Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Julho 16th 2018

“BBC – As Crónicas de TV”

Pensar o futuro – que é já agora

Bernardo de Brito e Cunha

Foi bom que centenas de portugueses tivessem ido até ao aeroporto Humberto Delgado receber a selecção de futebol, depois do seu precoce afastamento – acharam muitos, com mais dose de fé e esperança e, vá lá, alguma caridade, que assim ficam representadas as virtudes teologais, do que crença na qualidade, no treinador e na sua fé na Virgem. Fizemos o que pudemos ou nos deixaram (outras selecções com mais pergaminhos vieram embora mais cedo e outras logo de seguida) e, como digo, foi importante que os jogadores tivessem tido a recepção que tiveram. Sobretudo porque os que estiveram no aeroporto levaram os filhos pequenos e, muitos o afirmaram frente às câmaras de televisão, era importante que os miúdos começassem desde logo a achar natural que umas vezes se ganhe e outras se perca. Se essa nova geração se aperceber disso e souber conviver com essa realidade, então certamente que haverá uma esperança muito maior de que os trágicos acontecimentos de Alcochete não se repitam nunca mais.

Mas entre os presentes à chegada dos jogadores levantaram-se, também, algumas vozes que puseram questões (ou basicamente uma questão) que não são coisa despicienda. E essa questão era, basicamente, procurar saber se a selecção não estaria a precisar de sangue novo. O futebol é um desporto que não permite que os seus praticantes prolonguem a sua actividade ad aeternum, o que equivale a dizer que é uma profissão de desgaste relativamente rápido. Falemos dos marcadores dos golos portugueses neste Mundial: Ronaldo (33 anos), Quaresma (34) e Pepe (35). Estarão todos disponíveis para o próximo Europeu, daqui a dois anos? Talvez sim, talvez não – o que será pena. Mas isso é a lei natural do futebol: mais grave é não se rejuvenescer a selecção, já. Que deveria ter sido ontem…

Num breve parágrafo, uma nota de desagrado para com um futebolista de nome Neymar, da selecção do Brasil. É verdade que teve uma carreira meteórica no futebol, especialmente depois de ter ingressado no futebol europeu por uma das suas portas maiores, o Barcelona, de onde foi catapultado para o título de jogador mais caro do mundo, aquando da sua passagem para o Paris Saint-Germain. Só agora, ao ver jogar o Brasil, percebi o porquê de terem pagado 200 milhões de euros pela sua transferência: mais coisa menos coisa, talvez 100 milhões tenham sido pelo seu talento para o futebol – e os outros 100 pelo seu talento para o teatro. Há muito tempo que não via quedas tão aparatosas num estádio de futebol: e, muitas delas, graças ao slow motion e às repetições de diversos ângulos, sem que houvesse o mínimo contacto. Não havia necessidade, como diria o Diácono Remédios mas, mais importante ainda, um terrível exemplo para os jovens de todo o mundo. Que, antes mesmo de aprenderem a jogar, já estão a instruir-se na arte da aldrabice.

E agora, uma estranheza. Ouvi ontem, pela boca de Judite de Sousa, gabar a TVI por mais um mês de conquista no campo das audiências. Não o creio, até porque dois canais concorrentes, a RTP e a SIC, desde dia 14 que transmitem jogos do Mundial de futebol. Mas foi isso mesmo que Judite frisou: “apesar da transmissão em sinal aberto de diversos jogos de futebol.” Custa-me a crer: até porque vou seguindo, diariamente, as audiências.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«O programa da SIC a que se poderia chamar “Chuva de Estrelas Revisitada”, poderia ter tido alguma graça: descobrir o que aconteceu aos antigos concorrentes ao fim destes anos todos, era uma ideia engraçada. “Ah e tal, eu continuo na música, já gravei um single e tudo”, ou “Foi a última vez que pisei um palco, tal a vergonha que o Fernando Martins me fez passar”, por exemplo. Mas isto era curto para a SIC: a estação decidiu ainda fazer uma entremeada com uma outra ideia que Rangel já tivera – e que, naturalmente, Nuno Santos decidiu copiar , a de pôr as vedetas da estação a cantar. Má ideia, caramba!»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, edição n.º 4219 de 6 de Julho de 2018

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