As minhas mais recentes preocupações
Bernardo de Brito e Cunha
ISTO DE FALAR dos Globos de Ouro da SIC (coisa feita de parceria com a revista Caras, também do grupo Balsemão) faz com que corra o risco de me repetir, ano após anos. É que eu não me conformo que um certame que se destina a premiar os melhores na moda, no cinema, no desporto, na música, no teatro e mais qualquer área de que me esteja agora a esquecer, deixe de fora áreas fundamentais da nossa vida (cultural ou não, mas isso é um outro problema) como a rádio e a televisão. Sobretudo quando, em anos já idos, o certame da SIC já atribuiu esses prémios a essas duas manifestações da nossa vida. Bem sei que, nessa altura (ou para ser mais exato: na última dessas alturas) a estação teve de sofrer o amargo de boca de entregar os troféus referentes a televisão a um canal concorrente. É a vida: uma vez ganhas tu, da próxima ganho eu. É a democracia, é a alternância – é, realmente, a vida. E desde então, anualmente aqui venho bater o pé e dizer que não percebo a razão por que essas duas áreas foram eliminadas dos Globos.
ENTENDO PERFEITAMENTE que o Dr Francisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa a que pertence a SIC e a revista Caras, não esteja disposto a montar (e pagar) uma festa para depois nela premiar pessoas e programas de canais concorrentes do seu. Mas já não entendo que o Dr Francisco Pinto Balsemão, fundador do jornal Expresso, ex-primeiro-ministro e autoproclamado democrata siga as opiniões do seu outro eu que é um gigante da comunicação social. É, no mínimo, uma enorme falta de fair play. E cansa-me esta sensação de que há uma dúzia de anos venho a escrever mais ou menos o mesmo, e que isso não passa de um exercício de malhar em ferro frio. O Dr Balsemão não gostaria de premiar, por exemplo, um Big Brother qualquer – e aí eu estaria de acordo com ele. Mas, caramba!, aquilo tem um júri de seleção e delimitar as zonas televisivas – entrevista, reportagem, apresentação, sei lá! – não seria certamente difícil. É que parece muito estranho vermos os Globos de Ouro transmitidos pela televisão… e a Televisão não ter prémios.
TAMBÉM SEI que estes Globos de Ouro são a única manifestação televisiva que entrega prémios e distingue alguns dos melhores no nosso país, mas isso não me parece uma razão suficientemente boa para que se embandeire em arco. O Diário de Notícias, por exemplo, tinha como título “Noite de Festa e Glamour no Coliseu”, sem que se tenha percebido onde estava esse glamour – a não ser que se estivessem a referir aos profundos decotes que a maioria das senhoras ostentavam, quando algumas teriam feito bem melhor se escondessem o que insistiam em mostrar. Claro que a festa foi feita por quem recebeu os prémios, como parece óbvio, mas a realização televisiva (que não sei de quem foi) deixou bastante a desejar, com câmaras a deixarem escapar diversos momentos e, até, a “perderem” pelo caminho até ao palco alguns dos premiados…
UMA PALAVRA para a última jornada do campeonato nacional, em que se decidia o campeão. Por um (quase) milagre da técnica assisti aos dois jogos mais importantes, o do Benfica e o do Porto. Digo que se decidia o campeão mas, em boa verdade, o Benfica já o tinha perdido no empate com o Estoril. Portanto, foi mais o Benfica a perder o campeonato do que o Porto a ganhá-lo. E julgo que o último jogo do Porto, para quem clamava por um campeonato “sujinho, sujinho”, foi um bom exemplo disso. O penálti marcado contra o Paços de Ferreira e respetiva expulsão de um jogador é completamente inexistente: o jogador do Paços nem toca em James… E depois, achei estranho que a taça estivesse em Paços de Ferreira, a ser gravada no final do jogo, quando as hipóteses matemáticas podiam pender para qualquer dos lados. Havia outra, na Luz? Ninguém mostrou…
HÁ DEZ ANOS ESCREVIA
«Eu compreendo que possa haver muita gente interessada em ouvir os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa no jornal de domingo da TVI: o que já me é mais difícil de entender é que o número de pessoas cresça no espaço que medeia entre esse jornal e “Ana e os Sete”, sobretudo se vos disser que esse espaço é de cerca de 20 minutos – e é inteiramente preenchido por publicidade. Um determinado anúncio, de resto, passou três vezes nesse mesmo bloco. Isto faz-me confusão, tanto mais que há outras escolhas possíveis: como é que se opta por anúncios (e repetidos) quando é possível ir apanhar o resto do divertidíssimo “Contra Informação de Fim-de-Semana”? Ou, para se continuar numa de bem-disposto, por que não optar pelos “Malucos do Riso”, Deus meu? É que tudo é preferível a ver anúncios repetidos. Pois quando o normal é fugir da publicidade, o público da TVI não só não arreda pé como ainda vai chamar os amigos – e a audiência de “Ana e os Sete” aumenta. É de ficar zonzo ou não é?»
(Este bloco respeita a grafia em uso no ano em que foi escrito.)
Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 3982 de 24 de Maio de 2013.

