Semanário Regionalista Independente
Sábado Janeiro 19th 2019

“BBC – As Crónicas de TV”

Cristina, não vais levar a mal…

Bernardo de Brito e Cunha

Cristina Ferreira chegou em nome próprio a Carnaxide na última segunda-feira e rendeu uma audiência média de 6.7 com 40.1% de share no período de emissão – isto se incluirmos todos aqueles que, mais tarde (o que acho fantástico… É o que faz a tecnologia), recorreram à possibilidade de voltar atrás para ver o programa da manhã. Em média, 653 mil e 200 pessoas (das quais 540 mil em directo) viram a estreia de “O Programa da Cristina”. A liderança da SIC começou cedo e acabou por se manter no total do dia. O pico do programa, já verificado perto do fim (a lágrima de Luís Filipe Vieira?, o prémio do concurso, de cinco mil euros?), deu à SIC um resultado acima do milhão de espectadores. Nesse preciso momento, Carnaxide ascendia aos 10.4 de audiência e marcava sensivelmente o dobro da TVI no exacto minuto.

Durante todo o período de transmissão a quatro viu-se na condição de vice-líder, algo que não está habituada neste período. A RTP1 também não aguentou o embate e caiu para um valor cerca de 6 vezes inferior. O “Praça da Alegria” registou 1.1 de audiência e 6.8% de share (108.700 espectadores em média).

Mas nestas coisas, também funciona bem o factor “arrasto”: e Júlia Pinheiro conseguiu bater Fátima Lopes à tarde. Apesar de próximos, o talk show da SIC foi líder no horário. Com início pelas 16h18, “Júlia” conseguiu 3.6% de audiência média e 15.4% de share. O melhor minuto do programa foi às 18h04, com Júlia Pinheiro a bater nos 5.3% de audiência e nos 18.1% de share. Nesse momento estavam sintonizados na SIC, 516 mil espectadores. Até o noticiário da noite beneficiou desse arrasto e, portanto, foi um dia em grande para o canal de Carnaxide: na batalha da concorrência dos canais televisivos, a estreia de Cristina Ferreira na SIC empurrou a estação para o primeiro lugar de audiências e atingiu os melhores resultados da manhã da SIC desde 2002. Há 17 anos que a SIC não batia a TVI no programa da manhã.

E o programa de Cristina propriamente dito? Como já devem ir sabendo, não sou grande fã da apresentadora: gostei do cabelo mais curto, mas odiei o fatinho e aqueles cortes assimétricos de que ela parece ser grande fã. Gostos não se discutem… mas também não somos obrigados a aceitá-los a todos. A ideia de transformar o estúdio numa casa, também me parece batida e falhada: a obrigatoriedade de ter mobília (e não era pouca: até casa de banho com bidé tinha…) tornou aquilo numa parafernália de móveis, sofás, estantes e, por trás disto tudo, o público que parecia sentado no jardim da casa, ao friozinho da manhã. Espero que fosse, ao menos, um jardim de inverno… Até tinha aquele toque de piroso tão apelativo para uma certa camada: os retratos da própria Cristina pendurados na parede da balaustrada que dá acesso à escada interior. Só faltava uma foto de casamento, o que em algumas casas é normal e que, por que não dizê-lo, fica sempre bem… De resto, é mais do mesmo, com muitos colaboradores “roubados” ao seu programa anterior, mas essas coisas fazem parte da vida dos canais de televisão… Ah! O décor também tinha uma porta (todas as casas a têm) mas, caramba!, que ninguém conseguiu abrir à primeira. Nem à segunda, nem à terceira.

Vejamos coisas mais importantes. Para meu espanto, ou talvez nem tanto assim, parece que ninguém liga muito à reposição da novela “Avenida Brasil”. Mas, pelo menos no que diz respeito à última segunda-feira, isso poderá ter explicação: é que, aparentemente ainda não satisfeita com o festival Cristina Ferreira da manhã, grande parte da população ainda foi vê-la à TVI, ao final da tarde, no “Apanha se Puderes”. A rapariga tem mesmo seguidores fiéis…
Mas as pessoas que me têm tentado conquistar para a Netflix, aparentemente a sétima maravilha das séries e filmes, não tinham razão quando aqui assinalei o fim abrupto da série “Onde Está Elisa?”, em finais de Novembro. Na mesma segunda-feira em que a TVI foi batida pela SIC, a estação de Queluz exibiu, sem qualquer aviso, o primeiro episódio da segunda temporada da série, no espaço (digamo-lo assim) da terceira novela da noite… Que dia de emoções fortes!

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«De cada vez que o Presidente da República aparece na televisão, para além de me dar a ideia de que quer dizer “Atenção! Eu existo, eu ainda estou em Belém, ainda não fui para Boliqueime!”, fala sempre nas eleições que este ano terão lugar. Mas falta-lhe sempre aquele bocadinho assim: o de dar um passo mais e dizer, como escreveu Sartre em “O Ser e o Nada”, que “a liberdade que temos é a liberdade de escolher, mas não de não escolher”.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4241 de 11 de Janeiro de 2019

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