Semanário Regionalista Independente
Sábado Junho 6th 2026

“BBC – As Crónicas de TV”

Isto ainda vai aquecer, oh se vai!

Bernardo de Brito e Cunha

EU SEI QUE DISSE que íamos entrar na silly season, que a televisão ia ficar uma parvoeira se nada de monta que se visse e por aí fora. Disse e repito, que isto não está para se ver o “Verão Total” de manhã e à tarde na RTP, ou “Vídeo Pop” na TVI, que me apanhou completamente desprevenido uma tarde destas. Disse e mantenho. Mas de vez em quando, um pouco inesperadamente, surge uma coisa que me deixa agarrado ao ecrã.
Entretanto e até que cheguem os Jogos Olímpicos, lá para o final do mês, há muita coisa que teremos de aturar. Mas por falar em Jogos Olímpicos, diga-se que, ao contrário do que aconteceu há quatro anos, com uma diferença horária de oito horas para a China, a transmissão da RTP promete atingir outros resultados bem diferentes. A RTP vai ter um canal especialmente dedicado ao evento, um canal que estará no ar 24 sobre 24 horas e que, além de alimentar os primeiro e segundo canais e a RTP Informação, a partir do dia 25 de julho, fará a cobertura da maior competição multidisciplinar do mundo – que este ano se realiza em Londres, entre 27 de julho e 12 de agosto – num canal HD disponível nos operadores do cabo. Ah, caramba, eu escrevi cabo? E os restantes, os que apenas têm TDT?

E É EXATAMENTE aí que, como se costuma dizer, a porca torce o rabo. Toda a gente (ou, pelo menos, a gente que meteu uma tremenda argolada com a história da TDT e da sua pobreza) pensou “é agora que aquela miséria da TDT vai ficar melhorada: basta pedir à RTP que forneça o sinal e durante 15 dias ninguém vai protestar contra aquela pobreza”. O pior foi a resposta da RTP, que foi mais ou menos assim: “Tenham paciência, mas isso vai-nos custar um dinheiro que não temos. Portanto, nada de Jogos Olímpicos na TDT.” Quem ficou possessa foi a ERC, essa entidade reguladora que não se preocupou nada que quem migrasse para a TDT ficasse com apenas quatro canais – mas nestas coisas de maus feitios já estamos habituados a que se venha protestar na altura que já não é a exata: é que a verdade é que se a ERC achava (como eu acho) que quatro canais são poucos, então tinha tido a oportunidade de se manifestar mais veementemente do que aquilo que fez.

ACABOU, FINALMENTE, o programa de Catarina Furtado “Príncipes do Nada”. Eu adoro Catarina Furtado, do que não gosto é dos programas a puxar ao sentimento, com muitos beijos em criancinhas, etc, etc. Mas a terceira série do programa terminou com uma reportagem sobre mães adolescentes. Ficámos a saber que só no ano passado, 3668 jovens entre os 12 e os 19 anos deram à luz nosso país, o que representa uma das mais elevadas taxas de incidência de gravidez na adolescência na Europa. Nos bairros Marquês de Abrantes, em Lisboa, e Casal de Cambra, em Sintra, conhecemos os rostos e as histórias de quem se tornou mãe muito jovem e também de todos os que tentam apoiar estas adolescentes e os seus bebés. O programa testemunhou no terreno o imenso trabalho feito por várias entidades: a Associação para o Planeamento da Família (APF), a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Maternidade Alfredo da Costa, entre outras. A reportagem mostra ainda como as parcerias entre as várias entidades são fundamentais para promover a complementaridade, evitar intervenções duplicadas e conseguir resultados com mais sucesso.

RESTA SABER quanto tempo será ministro Miguel Relvas. Uma notícia de princípio de junho, publicada em “o Crime” e a que o “Público” voltou a deitar a mão na última quarta-feira, vai dar pano para mangas e encher as televisões. Como o ministro dizia aqui há uns tempos, “há gente que tem mau perder”. O “Público” tem: mas também parece ter razão. Porque em Portugal quem não tiver uma licenciatura não pode ocupar os mais altos cargos da administração pública.

HÁ 10 ANOS ESCREVIA

«É que parece que Gisela vai regressar e fala-se em número$. Isto é, fala-se em dinheiro, em contrapartidas. Dinheiro esse a que, segundo consta, Gisela se dá ao luxo, agora, de fazer contra-ofertas e novas propostas e exigências. Oferecem-lhe carros e ela pede por modelo. Querem falar com ela e ela pergunta “quanto?”. Quer saber-se se vai, de facto, regressar, e ela pede apoios para isto ou aquilo. Algumas dessas coisas foram-lhe dadas: faltam as outras. E, muito possivelmente, faltarão essas outras para que regresse ao programa. Na altura em que vos escrevo, trocavam-se diligências entre Gisela e a Endemol, produtora do concurso, “reality show”, o que lhe quiserem chamar. Hoje à noite, se tudo tiver corrido bem – para Gisela – somos capazes de a ver de regresso ao programa e aos braços de Herman. A mãe e o padrasto já lá estiveram a semana passada; a própria Gisela já apareceu, via telefone. O que deve querer dizer que, com jeito, a coisa se compõe.»
(Este bloco respeita a grafia em uso no ano em que foi escrito.)

Crónica publicada no Jornal de Sintra, página 15 da edição n.º 3943 de 6 de Julho de 2012

Leave a Reply