha a nacionalidade britânica – e, naturalmente, o sotaque inglês. A terceira série de “Elementar” já acabou, de resto, e nem sequer terminou bem: ficou no ar uma dúvida quanto a uma possível recaída de Sherlock nas drogas. O que, pelo menos, nos garante que haverá uma quarta série, o que é óptimo! Recorde-se que, nesta série, a dupla se criou exactamente por causa do vício de Sherlock: o seu pai, residente em Londres, contratou Joan, que é médica (como no original, claro!), para que ela pudesse vigiar Sherlock e ser sua mentora na recuperação.

NA ALTURA em que escrevo, não sei se Leonor Andrade, a nossa candidata ao Festival da Eurovisão de sábado, terá ontem (quinta-feira) garantido, na segunda meia-final de apuramento, uma presença nessa final. Esperemos que sim, até porque a canção de Miguel Gameiro não se compara às “emanuelices” que nos têm representado nos últimos anos… E isso já é um enorme passo em frente!

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Os ex-ministros Luís Nobre Guedes e Telmo Correia parecem ter aprovado, quatro dias após as eleições legislativas de 20 de Fevereiro, um projecto turístico no Vale de Gaia, em Belmonte (distrito de Castelo Branco). O empreendimento situa-se em terrenos que integram a Reserva Ecológica Nacional (REN) e é promovido pela Sodatur, Sociedade de Desenvolvimento Agro-Turístico. Esta empresa é propriedade de Alexandre Abreu, um empresário que poderá integrar a lista do PSD para a Câmara da Guarda nas próximas eleições autárquicas. Alexandre Abreu – que, ao que sabemos, é filho de Fernanda Pires da Silva – garantiu que “não houve favores políticos”, acrescentando que a decisão dos ex-ministros é que foi tardia, porque “estava tudo pronto há meses”. Alexandre Abreu chegou a criticar a atitude dos ex-ministros, que, diz, deviam ter “despachado na hora” a aprovação do empreendimento que já tinha tido luz verde por parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C) “meses antes” das legislativas.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4072/73 de 22 de Maio de 2015

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