Semanário Regionalista Independente
Quinta-feira Agosto 22nd 2019

“BBC – As Crónicas de TV”

(Outra) viagem a Portugal e até ao Reino Unido

Bernardo de Brito e Cunha

O incêndio (mais um entre vários) que deflagrou no sábado em Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, e que se propagou ao concelho de Mação, já em Santarém, foi dominado na terça-feira, anunciou a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC). A informação foi avançada aos jornalistas pelo comandante do Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, durante um ponto de situação, às 13h, no posto de comando instalado na Escola Secundária da Sertã.
Até às 11h de segunda-feira, 71,1% do que ardeu em Vila de Rei e Mação eram matos altos e floresta até cinco metros. Este universo inclui “muito do que regenerou depois de 2003”, confirmam especialistas em fogos florestais na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
As estimativas, geradas automaticamente pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS, na sigla inglesa) através do cruzamento com os dados do Corine Land Cover sobre o uso do solo, mostram que o pinheiro-bravo e outras coníferas foram a segunda categoria mais afectada: 20% da área ardida estava ocupada por este tipo de árvores. Outros 7,6% do território consumido pelas chamas estavam ocupados com explorações agrícolas. O que me espanta é que toneladas de eucalipto ardido noutros anos ainda estivessem por recolher, lançando assim mais “achas” para a fogueira…
Portanto, como aparentemente não vamos aprendendo nada, o pinheiro-bravo que se regenerar a partir de agora será consumido em 2030: é este o país que deixo ao meu filho? Há outra hipótese, claro: cansado de se regenerar o pinheiro desiste de lutar e, em 2030, não haverá nada para arder…

A surpresa mais recente das bandas do PSD (será mais correcto dizer de Rui Rio) é que a ex-ministra das Finanças de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, está fora da lista de candidatos a deputados do PSD por Setúbal. Fernando Negrão, líder parlamentar, vai ocupar o segundo lugar por este círculo eleitoral, confirmaram à Lusa fontes da distrital e da direcção social-democrata. Para cabeça de lista por Setúbal, o presidente do PSD, Rui Rio, escolheu o vereador Nuno Carvalho.
Na última terça-feira realizou-se uma segunda reunião entre membros da distrital de Setúbal e representantes da comissão política nacional (CPN), na qual foi confirmado que a direcção iria apontar o líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, como “número dois” por aquele círculo, nome que as estruturas locais não indicaram. Rui Rio anda a brincar aos deputados ou grassa a mais descontrolada confusão entre os “laranjas”? Caramba, falem uns com os outros, já se inventaram os telemóveis!

A corrida à sucessão de Theresa May chegou terça-feira ao fim e o nome do senhor que se segue à primeira-ministra derrubada pelo “Brexit” não surpreendeu ninguém. Boris Johnson, antigo presidente da Câmara de Londres e ministro dos Negócios Estrangeiros, venceu confortavelmente a derradeira eleição do Partido Conservador, duplicando os votos do seu adversário, Jeremy Hunt. Consumar o divórcio entre Reino Unido e União Europeia (UE) no final de Outubro é a sua missão, mas há um Parlamento fragmentado para conciliar e convencer que a saída sem acordo é um cenário tão real como outro qualquer.
“Vamos dinamizar o país, resolver o ‘Brexit’ no dia 31 de Outubro e aproveitar as vantagens de todas as oportunidades que [a saída da UE] nos trará, com um novo espírito positivo”, prometeu Johnson, no discurso de vitória. “Cumprir o ‘Brexit’, unir o país e derrotar Jeremy Corbyn”, serão as três prioridades do seu executivo, afiançou no momento da vitória. Só que ninguém percebe quais são essas “oportunidades” de que Johnson fala, já que o Reino Unido tinha o melhor de dois mundos: não estava bem dentro da União mas gozava de todas as regalias, a sua moeda não era o Euro mas a Libra e, agora, terá o problema da fronteira com a Irlanda para resolver. Só que o estouvado Boris (pelo menos de aspecto…) não explicou como será… Por isso, na peça da TVI que dava conta da sua vitória lhe chamavam “Boris o Breve”, pois não haverá maneira de se resolver a coisa a não ser com eleições gerais… E já ontem, no Twitter, se dava conta, brincando, da Rainha ao volante com a legenda “Rainha Isabel II foge para o Canadá”…

HÁ DEZ ANOS ESCREVIA

«Outra coisa interessante foi a homenagem pública a Michael Jackson. Uma espécie de funeral, sem o ser, para todos os fãs – ou, pelo menos, os que cabiam no Staples Center de Los Angeles. Coisa aprimoradamente concebida, entre a emoção ligeira e a lágrima declarada, cada qual “en su sitio”, como diria Ronaldo. Foi uma encenação bonita. Todos disseram as coisas apropriadas (ou, se quiserem, da praxe), houve canções, alegria, lágrimas e suspiros, tudo a uma hora conveniente para que nem a Europa nem a Ásia, nem sequer o Médio Oriente, perdesse pitada.»

(Esta crónica, por desejo expresso do seu autor, não respeita o novo Acordo Ortográfico.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, ed. 4269 de 26 de Julho de 2019

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