Semanário Regionalista Independente
Sexta-feira Maio 29th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

Uma TV para todos e mais alargada

Bernardo de Brito e Cunha

As emissões da RTP3 e da RTP Memória na televisão digital terrestre (TDT) arrancaram a 1 de Dezembro, aumentando assim em dois canais a oferta daquela que é a alternativa para quem reside em lugares onde não chega a televisão por cabo. O presidente do Conselho de Administração da RTP, Gonçalo Reis, já em finais de Setembro dissera que “estamos a planear o arranque da RTP3 e RTP Memória a 1 de Dezembro, coincidindo com a data legal imposta; as equipas estão a trabalhar, há equipas internas de conteúdos, de formatação de canais, de tecnologia, em termos de regulação e também legal, estamos a dar os passos todos, é uma grande oportunidade para a RTP, estamos entusiasmados com isso”, afirmou na altura o gestor.

Na altura, questionado sobre os custos da TDT para a RTP, Gonçalo Reis disse estarem a trabalhar numa série de cenários e de ajustamentos, em termos de distribuição com o operador Portugal Telecom e previa chegar a acordo envolvendo também, eventualmente, os reguladores, como está previsto na lei. Relativamente a perdas que a RTP possa vir a ter, já que os dois novos canais a serem disponibilizados na TDT – RTP3 e RTP Memória – não vão ter publicidade, Gonçalo Reis foi peremptório, afirmando que não previa perdas nenhumas, reiterando que esta constitui uma grande oportunidade para a RTP porque vai ter todos os seus canais em aberto, é uma grande oportunidade para o público português” porque vai ter mais oferta, o que resulta em mais capacidade de escolha, e é uma grande oportunidade para o sector audiovisual, já que incentiva a produção de mais conteúdos em português.

Para o gestor, a solução encontrada para alargar a oferta na TDT é uma óptima solução e recordou que a TDT em Portugal era a mais pobre da Europa. Esta é, assim, uma solução equilibrada, prevê canais públicos e canais privados. “É assim em toda a Europa, não há nenhum caso na Europa em que os canais públicos não estejam todos na TDT”, salientou, acrescentando que “o executivo reservou também dois canais para operadores privados, quanto mais rápido forem melhor porque assim vai dinamizar a rede”, concluiu.

Mas não há bela sem senão… A SIC, por sua vez, está a estudar formas de contestar a entrada de mais dois canais da RTP na TDT, afirmou o presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão. Quando foi anunciado que a RTP iria ter mais dois canais na plataforma de televisão gratuita (sinal aberto), a SIC e a TVI avançaram com a eventualidade de processos judiciais. Francisco Pedro Balsemão afirmou que as duas operadoras privadas estão a estudar as várias hipóteses de contestar a decisão – tomada por resolução do Conselho de Ministros e pela aprovação da lei para o alargamento da oferta na TDT no parlamento – com as respectivas equipas jurídicas. “Para ocuparmos uma parte do espectro teremos que também pagar por isso e não estamos de acordo com essa proposta. Havendo condições certas para o efeito, sim”, mas “não havendo essas condições não o faremos”, concluiu o dirigente da Impresa. E passados dois meses, no que se refere à TDT, não houve mais notícias dos canais privados…

O que mais importa é que a oferta aos utilizadores da TDT subiu dois canais – canais esses que, ao contrário do que acontece nos canais da televisão por cabo onde são transmitidos, não terão na TDT qualquer publicidade, sendo esses espaços substituídos por informações culturais e de programação.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Quando o novo Bispo de Setúbal foi Ordenado, as portas da Igreja foram apedrejadas como forma de protesto. Porém, a mestria é capacidade que não falta a D. Manuel Martins, e então, de forma a conquistar o povo, abdicou de usar as vestes clericais fora da igreja, e aproximou-se da população mostrando-se solidário com as suas preocupações. Daí se lhe atribui o título de “Bispo Vermelho”. Foi este homem que esteve uma destas manhãs na “Praça da Alegria”. Entre muitas outras coisas, disse esta: “Os bens têm um destino universal. Eu não sou dono de nada, nós não somos donos absolutos de nada: isto é meu, eu não posso dizer isso, tenho de pôr o “meu” com aspas. Eu não tenho nada de absolutamente meu. Se neste momento eu tenho, vamos chamar-lhe assim, um irmão que precisa verdadeiramente daquilo a que eu chamo meu, eu tenho que repartir com ele, porque naquele momento aquilo que eu tenho também é dele.”»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, edição de 9 de Dezembro de 2016.

Leave a Reply