Semanário Regionalista Independente
Segunda-feira Abril 22nd 2019

“BBC – As Crónicas de TV”

Nascimentos, casamentos e gastronomia

Bernardo de Brito e Cunha

A TVI decidiu acabar com o reality show “Quem Quer Casar com o Meu Filho?” no final do mês de Março, mais exactamente no domingo passado, dia 31. Quem deu a notícia (bombástica) foi o próprio director-geral da TVI, Bruno Santos, ao Correio da Manhã: “Devido às fracas audiências, e também ao facto de a produção não estar a corresponder às expectativas, a TVI decidiu antecipar o final do programa”, justificou. Motivos, os do costume: o programa terá tido menos audiências do que o concorrente “Quem Quer Namorar com o Agricultor?”, da SIC, que registou “quase 400 mil” espectadores a mais do que o reality show da TVI no seu dia mais visto, precisava o Correio da Manhã.

Só por isto, no domingo fui espreitar o programa. E o que vi não indicava minimamente um final: quatro jovens para cada filho, uma delas a ser expulsa e as outras a aguardarem serenamente (?) as cenas dos próximos capítulos que, aparentemente, ninguém lhes disse que não vai haver. Mas esta alteração, ocasionada pelos clássicos “motivos alheios à sua vontade”, não retira força à polémica motivada pelas características do reality show e considerado por parte do público misógino e sexista, e que motivou até queixas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) – tal como aconteceu com o seu concorrente “Quem Quer Namorar com o Agricultor?”.

Eu já gostava muito poucochinho, um quase nadinha, mesmo, de Leonor Poeiras, escolhida para apresentar o programa. Mas quando a vejo perguntar, nas redes sociais, se “alguma vez eu aceitaria apresentar um programa que trata a mulher como um objecto?”, em face do (pouco) que vi, a minha resposta só pode ser um “acho que sim”. É que até parece que a apresentadora não esteve nas gravações e não viu a forma como as concorrentes foram tratadas, tanto pelos moços casadoiros, como por aqueles amores que eram as mãezinhas… Sogras, salvo as devidas excepções, são espécimes muito complicados – e estavam todas no programa.

Não gosto nada de ficar com as coisas pela metade… Quando o segundo bebé-milagre, Salvador II, viu finalmente a luz do dia, foi um festival para as televisões. Alguns canais ouviram pessoas ligadas directamente ao caso, outros muitas pessoas que estavam a leste do assunto. Falou-se muito de ética, de deontologia, de todas essas coisas que vêm à baila nestas alturas. Foi de manhã até à noite: e às tantas, no meio de muito paleio e lugares-comuns ouvi uma frase que me fez ficar ainda mais atento. A frase era “A vida é uma doença sexualmente transmissível e no fim o paciente morre.” Na verdade, a citação não estava exactamente correcta e deveria ter sido “A vida é uma doença: sexualmente transmissível e invariavelmente fatal”. Enfim, digamos que estava lá a ideia – daí o ter-me feito ficar atento – mas o que não ouvi foi o nome do seu autor: chama-se Neil Gaiman e é um escritor britânico.

Já passou quase um ano desde a morte de Anthony Bourdain, que muitos recordarão mais como apresentador de um programa de televisão do que como chef. Alguns, entre nós, tiveram mesmo a oportunidade de o ver quando rodou alguns episódios do seu programa em Lisboa, Porto e Açores. Pois agora as últimas viagens de Anthony Bourdain já chegaram à televisão portuguesa (foi no dia 1 de Abril e nem é mentira), através do canal 24 Kitchen (infelizmente só disponível no cabo), com a estreia da 12.ª e última temporada de “Parts Unknown”, o programa que o ex-cozinheiro e apresentador estava a gravar quando morreu.

Depois de ter sido exibido primeiro no Tribeca TV Festival de Nova Iorque, em Setembro de 2018, e de mais tarde ter chegado aos ecrãs norte-americanos, via CNN, a 23 de Setembro do mesmo ano, o programa chega a Portugal com o nome “Anthony Bourdain: Viagem ao Desconhecido” e será composto por sete episódios, os primeiros cinco no formato habitual e os últimos dois um pouco ao jeito de uma homenagem ao norte-americano que revolucionou a forma como o grande público passou a ver e discutir a gastronomia.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA
«Quando confrontado, mais uma vez, com a realidade de que rende menos na Selecção do que no Manchester United, Cristiano Ronaldo, esse bravo madeirense, ofendeu-se. E discordou. Que não acha que isso seja verdade e que os números estão aí para o demonstrar. Não disse que números eram esses: a verdade é que, o ano passado, ele foi Bota de Ouro – e não o foi por causa da Selecção… Mas disse mais: disse que “se todos os colegas de equipa jogassem como ele, Portugal já teria sido campeão do mundo”. E, caramba!, disse isto sem se rir, com um ar sério, ofendido mesmo.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)


Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4243 de 5-4-2019

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