Semanário Regionalista Independente
Sábado Setembro 21st 2019

“BBC – As Crónicas de TV”

Que ar irão os nossos netos respirar?

Bernardo de Brito e Cunha

Fechei as crónicas, antes do período de férias, a falar de incêndios mas é impossível não voltar ao tema – e, desta vez, a um nível mais grave, se é que algum incêndio pode ser qualificado de “menos grave”… Desta vez, no entanto, é mais alarmante na medida em que afecta toda a população mundial e os telejornais não têm parado de referir exactamente isso. Refiro-me aos incêndios que grassam na América do Sul, sobretudo na Amazónia, o que implica diversos países da zona, que não só o Brasil. Mas tem sido neste país que os seus responsáveis (leia-se Presidente Bolsonaro e o Ministro do Ambiente) menos (parecem) preocupar-se com aquilo a que me habituei a ouvir chamar, desde pequeno, o “pulmão da Terra”, recusando mesmo ajudas comunitárias decididas durante a reunião do G7 (ao contrário do Presidente Morales) e preferindo uma atitude não só de má-criação e insulto, mas também uma posição em tudo semelhante ao “orgulhosamente sós” que muitos de nós tão bem recordam. Só que no caso do Brasil, que já reconheceu que não tem meios para combater incêndios daquela grandeza, a coisa é diferente: é mais de “deixa arder”, que parece que Bolsonaro tem muitos amigos a quem vender a madeira e outros ainda (serão os mesmos?) que estão ávidos de explorar as riquezas que a Amazónia contém no seu subsolo. Só que Bolsonaro, o seu Ministro do Ambiente, aparentemente todo o seu Gabinete (a que poderemos acrescentar todos aqueles que o acham o melhor presidente que o Brasil já teve) têm filhos – e provavelmente netos. E estes, que ar irão respirar?

Mas façamos uma pausa nas tristezas: “Candice Renoir”, a tão divertida comandante da polícia de Sète, no sul de França, vai regressar mais radiante do que nunca, com o seu charme encantador e a sua brilhante capacidade para resolver as investigações mais complexas. É verdade que esta é apenas a 6.ª temporada e no AXN está quase a acabar a 7.ª, mas que havemos de fazer? Nesta 6.ª a comandante apenas sente a falta de Antoine, o capitão por quem tem, sem o admitir, uma eterna paixão. Depois de um ano de ausência, Antoine regressa a Sète e os dois caem nos braços um do outro. Só que no dia seguinte, Candice descobre que durante esse tempo de afastamento Antoine tirou o curso de comissário e é agora o novo chefe da Brigada. Traída, furiosa, choca na frente do hotel onde toda a polícia celebra a promoção. Agora é tempo de “guerra e não de amor” e a chegada de um novo investigador, escolhido pelo seu belo físico, agrava ainda mais o clima de tensão entre Candice e Antoine. Quanto aos filhos, esses cresceram rápido demais para o gosto da comandante! Um dos gémeos vai estudar para fora, Jules continua as suas experiências de todos os tipos, e Emma apaixona-se por um professor encantador… mas da idade de Candice. Estreia amanhã, sábado, às 17h45, na RTP2.

Já que falei no AXN, que é transmitido no cabo, o canal Fox Crime (também da televisão por cabo) tem vindo a exibir mini-séries de algumas obras de Agatha Christie: já vimos “Testemunha de Acusação” e “Os Crimes do ABC”, esta última com John Malkovich no papel de Poirot. Desta vez – domingo às 22h00 – vamos poder ver “Cabo da Víbora”, também uma produção da BBC. Nos anos 50, no Natal, a rica filantropa Rachel Argyll (Anna Chancellor) é assassinada na sua casa de família, em Sunny Point. O seu filho adoptivo, Jack Argyll (Anthony Boyle), um jovem delinquente, é preso pelo seu assassinato e protesta veementemente a sua inocência. Mas 18 meses depois do sucedido, o Dr. Arthur Calgary (Luke Treadaway), um misterioso cientista, caminha pelos relvados aveludados de Sunny Point, alegando ter acabado de voltar de uma expedição ao Árctico. O facto de manter o seu álibi pode provar a inocência de Jack, no entanto, este morre na prisão antes que o caso pudesse ser julgado, e a família Argyll mostra-se relutante em desvendar os segredos do passado.
O viúvo de Rachel, Leo (Bill Nighy), está quase a casar novamente e nenhum dos outros filhos adoptivos de Rachel, Mary (Eleanor Tomlinson), Mickey (Christian Cooke), Tina (Crystal Clarke) ou Hester (Ella Purnell), está disposto a reabrir o capítulo mais horrendo das suas vidas. No entanto, as implicações devastadoras da história de Calgary são grandes demais para serem evitadas. Se estiver a dizer a verdade, a pessoa errada foi presa pelo assassinato de Rachel. E se Jack é inocente, o culpado será outra pessoa em Sunny Point e ainda está à solta.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Mas não ficámos apenas mais pobres com a morte de Raul Solnado: também Morais e Castro nos abandonou. Aquele que era um advogado que preferira os palcos aos tribunais, será talvez mais lembrado pelo seu papel de professor na série que fez com Luís Aleluia, “O Menino Tonecas”. Injustamente, claro. Os papéis que desempenhou no teatro são bem maiores do que isso. Tal como o papel que teve como dirigente político tende agora a ser esquecido. É sempre assim, infelizmente.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4270 de 30 de Agosto de 2019

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