Semanário Regionalista Independente
Quarta-feira Setembro 20th 2017

“BBC – As Crónicas de TV”


Mais um aniversário, mais um festival da canção

Bernardo de Brito e Cunha

A GRANDE FINAL do Festival RTP da Canção decorreu este domingo em directo, à noite, e serviu também para começar a cantar os parabéns à estação pública. No ano em que sofreu uma remodelação, com o convite a vários nomes da música contemporânea nacional para a composição dos temas a concurso, o Festival RTP da Canção 2017 ficou domingo decidido, com a RTP1 a emitir a grande final em directo a partir do Coliseu. A emissão, apresentada pela dupla Catarina Furtado e Sílvia Alberto, culminou com a escolha do representante português na Eurovisão em Kiev, no próximo mês de Maio.

NUNO GONÇALVES (The Gift), Luísa Sobral, Pedro Silva Martins (dos Deolinda), Rita Redshoes, Senhor Vulcão, Nuno Figueiredo (do grupo Virgem Suta), Celina da Piedade, João Pedro Coimbra (dos Mesa), Nuno Feist, Nuno Marques da Silva e Alex Gaspar formaram o leque de compositores e letristas que deram vida às oito canções que disputaram neste domingo a final do 51.º Festival RTP da Canção. Uma gala que servirá, também, para assinalar os 60 anos da RTP – e, por isso, da TV portuguesa. Entre os oito finalistas em competição estiveram Lena D’Água, Celina da Piedade, Jorge Benvinda (dos Virgem Suta), Pedro Gonçalves, Fernando Daniel, Deolinda Kinzimba (estes três últimos vindos do The Voice Portugal), Salvador Sobral (ex-participante do programa “Ídolos”) e os Viva La Diva (o trio composto por Kika Cardoso, João Peças e João Paulo Ferreira).

AO CONTRÁRIO do que aconteceu nas semifinais, em que o peso da pontuação foi dividido percentualmente entre o público e o júri do concurso, presidido por Júlio Isidro, nesta grande final foram apenas os espectadores a votar, através do telefone, nas linhas que a RTP já abriu há uma semana. Quanto ao feedback na Internet, a actuação de Salvador Sobral tem mostrado ser a mais popular de todas, com o respectivo vídeo a somar quase 400 mil visualizações no YouTube. Seguem-se os Viva La Diva e Fernando Daniel, na ordem das 100 mil visualizações.

A CANÇÃO “Amar pelos Dois”, interpretada por Salvador Sobral e composta por Luísa Sobral, venceu este domingo o Festival da Canção e vai representar Portugal no Festival da Eurovisão da Canção, na Ucrânia. Por sorteio, a actuação de Portugal no Festival da Eurovisão está marcada para a primeira semifinal, a nove de Maio em Kiev, na Ucrânia. Uma segunda acontece a 11 de Maio e a grande final decorre dia 13.

FOI NA ÚLTIMA terça-feira, dia 7 de Março, que a RTP 1 assinalou o seu 60.º aniversário. A festa começou mais cedo e a RTP Memória junta-se também as comemorações com uma programação especial. A partir da véspera, segunda-feira, Júlio Isidro leva os portugueses a conhecer os momentos mais marcantes da RTP em “A Caixa Que Mudou Portugal”, uma série de cinco episódios para acompanhar de segunda a sexta-feira, às 07h45. No dia seguinte, terça, o canal tem preparado um dia cheio de “boas memórias”. De manhã, às nove horas, foi exibido o muito conhecido programa musical “O Foguete”, conduzido por António Sala, Carlos Paião e Luís Arriaga.

SEGUIRAM-SE a transmissão de “O Álbum da Freira” que, com Herman José e Joel Branco, recriou os vários momentos de humor passados durante a série “A Freira”. Foi também exibido, às 13h e às 19h50, o documentário “6 Décadas de Televisão”, onde é relembrado o percurso da estação de televisão em Portugal. “Riso & Ritmo”, “Allegro”, “Nicolau no País das Maravilhas” e “Zip Zip” foram outros dos programas especiais preparados para o dia 7 de Março.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Os famosos estúdios da RTP no Lumiar fecharam as portas. Já não era sem tempo de os terem reformado, depois de quase 50 anos de serviços prestado. Eram históricos, por isso, mas também porque o 25 de Abril se encarregou de os celebrizar para o mundo – ou pelo menos a rampa e o pátio. Mas eram históricos, tanto em termos de televisão como nos da História ainda recente. A RTP, que festejou na quarta-feira o seu meio século, decidiu dedicar um programa, sábado passado, a esse fecho. Parece-me uma ideia ajustada, esta de não voltar as costas às coisas mais antigas, como tanta vez acontece neste país, e de se lhe dedicar um programa, que acabou por ter resultados completamente inesperados. Centremo-nos nos momentos finais do programa, que tinha nome, claro: e chamava-se muito justamente “E Depois do Adeus”, a canção que Paulo de Carvalho interpretou nos festivais da Canção e da Eurovisão em 1974.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)


Crónica publicada no Jornal de Sintra, edição de 10 de Março de 2017

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