Semanário Regionalista Independente
Quinta-feira Abril 25th 2019

“BBC – As Crónicas de TV”

Algumas das coisas que não entendo

Bernardo de Brito e Cunha

Começou faz hoje três semanas, a série da RTP1 “Teorias da Conspiração”. Confesso-vos honestamente que apenas vi o primeiro episódio (o terceiro passa esta noite) e o deixei ficar a “marinar” dentro da cabeça, à espera que aquilo se arrumasse, por assim dizer, e que as peças encaixassem. Não aconteceu: talvez porque um caso recente, real (o da Caixa Geral de Depósitos), se estivesse continuamente a imiscuir na história da falência do banco da série. Não é linear, aquele relato, as personagens não têm, em muitos casos, nem nomes nem funções, por assim dizer e por enquanto, o que não facilita. A primeira figura que vemos, a de Gonçalo Waddington, é um mistério: sabemos que dá uns acordes numa guitarra eléctrica, que tem armas em casa (será?), que anda de mota e que depois de enviar uma bala à personagem de Sinde Filipe (num envelope almofadado), numa noite escura, numa estrada sem iluminação, atropela uma criança. Atropela ou a criança já lá estava caída? Não dá para perceber: vi a cena três vezes e não fiquei com certezas.

Por outro lado, percebe-se que Maria Amado (Carla Maciel) é uma jornalista de investigação que conhece José Madeira (Rúben Gomes), um inspector da Polícia Judiciária que se unem nessa luta de (vamos lá ao chavão) combate ao crime. Fiquei na dúvida se aquele encontro à porta do bar “Fox-Trot” não teria sido provocado pelo inspector: mais uma que fica para depois… O que sei é que as investigações de Maria Amado nem sempre contam com o apoio da direcção do jornal, e as investigações do inspector da PJ, muitas das vezes saem fora das regras da instituição. Mas se estas personagens perseguem o crime, têm do lado oposto Pedro Soares Teixeira (suspeito que esta seja a personagem de Gonçalo Waddington), um advogado influente, que manobra na sombra para iludir as investigações. E há ainda um Primeiro-Ministro e os jogos de bastidores, e um Procurador Geral da República reformado que, num blogue, denuncia anonimamente casos de corrupção – e neste mal estaria eu se não reconhecesse Rui Morisson, amigo de outros tempos… Portanto, chego ao fim do segundo parágrafo e as dúvidas e as confusões são mais do que as certezas. Caramba!, que é triste.

Não sei quantas foram já as reportagens que vi sobre a IURD e Edir Macedo. Primeiro foram os casos das adopções ilegais, depois os testemunhos e as negações e, na última terça-feira, um outro caso que envolve o dinheiro do dízimo e as despesas e as compras avultadas realizadas por Edir Macedo e a mulher. Eu gostaria de acreditar que as reportagens documentadas das televisões deveriam merecer investigações, e não digo que não aconteçam: mas digo que estas coisas parecem morrer e não as vejo ter consequências. E gostaria de ver…

Reconheço na greve um poderoso instrumento de negociação. Aceito-a, portanto, como tal. Mas os seus excessos, os “danos colaterais” que daí advêm, já me são mais difíceis de engolir. Vi na segunda-feira no “Jornal das 8” uma senhora de um sindicato de enfermeiros, Lúcia Leite, dizer a Miguel Sousa Tavares que a culpa das oito mil e tal operações que não foram realizadas desde Novembro de 2018 não é dos enfermeiros, mas sim do Serviço Nacional de Saúde. Que se o SNS quisesse tinha mudado esses quase nove mil doentes de um hospital para outro e as operações teriam sido feitas… Se não fosse triste, ter-me-ia rido. Estranhei que, de seguida, D. Lúcia não tivesse sugerido a mudança dos doentes directamente para Fátima…

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Como sabemos, entre as canções que ao longo deste quase meio século venceram o Festival da RTP, há um pouco de tudo: as boas, as muito más, as que marcaram (seja de que forma for) as nossas vidas, mas também aquelas de que muito poucas pessoas se recordarão. De qualquer forma as canções existiram, foram essas que levámos aos quatro cantos da Europa: são, portanto, e por muito más que sejam, incontornáveis. Parece-me, no entanto, que a RTP se poupou a uma série de trabalhos, fazendo aquilo da forma mais simples.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. N.º 4245 de 8 de Fevereiro de 2019

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