Mira Sintra
Criada em 2001 depois do fraccionamento de Agualva-Cacém em quatro freguesias, tem mais de seis mil habitantes. Teve na sua génese um bairro social iniciado em 1965 e tem vindo a ser alvo de um processo de requalificação urbana.
Crescimento urbanístico preocupa esquerda
O PS lamenta sobretudo a falta de projectos estruturantes. “Choca-me que a maior parte dos investimentos essenciais não foram feitos e o ilusionismo político feito pelo Fernando Seara e pela Junta, quando candidataram projectos no valor de 7 milhões de euros ao Programa Operacional da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e já sabiam que a candidatura não era exequível”, acusa o PS.
Rui Pinto, que se recandidata pela Coligação Mais Sintra, explica que “Sintra só podia apresentar uma candidatura e tendo em conta os projectos que estão por executar, o presidente da Câmara aceitou candidatar Mira Sintra”, revela. No entanto, a proposta foi recusada porque a freguesia não foi considerada um bairro crítico. “Infelizmente apenas foram apoiados municípios do PS e da CDU, espero que por mera coincidência”, comenta.
Entre os projectos por executar estão o Centro de Apoio à Criança (CAC), o campo de futebol, a adaptação do mercado municipal e a construção de um complexo desportivo. Outro problema que falta ultrapassar prende-se com a ocupação dos fundos vazados da Fundação D. Pedro IV, um espaço que foi ocupado ilegalmente por várias famílias. “Gostava de resolver a questão criando ali um centro de recursos para que o resto da população se possa deslocar àquele beco, porque o bairro foi construído numa extremidade onde só vão os residentes”, diz.
O autarca rejeita as restantes críticas e justifica que “o último mandato foi muito trabalhoso, sobretudo na área da acção social, que é menos visível em termos públicos”. A Junta, diz, respondeu aos problemas com a criação de um gabinete específico, de uma comissão de acompanhamento das famílias carenciadas, um clube de emprego e com uma candidatura recente a um Gabinete de Reinserção Social, que procurará combater o aumento do desemprego.
O PS reconhece o esforço na área social, mas argumenta que as obras estruturantes estagnaram. “Não há dúvida que a freguesia está melhor, mas todas as obras estruturantes que tem foram lançadas no tempo da presidente Edite Estrela. E os últimos quatro anos foram de inércia. O CAC, por exemplo, está para ser construído há 36 anos”, exemplifica.
O presidente contesta esta visão e recorda que a construção desses projectos aconteceu já com Fernando Seara. “Havia projectos, mas estavam na gaveta e há que distinguir a capacidade de ter ideias da capacidade de os executar, que é efectivamente mais difícil”, argumenta Rui Pinto.
Em matéria de obras, a CDU queixa-se que “a avenida principal é a única via que está bonita. Quem vai para o meio dos prédios percebe que só foi arranjado o que está à vista”, acusa João Figueiredo. A crítica é partilhada por José Fragueiro, do BE. “Quem chega a Mira Sintra pensa que o presidente fez uma obra bonita, mas depois percebese que as traseiras dos prédios não são arranjadas.” O presidente nega a acusação e diz que “só fala na avenida quem não se desloca a outros locais da freguesia.”
Já Ricardo Varandas lamenta que o centro de idosos continue fechado há três anos, e atribui responsabilidades à Câmara. Rui Pinto concorda, mas lembra que tem reivindicado a abertura do espaço. “É um projecto inovador que não existe ainda no concelho e é preciso criar regras. Houve também necessidade de rectificar aspectos técnicos. Mas converter estas residências como o PS propõe, em lar de idosos, é impensável. Só o pode propor quem não conhece as regras de um lar”, diz o candidato.
Mira Sintra aguarda nova urbanização
A CDU, por seu lado, critica a falta de um campo de futebol, “uma promessa antiga” que data da fusão dos clubes locais. “Foi prometido um pavilhão e um campo, mas os dirigentes dizem que não tem protocolo nenhum para estas infra-estruturas”. Rui Pinto admite que não há protocolo e lembra que “o que há é um compromisso com os futuros urbanizadores”.
A “urbanização de grande dimensão” tem de esperar pelo desenvolvimento da obra do IC16. “Quando for concluída a auto-estrada a Câmara já poderá licenciar o crescimento de Mira Sintra e aí sim, irão aparecer essas infra-estruturas”, revela. Segundo explica, “o projecto terá como contrapartidas algumas infra-estruturas sociais, que incluem um campo de futebol e um pavilhão polidesportivo coberto.”
O anúncio preocupa CDU e BE. “O betão preocupa-nos porque vai ocupar mais um espaço verde junto à serra da Carregueira”, resume o BE. Rui Pinto responde e diz tratar- se de um “crescimento imprescindível para criar algum equilíbrio sócio-demográfico” na freguesia. “Será uma construção de qualidade para atrair agregados familiares mais jovens e com maior capacidade económica, sobretudo agora que temos uma nova acessibilidade, o IC16”.
O IC16 é visto por todos como uma oportunidade, embora a CDU continue a contestar as portagens. “É um pontochave na dinâmica que o PS quer incutir na freguesia e a forma mais que óbvia de atrair investimento”, diz Ricardo Varandas. Os quatro candidatos discutiram ainda a importância dos projectos ligados às energias renováveis, embora PS, CDU e BE levantem reservas à forma encontrada pela Junta para os concretizar.
«Dediquei-me profundamente e os resultados estão à vista. A minha motivação continua a ser a mesma: trabalhar com serenidade mas com eficácia» Rui Pinto, Coligação Mais Sintra
«Peço confiança para colocar em prática propostas que vão auxiliar a população e trazer as pessoas à política activa» Ricardo Varandas, PS
«O BE assume a responsabilidade de transformar a freguesia e apostar na melhoria da qualidade de vida da população» José Fragueiro, BE
texto e fotos: Luís Galrão


