Na manhã do primeiro dia de aulas após a interrupção do Natal, o Daniel, aluno da Sarrazola, foi colhido por uma viatura quando se encaminhava para a escola, a escassos cem metros do seu destino.
Assistido no local pelos Bombeiros Voluntários de Colares, foi transportado em estado preocupante para o Hospital Francisco Xavier, tendo posteriormente sido transferido para o Hospital de Santa Maria.
No espaço de um ano, é o segundo acidente grave que se verifica nesta via, envolvendo alunos da EB 2,3 da Sarrazola.
Esta estatística, que só por milagre não apresenta números muito mais elevados, vem comprovar a pertinência das preocupações há muitos anos reiteradamente manifestadas pela comunidade educativa junto das autoridades competentes, relativamente à falta de condições de segurança verificadas na EN 247 (Avenida Dr. Brandão de Vasconcelos), única via de acesso às duas mais populosas escolas da freguesia de Colares: a EB 2,3 da Sarrazola e a EPAV.
Entre a Várzea de Colares e as referidas escolas, o percurso para os peões é feito por pequenos e estreitos trechos de passeio entrecortados por valetas, e os automobilistas, para além da vulgar e muitas vezes pouco eficaz sinalética de proximidade de escola, nada mais encontram que desincentive o excesso de velocidade ou que os alerte para os perigos que correm e fazem correr.
Há muitos anos que as associações de pais e os responsáveis da escola EB 2,3 reivindicam, junto das autarquias e das Estradas de Portugal, a colocação de semáforos limitadores de velocidade, de lombas, e a criação de uma via alternativa de acesso às escolas através da ligação da Rua Mesquita (via paralela à estrada nacional) às suas imediações.
Até hoje, nem as autarquias, nem os responsáveis pelas estradas, nem o Ministério da Educação mostraram grande preocupação por encontrar soluções.
Na passada 2.ª-feira, o Daniel foi parar ao hospital.
Era o primeiro dia de aulas do ano de 2010, precisamente 28 anos após o primeiro alerta às autoridades feito pela então Escola Preparatória de Colares e pela sua Associação de Pais.
Quantos acidentes terão que acontecer para finalmente merecermos a atenção de quem de direito?
No seguimento do interesse manifestado pelo Jornal de Sintra relativamente a este nefasto acontecimento, fomos contactados por Pedro Fonseca, presidente da direcção da Associação “Os Pais com a Escola da Sarrazola” – ASPES, que nos informou do seguinte:
A 24 de Março de 2009 foi entregue ao presidente da Junta de Freguesia de Colares um abaixo-assinado de pais dos alunos da escola, acompanhado de ofício, manifestando, uma vez mais, as preocupações da comunidade educativa em geral e da associação de pais em particular, relativamente à insegurança da via de acesso à escola.
A Junta de Freguesia enviou cópias deste abaixo-assinado ao presidente da Câmara, ao vereador com o pelouro da Educação, ao presidente da Educa e ao responsável pelas Estradas de Portugal para a zona.
Posteriormente, e a pedido da ASPES, teve lugar, a 12 de Maio de 2009, uma reunião com o dr. Luís Patrício, vereador da Educação, para discutir o mesmo assunto. Nela estiveram presentes o presidente da Junta de Freguesia de Colares, o director do Agrupamento de Escolas de Colares e ainda odDirector da Divisão de Educação da Câmara, dr. Frederico D’Eça.
Nesta reunião os responsáveis da Câmara afirmaram que a solução do problema teria que passar pelas Estradas de Portugal.
Texto e fotos: Graça Pedroso
Edição de 08-01-2010





