Semanário Regionalista Independente
Terça-feira Agosto 14th 2018

“BBC – As Crónicas de TV”

Malhas que o Império tece…

Bernardo de Brito e Cunha

Julgo que todos terão reparado nas imagens das buscas a casa do juiz desembargador Rui Rangel e outros suspeitos no mesmo caso. Ou, pelo menos, num pequeníssimo pormenor: quando o Ministério Público e até um juiz (fundamental para essas buscas a um outro juiz) lá chegaram, as televisões já estavam à porta. Como a comunicação social (ainda) não tem poderes de adivinhação, só resta uma explicação para esse facto: tinham sido informados. O que, por sua vez, indica que alguém pusera a boca no trombone. Ou, para mantermos a linguagem comedida, o segredo de justiça fora violado. Mais uma vez.

O problema é antigo. Mas a verdade é que se um jornalista tem uma informação, qualquer que ela seja, o seu dever (e sublinho-o, a negro) é investigá-la, conforme está estabelecido. Mas há diversos problemas, e este facto foi criticado por vários opinadores, como Luís Marques Mendes, que no último domingo criticou a violação do segredo de Justiça e protestou contra o facto de Rui Rangel já ter sido “condenado na praça pública”. Essas críticas são compreensíveis. As pessoas visadas nos grandes casos mediáticos vêem o seu nome posto em causa na praça pública, sendo alvo de condenação social ainda antes de os tribunais os julgarem.

Mas a verdadeira injustiça não está na condenação social em si. Se um indivíduo é acusado pela Justiça de ser ladrão, os seus concidadãos têm o direito de, bem ou mal, formarem uma opinião sobre o assunto. Ninguém deve ser obrigado a esperar 10 ou 12 anos até que uma sentença transite em julgado para poder ter uma opinião sobre a honorabilidade da pessoa x ou y. E os jornalistas têm como missão informar o público para que este possa formar a sua opinião, seleccionando, verificando e validando a informação de acordo com as regras deontológicas da profissão. Se o jornalista tem acesso a uma informação que está sob segredo de Justiça e a mesma é de interesse público, tem o dever de fazer o seu trabalho.

Há quem defenda que a solução passa por punir exemplarmente as violações do segredo de Justiça e por aplicar coimas aos media que divulguem essas informações. Mas isso, além de errado no que aos jornalistas diz respeito, é uma miragem. Existirão sempre fugas e no mundo atual já não é possível travar a circulação da informação. Seria como tentar segurar a água do mar com as mãos. Com a agravante de, retirando os jornalistas da equação, os sites de fake news e a boataria das redes sociais ficarem com rédea solta. Se acham que alguns jornais e televisões são sensacionalistas, ainda não viram nada.

Sendo impossível travar a circulação da informação, talvez esteja na altura de reflectirmos se não seria preferível, pura e simplesmente, acabar com o segredo de Justiça, excepto em situações verdadeiramente excepcionais. Mais transparência talvez pudesse ajudar a Justiça e o Jornalismo a desempenharem melhor as suas missões.

Há cerca de 20 anos, uma equipa de cineastas de vida selvagem da Unidade de História Natural da BBC (UHN) propôs-se fazer uma série sobre os oceanos do mundo, chamada “Planeta Azul”. Esta série, narrada por Sir David Attenborough, recebeu o reconhecimento mundial e consolidou a reputação desta unidade de filmagens subaquáticas. Agora, uma nova geração da UHN regressou ao mundo subaquático para produzir “Planeta Azul II”. Esta nova série utiliza conhecimentos avançados sobre a ciência do mar e tecnologia de última geração para explorar os novos mundos.

Ao longo de mais de quatro anos de produção, as equipas realizaram 125 expedições, visitaram 39 países e filmaram em todos os continentes e oceanos. As tripulações fizeram mais de 6.000 horas de mergulho, incluindo nos mares mais profundos. Deste trabalho e paixão resultou uma série que nos aproxima, mais do que nunca, da vida de algumas das mais extraordinárias criaturas marinhas. Na RTP1, aos domingos mas também no RTP Play, para episódios mais antigos.

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«De que estava eu à espera em “O Dia do Regicídio”? Pois nada mais, nada menos do que uma série histórica, de reconstituição, uma coisa feita à maneira da BBC, imagine-se! Uma fotografia com aquela cor muito característica, um texto rigorosíssimo e grandes desempenhos. Estava enganado em quase tudo: a fotografia era, de facto, excelente. O resto… bom, o texto, embora “recriado e/ou ficcionado” tinha algumas partes de razoável qualidade, mas ficava-se por aí. Mas gostava de saber por que razão que se perceba foi Aquilino Ribeiro tão mal tratadinho, que se tenha pintado dele um retrato tão distante do beirão que sempre ouvi dizer que foi? Ah, claro: é uma obra ficcionada! E já agora, (não é por nada, claro!) porque será que tenho a sensação de que aquele elenco não podia ter sido pior escolhido? Não se entende bem como é possível representar tão mal – e sobretudo em grupo.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, edição de 9 de Fevereiro de 2018

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