Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Outubro 25th 2021

“BBC – As Crónicas de TV”

É quase Natal! Mas por cá já se foi a Belém

Bernardo de Brito e Cunha

JÁ TINHA SIDO o Novo Banco a trazer mais dores de cabeça. Mas isso foi apenas o princípio. Assim que o recém-empossado governo foi chumbado na Assembleia da República, catrapuz!, foi a queda da devolução da taxa de IRS – que durante as eleições o futuro-ex-governo anunciava triunfante ir ser de 35% também dar um tombo e não de pouca monta: nem mais nem menos do que 35 pontos, passando a um redondo e rotundo zero. Neste caso, até podemos suspirar um pouco de alívio: imaginem que a coisa caía uns 36 ou 37 pontos… Lá tínhamos que ainda pôr mais algum. E só agora se veio a saber por que motivo a Europa, lá longe, se fartou de pedir (pelo menos!) um esboço do Orçamento de Estado: Pedro & Cia não deixaram uma linha alinhavada, perdoe-se-me a redundância da expressão. Isto quem quer bons governos (e sérios!) arranja-os… Mas se a coligação também não tinha um programa de governo, como diabo havia de ter um orçamento? Eu às vezes tenho esperanças na raça humana – mas são mais os desgostos do que os contentamentos…

ANTÓNIO COSTA lá teve que antecipar o Natal e fez ao longo da última semana diversas visitas ao “menino”, em Belém. Finalmente lá conseguiu formar governo, não sem que o mesmo menino lhe escrevesse cartas a perguntar coisas e a pedir garantias. E, está bom de ver, teve respostas – que não foram do conhecimento público, coisa com que muita gente se enxofrou. Não percebo porquê: quando recebia uma carta de uma (possível) namorada, era capaz de comentar com um amigo que “Fulana escreveu-me a perguntar isto e aquilo”. Mas depois, o que eu respondia, era comigo e com ela. Por isso não percebo tanta angústia pelo desconhecimento da resposta de Costa ao menino. Isso fez com que Ricardo Araújo Pereira tenha escrito, no seu espaço na revista Visão, a sua versão do que António Costa pode(ria) ter escrito a Aníbal. E é um texto notável, repleto de respostas que Aníbal certamente não esperaria – mas que são engraçadíssimas. Nomeadamente a que diz respeito à reforma do Presidente da República…

CONFESSO que gostaria de poder continuar a dizer bem do programa da RTP1 “The Voice Portugal”, até porque dentro do género de séries que são de procura de talentos vocais, este me parece um dos melhores, se não mesmo o melhor. No entanto, nesta fase em que entrou há uma ou duas semanas – o chamado “combate” entre dois concorrentes – a coisa baixou de interesse: está em jogo escolher entre duas vozes que o próprio mentor quis ter no seu grupo na primeira ronda. Aqui chegados, só um sobrevive, a não ser que outro mentor salve o concorrente que não foi escolhido… É uma fase mais aleatória em que a sorte tem um papel demasiado grande no futuro do concorrente que não foi escolhido. E, se bem me lembro, no último domingo teria escolhido quase todos os concorrentes não escolhidos…

E POR FALAR em RTP1, fica aqui um lamento. Começou esta semana a exibição da série “Gotham”, uma outra visão da figura da banda desenhada (e posteriormente do cinema) de Batman. A série é excelente e as personagens e o clima de film noir são absolutamente fantásticas, e é pena que a RTP a exiba para lá da uma hora da manhã. Não consigo fazer ideia quantas pessoas poderão/conseguirão manter-se a pé até às duas e tal da manhã e, consequentemente, não percebo bem que público pretende a RTP atingir com este horário: reformados, acamados e desempregados? Não são de ignorar, naturalmente, mas parece-me curto.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«De vez em quando convém refrescar os programas. Foi nisso que a nova direcção de programas da SIC – se calhar deveria ter escrito “de toda a SIC”, pois que o homem, de seu nome Penim, tem Carnaxide na barriga – pensou e, se bem o pensou, melhor o fez. Escrevi “melhor”? Isso é que é uma coisa que está por apurar. Para começar, acabaram com o “SIC 10 Horas”: e essa parte foi, efectivamente, boa, pela simples razão de que o programa começava às mais variadas horas… mas raramente às 10. Portanto, acaba-se com aquele programa e prepara-se Fátima Lopes para “voos mais altos” como se chegou a dizer. E em vez desse título tão apegado às horas, pois sejamos elementares: e chamaram ao programa, muito simplesmente, “Fátima” – com uma publicidade do canal que a dava, misticamente, como “a Senhora das manhãs”. Daqui a padroeira da República há-de ser, se Deus o permitir, um pequeno passo.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, Edição n.º 4097/98 de 4 de Dezembro de 2015.

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